terça-feira, 31 de março de 2009

Dilma não tem projeto"
Ciro Gomes diz que é candidato a presidente, ataca desempenho do PAC e cobra propostas da ministra da Casa Civil


Hugo Marques

http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2055/dilma-nao-tem-projeto-ciro-gomes-diz-que-e-candidato-129766-1.htm

NO ATAQUE "O Fernando Henrique dizimou a política mineira, destruiu a memória do Itamar Franco, espalhou a cizânia", diz Ciro
Embora seja um pré-candidato assumido à sucessão do presidente Lula em 2010, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) é sempre mencionado na lista de possíveis vices na chapa da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, provável concorrente do PT ao Palácio do Planalto. No entanto, Ciro diz que a candidatura de Dilma foi uma estratégia do presidente para evitar brigas internas no PT. Ele acredita que a ministra pode alcançar "fácil" 25% da preferência do eleitorado (hoje ela tem em torno de 11%). Mas ainda falta a ela um projeto para o País. "Eu advogo que a gente tem que discutir projetos", disse. Depois de sumir de cena por muitos meses, o deputado, 51 anos, se diz recuperado de problemas de saúde e está pronto para retornar ao debate político. Sempre no mesmo estilo. Nesta entrevista à ISTOÉ, na terça-feira 24, atacou seu antigo partido, o PSDB, o Democratas, o PMDB e o governo federal. "A administração pública brasileira não vai bem", afirmou. E alimentou o embate com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, acusado por ele de "espalhar a cizânia" e destruir a memória de Itamar Franco. Leia os principais trechos da entrevista.

ISTOÉ - O sr. passou um período retraído e agora está saindo para a estrada de novo, se lançando para a campanha presidencial?
Ciro - Tive alguns problemas. Tive uma paralisia facial causada por um vírus, que me deixou no estaleiro 40 dias. Na sequência, minha sogra internou- se, minha mulher gravando uma novela, sem poder dar assistência, achei que era meu dever dar apoio a ela. Minha sogra morreu. Foram basicamente dois ou três meses que eu não podia estar na luta. Já fui candidato a presidente da República duas vezes, portanto não posso andar mentindo, como certos candidatos notórios que dizem que não são candidatos. Eu sou. Mas já tenho experiência suficiente para saber que ninguém consolida uma candidatura a tal distância do processo.

ISTOÉ - Seu projeto para o País se parece com o da ministra Dilma?
Ciro Gomes - Eu diria que a Dilma não tem projeto.

ISTOÉ - É bom que ela bote logo as ideias na rua?
Ciro - Advogo que a gente tem que discutir projetos. Uma mera luta pelo poder, sem nenhum conteúdo, fará muito mal ao Brasil. Trata-se de quê? De voltar à hegemonia do PSDB-PFL ou garantir a presença do PT a qualquer preço, a qualquer circunstância? É isso que o País precisa que se ponha em discussão.

ISTOÉ - A ministra elogiou o sr.
Ciro - Minha relação com ela é de muita amizade, de muita fraternidade. A Dilma é uma administradora sem par. Talvez a única lacuna na vida pública dela seja a falta de vivência política. Mas isso não é nada que não possa suprir com esforço.

ISTOÉ - O problema numa dobradinha com Dilma é que hoje o sr. tem mais votos do que ela? Ciro - Isso tudo é ilusão de ótica. Na hora certa, vamos ver o que interessa.

ISTOÉ - Ela pode crescer nas pesquisas?
Ciro - Com certeza, se ela for a candidata apontada pelo Lula. O cruzamento da influência dele com a preferência relativa que o PT tem dá a ela um patamar de 25% fácil.

ISTOÉ - O sr. conversou com o presidente Lula sobre a sucessão?
Ciro - É cedo. O Lula é um gênio político. O que o Lula está fazendo? Ele conhece o PT mais que ninguém. Ele sabe que se não botasse a mão, ainda que oficiosamente, no ombro de uma pessoa, numa hora dessas as diversas correntes do PT estariam se engalfinhando. Ele bota a mão, aparentemente, na Dilma, e trava o debate. Está prevenindo a desgraceira de uma brigalhada das diversas correntes do PT pela sucessão dele.

ISTOÉ - O sr. acha correto o PT restabelecer algumas personalidades, como o Delúbio Soares? Ciro - No Brasil, o que é compreensível, como temos uma democracia muito verdinha, há um justiçamento por parte da imprensa. Ela não percebe que faz justiçamentos. Há direitos e garantias universais. Presunção de inocência até o julgamento final, o contraditório, o ônus da prova de quem acusa. Não vejo o Delúbio como um marginal, um perigoso gângster como vi desenhado na imprensa. Cassar direitos políticos de uma pessoa cujo julgamento está pendente é estranho.

ISTOÉ - José Serra está com 40% sem ter se lançado candidato. É possível alguém derrotar o governador de São Paulo na próxima eleição?
Ciro - É perfeitamente possível. Sempre achei que a oposição ao governo Lula, ao nosso governo, saía do processo com certo favoritismo. Isso não quer dizer vitória de véspera.

ISTOÉ - O sr. apoia a iniciativa do governador mineiro Aécio Neves de andar pelo Brasil em campanha?
Ciro - O governador de Minas tem a obrigação de expor sua posição no debate político nacional. Boa parte do que está sofrendo o Brasil deve-se ao desmantelamento da presença equilibradora de Minas Gerais na política.

Tenho para mim, conhecendo bem o gênio político do Fernando Henrique, que isso foi deliberado. Fernando Henrique sabia que para reinar, ou seja, para a reeleição e para a perpetuação desse grupo plutocrata que ele lidera a partir da avenida Paulista, precisava enfraquecer Minas. Ele cuidou disso muito bem, dizimou a política mineira, destruiu a memória do Itamar Franco, espalhou a cizânia.

ISTOÉ - O PMDB ficou forte com as presidências da Câmara e do Senado. A próxima eleição presidencial tem que passar pelo PMDB?
Ciro - A questão é quais são os princípios morais e intelectuais que presidem esta ou aquela aliança. Já censurei essa tática, quando o Fernando Henrique fez essa aliança com o PMDB, porque o que preside essas alianças é o ajuntamento, é a fisiologia, é o clientelismo, é a concessão à safadeza, à ladroeira, e isso não leva o País a lugar nenhum, isso é uma ilusão de alianças.

ISTOÉ - O presidente Lula tem recebido críticas por aparelhar o serviço público.
Ciro - O Brasil precisa de administração profissional e meritocrática. A administração pública brasileira não vai bem. O desempenho do PAC é sinal disso. É muito curioso, se não fosse trágico: hoje tem muito mais dinheiro que capacidade de fazer.

ISTOÉ - O Brasil não consegue gastar o dinheiro do PAC?
Ciro - Não consegue por gap gerencial, por falta de estrutura de prestação profissional. Há uma legislação estúpida na área de ambiente, estúpida na área de licitação, estúpida na área de controle de contas.

ISTOÉ - A popularidade do presidente Lula pode cair ainda mais?
Ciro - Vai cair. Nada trágico, mas vai cair consistentemente.

"Uma mera luta pelo poder, sem nenhum conteúdo, fará muito mal ao Brasil"

ISTOÉ - O presidente do BC, Henrique Meirelles, deveria ser mais agressivo com a queda dos juros?
Ciro - O Meirelles ajudou o Brasil de forma substantiva no primeiro mandato do presidente Lula. Mas o modelo está errado. O Banco Central cometeu um desatino quando a crise já estava instalada e tinha proporções que sabíamos terríveis. Eles fizeram essa política maluca de aumentar os juros nacionais olhando uma inflação de demanda estúpida, que não existia. Acrescentou um dado nacional desnecessário, estúpido, àquilo que seria grave. O problema é o modelo, não é o Meirelles.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Caí para a 2ª divisão da vida e voltei, diz Casagrande

http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais/2009/interna/0,,OI3662978-EI12403,00-Cai+para+a+divisao+da+vida+e+voltei+diz+Casagrande.html

Sempre lembrado por sua trajetória como jogador do Corinthians, Walter Casagrande Júnior associou seu problema com drogas, seguido do processo de recuperação, com a queda do time alvinegro para a Série B do Campeonato Brasileiro e o retorno da equipe à elite do futebol.

"Minha história e a do Corinthians tem uma ligação forte. E coincidiu de o Corinthians cair para Série B e eu ter problemas, com os dois se recuperando quase ao mesmo tempo. É lógico que não dá pra comparar uma coisa com a outra, mas são situações que se cruzam", disse Casagrande.

"A recuperação do Corinthians está igual a minha: aos poucos vai voltando ao lugar que merece. Mesmo caindo para série B, o Corinthians é o Corinthians. As pessoas olham para o clube e respeitam. Meu caso é mesma coisa: o que eu fiz, o que eu fui e sou, não tem como apagar. O que aconteceu comigo foi um retrocesso, uma queda para a segunda divisão da vida. Mas eu voltei. Ou melhor, estou voltando aos poucos, adquirindo respeito novamente", afirmou.

Neste processo de recuperação, Casagrande conta que não tem sentido preconceito por parte das pessoas e que mudou seus "modelos" de vida depois da internação.

"Eu sei que tenho problemas, que sou uma pessoa doente. Não quero esconder isso. Mas eu não senti preconceito algum até hoje, estão me tratando na boa, as pessoas me dão força e carinho. Eu sempre fui muito ligado aos anos 60 e 70, ao "sexo, drogas e rock´n´roll". Meus ídolos eram aqueles que morreram de overdose e queria ser como eles. Hoje, com a internação, coloquei as coisas no devido lugar e quero ser como aqueles que sobreviveram", explicou o ex-jogador do Corinthians e da Seleção Brasileira.

Futuro

Afastado da TV Globo desde 2007, Casagrande pretende retomar a carreira de comentarista de futebol e acredita que isso ocorrerá logo.

"Já tive uma reunião com a diretoria da Globo e eles pediram o laudo da minha psiquiatra. Pelo que sei, é só uma questão burocrática, de um documento que eu tenho que assinar. Meu processo de recuperação foi bom e já estou bem mais à vontade na sociedade. Só está faltando trabalhar para voltar a seguir meu caminho", explicou Casagrande, que prevê uma volta por etapas.

"Não tem uma data (para voltar a comentar). Eu vou voltar no Arena SporTV, do Cléber Machado, depois vou fazer o programa do Galvão Bueno (Bem Amigos), vou fazer alguns jogos do SporTV e depois posso ir para Globo", declarou.

Drogas no futebol

Afetado pelo problemas das drogas ainda quando era jogador, Casagrande afirmou que o uso de substâncias ilegais é comum no meio do futebol.

"Hoje em dia, a droga é muito comum em qualquer lugar. Seria inevitável não ser no futebol também. Eu não vivo o meio do futebol desde quando eu parei, mas eu tenho certeza que tem (o uso comum de drogas no futebol), como tem em todos os meios", afirmou o ex-camisa 9 do Corinthians.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Pelé se defende e nega acusação ao "filho" Robinho

http://esportes.terra.com.br/futebol/eliminatorias2010/interna/0,,OI3658238-EI10290,00-Pele+se+defende+e+nega+acusacao+ao+filho+Robinho.html

Maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé negou que tenha insinuado, na semana passada, que o atacante Robinho teria se envolvido com drogas. Em entrevista à TV Globo, o Rei do Futebol ainda chamou o atacante do Manchester City de "filho" para reiterar sua posição.

"O Robinho é nosso filho, graças a Deus ele saiu daqui do Santos e com a nossa orientação. Houve um mal entendido porque eu não falei nada disso, às vezes levaram algo errado para ele", disse Pelé, "Como tenho experiência, quando alguém me fala algo assim eu digo: 'traga o teipe para eu ver'", afirmou.

Em contato com o Terra, a assessoria de Pelé explicou que ele foi questionado sobre os problemas gerais do futebol, e não sobre jogadores que teriam se envolvido com drogas.

Segundo a assessoria do Rei do Futebol, Pelé foi questionado sobre os incidentes do futebol em evento do setor de turismo em São Paulo, na última quarta-feira, e citou três exemplos, inclusive, considerando baixo o percentual de problemas no esporte, pela grandeza do futebol.

"Não foi nada disso, o Pelé não disse que o Robinho teve problemas com drogas. A resposta dele foi distorcida. O Pelé foi perguntado sobre os problemas do futebol, e respondeu que pela grandeza do futebol, os problemas são poucos comparados aos outros esportes. Ele disse que no futebol teve apenas problemas do Maradona, do Ronaldo e do Robinho, mas não falou sobre drogas momento algum", disse a assessoria.

Pelé quis dizer sobre os incidentes que envolveram o atacante Ronaldo, no caso dos três travestis no Rio de Janeiro, e sobre Robinho, que foi acusado de estupro na Inglaterra. No entanto, a assessoria fez questão de ressaltar que ele não especificou os assuntos, e apenas relacionou como problemas que aconteceram no futebol.

Outro jogador citado por Pelé no exemplo de problemas do futebol foi Diego Armando Maradona, atual técnico da seleção da Argentina e que teve sua carreira manchada pelas drogas.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Neymar é convocado para Seleção Brasileira Sub-17

http://esportes.terra.com.br/interna/0,,OI3654612-EI1958,00-Neymar+e+convocado+para+Selecao+Brasileira+Sub.html


Maior estrela do Santos na atual temporada, o atacante Neymar foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-17. O técnico Lucho Nizzo convocou nesta segunda-feira, na sede da CBF, os jogadores que disputarão o Sul-Americano em Iquique, no Chile, de 17 de abril a 9 de maio.

Além de Neymar, mais duas promessas foram convocadas para a competição. O santista Elivélton e o vascaíno Phillipe Coutinho vestirão a camisa verde e amarela no Sul-Americano.

Recentemente Elivélton trocou o Corinthians pelo Santos, mas a negociação não foi muito amigável. O acordo entre o pai de Elivelton e o Santos, não agradou ao presidente do Corinthians, Andrés Sanches, que pretende dar o troco no clube da Baixada. Além de Sanches, a negociação também irritou o empresário Wagner Ribeiro, que gerenciava a carreira do atleta.

Já Phillipe Coutinho já acertou com a Inter de Milão. O jogador só espera completar 18 anos para enfim realizar o sonho de atuar no futebol europeu.

A apresentação dos atletas está marcada para 30 de março, no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. De lá, a delegação segue para a Granja Comary, em Teresópolis, onde treina até o dia 14 de abril, data da viagem para o Chile.

Na competição, o Brasil estréia contra o Paraguai, no dia 17 de abril. O duelo seguinte é contra o Peru no dia 20. Na seqüência, a Seleção enfrentará a Colômbia, no dia 23, e a Bolívia no dia 29 de abril. A fase final será disputada nos dias 3, 5 e 9 de maio.

Confira a lista de convocados:

Goleiros: Luís Guilherme (Botafogo) e Alisson (Internacional)
Zagueiros: Gerson (Grêmio), Sidimar (Atlético-MG), Maurício (São Paulo) e Leonardo (Internacional)
Laterais: Crystian (Villa Nova), Jefferson (Sãoi Paulo), Romário (Vitória) e Dodô (Corinthians)
Meio-campistas: Elivélton (Santos), Fernando (Grêmio), João Pedro (Atlético-MG), Wellington (Fluminense), Coutinho (Vasco) e Zezinho (Juventude)
Atacantes: Neymar (Santos), Willen (Vasco), Felipe (Inter) e Marcelo (Atlético-PR)

domingo, 22 de março de 2009

Xodó do Sport quase parou no Flamengo

Dassler Marques

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Principal revelação do Sport nos últimos tempos, o atacante Ciro, 19 anos, quase foi parar em outro clube rubro-negro na sua adolescência. Natural de Salgueiro, interior de Pernambuco, o jogador brilhou em uma peneira promovida pela cantora baiana Daniela Mercury e foi selecionado para atuar nas categorias de base do Flamengo.

"Com toda a história de tráfico e de violência, fiquei com medo de deixar o Ciro ir morar sozinho no Rio de Janeiro. A psicóloga do clube ainda ficou uma semana inteira tentando me convencer, mas resolvemos por mantê-lo em Salgueiro", conta Carlos Augusto da Silva, pai de Ciro.

Segundo o pai do jogador, Ciro se destacou em uma peneira para 250 garotos, em que quatro já possuíam destino certo: Cruzeiro, Atlético-PR, Vitória e Flamengo, que seria o destino de seu filho, o terceiro melhor colocado na seleção. "Eu era muito novo e acho que a melhor decisão", afirma o jovem centroavante do Sport, artilheiro do clube na temporada.

A carreira de Ciro só viria a deslanchar anos depois, quando chegou mais velho aos juniores do Sport e foi artilheiro do Campeonato Pernambucano Sub-20, em 2008, com 34 gols em 29 partidas, abrindo espaço para sua chegada aos profissionais do clube no segundo semestre também do último ano.

sábado, 21 de março de 2009

Pupilo de R$ 40 mi recebe tratamento especial do Sport

Dassler Marques

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Desde que fez sua estréia entre os profissionais, já de forma marcante, fazendo um gol e sofrendo um pênalti contra o Ipatinga no último Campeonato Brasileiro, Ciro recebe tratamento especial na Ilha do Retiro. Da direção do Sport, para não perder o jogador constantemente assediado, e do treinador Nelsinho Baptista, que percebeu ter em mãos um talento diferenciadom, que tem uma multa rescisória de R$ 40 milhões.

"Quando eu fiz seis meses aqui no Sport, já comecei a observá-lo no Campeonato Pernambucano Sub-20 e o chamamos para treinar entre os profissionais. E aí ele começou a mostrar uma ousadia diferente, uma personalidade, uma finalização muito boa. É um artilheiro e começou dessa forma, fazendo gol. E foi crescendo", testemunha Nelsinho.

Apesar do início impactante que Ciro provocou no Sport, Nelsinho teve rédeas curtas com o prodígio, apesar da forte pressão da imprensa e da direção para escalá-lo como titular já no ano passado. Embora talentoso, o jogador ainda era muito jovem e apresentava uma característica curiosa: fragilidade emocional. Em sua estréia, por exemplo, deixou o campo chorando copiosamente de emoção pelos aplausos da torcida.

"Esse lado é de um garoto que é torcedor do Sport. Então a torcida gritou o nome dele, foi normal se emocionar. Até porque ele é um garoto muito simples", explica Nelsinho, que aos poucos foi integrando Ciro ao time titular, condição que ele mantém ao longo de quase toda a temporada, inclusive nos dois jogos do clube na Copa Libertadores.

Para o treinador do Sport, Ciro já evolui a ponto de ganhar muita confiança, tanto a dele próprio quanto a dos companheiros, e vai amadurecendo. "Sabíamos que não poderia usar ele logo 100%. Ainda tinha que ser trabalhado e ele foi entrando nas partidas, fazendo gols e crescendo. Hoje já está em um estágio bem diferente, tanto que tem demonstrado muita atitude dentro de campo e é o artilheiro do time", destaca.

Os assédios por Ciro

Assim que fez seu primeiro gol já na estréia, Ciro recebeu um forte assédio de empresários interessados em tirá-lo da Ilha do Retiro. Como tinha um salário muito baixo e uma multa contratual insignificante, a direção precisou correr para não perder o jogador por uma quantia risível. Segundo conta a direção do Sport, um empresário teria pago R$ 40 mil aos familiares do jogador para se tornar seu representante, mas foi possível reverter o negócio.

"São muitas especulações por ele. Muitos contatos telefônicos, empresários, agentes com credencial da Fifa. Mas nunca recebemos nada por escrito", explica Sílvio Guimarães, presidente do Sport.

A partir disso, o clube teve duas renovações com o jogador, que inicialmente viu seu salário dobrar 650% e depois mais 300% no segundo acordo. Com isso, o contrato atual vai até agosto de 2013 e a multa rescisória subiu até R$ 20 milhões para clubes brasileiros. Ou o dobro para o exterior.

Ciro, que ainda tem contrato com uma conceituada empresa para cuidar de sua imagem, é a "galinha dos ovos de ouro" do Sport, que projeta faturar alto. "Esperamos o sucesso dele, que vai valer muito mais que essa rescisão", prevê o presidente do Sport, que segue vendo seu jogador mais promissor receber o assédio de interessados.

"Nesta semana mesmo, uma pessoa ligada ao Werder Bremen ligou para ele, mas o Ciro é muito tranqüilo, só quer saber de trabalhar e crescer", conta o pai, Carlos Augusto da Silva, que afastou as especulações de perto do seu pupilo. "Ele tem é que se preocupar em jogar futebol", afirma. Isso, o filho vem fazendo muito bem.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Meu filho é um Kaká, diz pai de Ciro

Dassler Marques

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Predestinado e abençoado. Os adjetivos que Carlos Augusto da Silva utiliza para falar sobre o filho Ciro, atacante sensação do Sport, normalmente giram em torno disso. Radialista no interior de Pernambucano, ele esteve ligado ao futebol em toda a sua vida e sempre teve certeza que via crescer, ao seu lado, um futuro craque do futebol brasileiro.

"Gostei de bola em toda a minha vida e quando saía para minhas peladas, ele sempre chorava para ir também. Como eu ia jogar futsal e a bola era muito pesada naquele tempo, eu não deixava, pois poderia machucá-lo e ele era franzino demais. Mas o tempo foi passando e não tinha como eu não deixar, até porque ele chorava muito, ficava bravo. Batia o pé mesmo. Então sempre achei que ele era um garoto diferenciado, mas eu não falava. Como eu era o pai dele, iam achar que era só por isso", conta Carlos.

Com o tempo, Ciro foi saindo debaixo da saia dos pais e caminhou para se transformar em um jogador profissional. Em sua cidade natal, Salgueiro, no sertão de Pernambuco, conseguiu destaque em meio a 250 garotos. Segundo conta o pai do garoto, a cantora Daniela Mercury promoveu uma peneira para escolher quatro nomes que já tinham destino certo: cada um iria para clube, entre Cruzeiro, Flamengo, Atlético-PR e Vitória. Ciro foi o terceiro colocado na escolha entre as dezenas de avaliados, mas a família não permitiu que ele se mudasse para o Rio de Janeiro.

A ligação do futebol com o seu destino, porém, já estava determinada. O garoto foi jogar no Salgueiro, clube de sua cidade, e se destacou entre os juniores. "O pessoal dizia que as categorias de base só davam prejuízo e resolveram acabar com a equipe. Mas o Ciro sempre se saía bem nos jogos contra o Sport e, quando me deram a liberação, me juntei com um compadre e o levei para lá", conta o pai.

Ciro, que já chegou ao Sport fazendo muitos gols, precisou tomar uma decisão importante em sua vida. Como era muito novo, pediu ao pai que pudesse interromper os estudos por dois para se dedicar de verdade ao futebol.

"Concordamos com isso e se não desse certo, ele voltava para a escola. Mas com três meses em Recife, o clube já assinou contrato profissional com ele, que passou a ganhar um salário mínimo", explica Carlos, como quem acredita ter tomado a decisão correta. Hoje, seu filho tem a multa rescisória avaliada em R$ 40 milhões para clubes do exterior.

Apesar de tanta badalação, ele vê Ciro tranqüilo e pronto para continuar crescendo. Apesar de seu talento, a explicação é outra: a família. "Sou o cara mais rico do mundo. Não de dinheiro, mas por ter uma família estruturada. Meu filho é o menino que liga todos os dias para pedir a benção da mãe pela manhã e põe o salário todo nas mãos dos pais. Não usa tatuagem, não usa brinco e tem Deus no coração. É um Kaká da vida", se vangloria Carlos, cuja família é toda católica.

Ciro, que demonstra habilidade e oportunismo em campo, também já driblou muito os pais quando era criança. "Quando meu filho estava ruim de notas, eu contratava professores particulares e então perguntava a ele se tinha tirado as dúvidas todas. Ele dizia que sim, mas quando eu ia pagar os professores, eles diziam que o Ciro nem tinha aparecido, só queria saber de jogar bola. Aliás, nunca vi um menino para machucar tanto a cabeça do dedão, sempre íamos parar no pronto socorro", se diverte o pai, que deixou a família em Salgueiro e foi morar em Recife, a mais de 500 km de distância. Tudo só para ficar ao lado de seu rebento.

"Moramos em um flat em Boa Viagem. Ele é um rapaz tranqüilo, não é de arrumar muitas namoradas. Primeiro tem que construir uma vida sólida e se estruturar. Mas ele é um garoto muito vaidoso e sempre tem as cocotinhas", brinca o pai. Segundo ele, o hobby de Ciro é ficar navegando na internet e vendo lances de Cristiano Ronaldo. Seguindo como está, cada vez mais o goleador do Sport poderá ver seus próprios gols na rede mundial de computadores.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Sport encontra maior talento desde Juninho Pernambuco

Dassler Marques

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Em uma entrevista concedida a torcedores famosos e anônimos, Dunga surpreendeu. Questionado pela cantora Cláudia Leitte sobre quando o Brasil veria um jogador do Nordeste na Seleção, o treinador não pestanejou em indicar um candidato. "O Sport tem um atacante muito bom, um menino. O Ciro", respondeu, ratificando as qualidades do artilheiro do clube pernambucano na temporada.

Ciro, 19 anos, tem despertado não só a atenção de Dunga pelo que faz no Sport em 2009. Elevado à condição de titular pelo treinador Nelsinho Baptista já no início do ano, o jovem, 19 anos, fez 12 gols em 16 partidas e não deu chances a concorrentes experientes.Se há dúvidas quanto ao nível técnico do estadual, o atacante também brilhou em um torneio de alto nível. Na estréia da Copa Libertadores, em Santiago, foi o melhor em campo contra o Colo Colo, fazendo o primeiro gol da vitória por 2 a 1.

"O Ciro é a maior revelação do Sport desde o Juninho Pernambucano. Tem uma multa rescisória (R$ 40 milhões para clubes estrangeiros) que anuncia um jogador em evolução e que está fazendo muitos gols", elogia Sílvio Guimarães, presidente do Sport.

A intimidade com o gol, aliás, é o maior cartão de visitas de Ciro, mais um atacante jovem que se anuncia como revelação para a Copa de 2014. Contratado para a categoria júnior do Sport, rapidamente mostrou seu faro goleador. No Campeonato Pernambucano Sub-20 de 2008, impressionou os rubro-negros com a marca de 34 gols em 29 partidas, começando a chamar a atenção do experiente técnico Nelsinho Baptista, que o integrou aos profissionais rapidamente.

Em 31 de julho passado, na 16ª rodada do Campeonato Brasileiro contra o Ipatinga, a vida de Ciro começou a sair dos contos de fadas para a realidade. Lançado a campo por Nelsinho aos 19min do segundo tempo, o garoto resolveu um jogo enroscado. Em uma jogada, recebeu o passe, deu dois cortes no zagueiro adversário e sofreu um pênalti, convertido por Luciano Henrique. A partida ficou em 2 a 1 e, no fim, Ciro fez o seu, em um lindíssimo chute cruzado. Deixou o campo chorando, com o nome gritado pelos torcedores. Uma noite inesquecível aos presentes na Ilha do Retiro

Desde então, Ciro não parou de crescer. Fez outros três gols na temporada e só não conquistou a titularidade em razão dos cuidados providenciais de Nelsinho Baptista. Em dezembro, foi vice-campeão brasileiro Sub-20, em Porto Alegre, e começou o ano como titular, condição que só perdeu no clássico contra o Santa Cruz. Deixado no banco por Nelsinho, porém, entrou em campo e fez o único gol do Sport, com outro lindo chute de longe. Não saiu mais da equipe.

"Tudo tem dado certo desde minha estréia, tem acontecido da melhor maneira", diz o pacato Ciro, que agradece a atenção que recebe de Nelsinho Baptista. ¿Tudo que tenho conseguido é por causa dele e dos companheiros. Agradeço muito a Deus por trabalhar com um excelente profissional como ele. Se depender de nós dois, continuarei muito bem" afirma o jogador em entrevista exclusiva ao Terra .

Nelsinho, que foi campeão da Copa do Brasil com o Sport e tem contrato assegurado até o fim de 2010, também recebe elogios de Carlos Augusto da Silva, pai de Ciro. "Deus nos abençoou e o colocou no caminho. É um treinador que já trabalhou com Kaká, Fábio Simplício, Júlio Baptista, Dentinho e Lulinha. Sabe como lidar com os garotos. Ele viu o meu filho fazendo tantos gols, jogando em um sol escaldante nos juniores, e entendeu que ele só podia ser mesmo diferenciado", elogia.

Como mostram os muitos gols que Ciro tem feito, sua maior virtude é o faro de goleador, a potência física e a técnica para encarar os zagueiros, além da frieza na frente do goleiro adversário. "Ele é um artilheiro. Dificilmente desperdiça uma chance de gol e se tiver oportunidade, ele faz", explica Nelsinho Baptista.

Embora seja centroavante de ofício, o garoto do Sport é fã de Cristiano Ronaldo. "Desde que ele jogava no Sporting", garante o pai, que conta uma história imperdível. "Uma vez houve um concurso para garotos entre 10 e 17 anos, para ver quem dava o melhor drible elástico. Os meninos jogavam, mas não conseguiam executar o drible. Então o Ciro disse que podia fazer. Eu não queria deixar, mas ele falou que sabia. Na primeira chance, ele deixou o menino sentado. Mas ele tinha só oito anos!" conta Carlos, todo orgulhoso.

Depois de a organização descobrir que Ciro não se enquadrava nos critérios do concurso, pois só tinha oito anos, resolveram dar o troféu para outro garoto. O clamor para dar o prêmio ao gurizinho era tão grande que resolveram abrir uma exceção. "Compraram mais um troféu para dar ao meu filho", se diverte o pai.

Mesmo avaliado em R$ 40 milhões e sondado por Dunga, Ciro pensa longe. Perguntado sobre seus objetivos, ele vai além do futebol. "É me preparar para ter uma estabilidade de vida quando terminar a carreira", conta, já aos 19 anos, como um veterano. Sobre a Seleção, o ídolo do Sport não se ilude. "Não posso perder o foco. É claro que fiquei feliz, mas já passou. É continuar trabalhando", afirma, como quem ainda tem muitos goleiros para bater no futuro.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ligas dos EUA podem ser modelo para futebol brasileiro

Dassler Marques

http://esportes.terra.com.br/interna/0,,OI3634037-EI1832,00-Ligas+dos+EUA+podem+ser+modelo+para+futebol+brasileiro.html

Apesar de não ter sido aceita, a oferta de 100 milhões de libras (cerca de R$ 335 milhões) do Manchester City por Kaká pode ser considerada um marco na história do futebol. Afinal, a quantia oferecida pelo meia brasileiro é mais que o dobro do maior negócio de todos os tempos, a ida de Zidane da Juventus ao Real Madrid.

A possibilidade de ver a possível venda de Kaká por valores exorbitantes inflacionar o mercado de transferências abriu os olhos das autoridades esportivas mais uma vez e gerou protestos de Mohamed Al Fayed, proprietário do Fulham, também da Inglaterra. O combate a essa situação de "bola de neve" é uma das características do modelo de administração das ligas norte-americanas de ponta, em especial a NBA, a NFL e a MLB. Aqui, apresentamos a quarta e penúltima reportagem da série que o Terra publica nesta semana sobre a viabilidade financeira do futebol brasileiro: o modelo das ligas profissionais americanas e por que ele funciona.

A tradicional alta expectativa por resultados esportivos de ponta, por títulos e por grandes contratações norteiam o futebol e geram um movimento que, segundo especialistas, tornam esse esporte, salvo controles rígidos, uma atividade que financeiramente sempre será inviável. Ou seja, por mais que os clubes encontrem novas fontes de receita e aumentem seus faturamentos de forma contínua, sempre fecharão no vermelho porque o preços por jogadores aumentarão em proporções maiores.

"Se você analisar friamente, a tendência é essa mesmo: quanto mais fatura-se, mais gasta-se. Para evitar essa contradição, alguns controles poderiam ser feitos para que tivéssemos uma liga forte e uma troca de informações entre os clubes. Hoje, chegamos a casos extremos que causaram distorções", destaca Paulo Velasco, especializado em gestão esportiva e com passagem pela Juventus.

Imposição de limites

O controle sobre gastos com salários é rígido na NBA e na NFL. Por lá, a organização impõe um teto que impede o escalonamento da inflação sobre os investimentos e mantém a saúde financeira do negócio. Na liga de basquete, por exemplo, os clubes precisam de muita competência e planejamento para montar elencos fortes sem ultrapassar a casa dos U$ 71 milhões, limite imposto pela organização para a temporada 2008/09. Ultrapassar essas estimativas significa ter de pagar a mais em impostos para a própria liga, o que já é um mecanismo para impedir grandes disparidades, ainda que normalmente não se pague pela transferência de um jogador.

Os limites impostos pela organização da NBA exigem habilidade grande para as equipes na hora de planejar o ano. Um exemplo claro na atual temporada é o Dallas Mavericks, que gasta mais de U$ 90 milhões em salários por um elenco que dificilmente terá força para brigar pelo título. Apenas com Erick Dampier e Jason Kidd, os Mavs gastam um terço da folha, e ainda precisam pagar taxas para a liga por ultrapassar o teto previsto.

Outra franquia localizada no estado do Texas, o San Antonio Spurs, dá aula aos rivais. Para manter o elenco de Tim Duncan e Tony Parker, gastam US$ 25 milhões de dólares a menos e, ainda assim, venceram três dos últimos seis títulos da NBA. Tudo isso dentro de uma visão equilibrada de administração do campeonato como um todo.

"As ligas têm mão de ferro, são administradas como um negócio. Mas há diferenças: os direitos de televisão são coletivos e o último e o primeiro recebem o mesmo. Imagine o que seria se o Flamengo e o Ipatinga recebessem os mesmos valores", compara Amir Sommogi, da Casual Auditores, especializada em gestão esportiva. Em 2009, o Fla receberá R$ 21 milhões pela transmissão do Campeonato Brasileiro na televisão aberta - praticamente o dobro que arrecadará o Vitória, por exemplo.

O exemplo do beisebol

O beisebol da MLB, vale frisar, gira em torno de outra linha de raciocínio, em que a força do New York Yankees se faz presente e quebra qualquer tipo de controle da liga. Para manter um elenco estelar, a franquia NY Yankees gasta algo em torno de US$ 200 milhões em salários por temporada - o que já é quase metade das suas receitas.

"Os Yankees gastam, tem prejuízo, mas terão um estádio novo e crescerão muito. A perspectiva de faturamento anual aumentará em US$ 100 milhões. A conta é paga com a exploração do negócio", aponta Amir, indicando que com a casa nova, o clube de Nova York assumiu dívidas que vão se tornar receitas no futuro.

A mão de ferro das organizadores das ligas americanas, impondo tetos e outras restrições, não compromete o brilho dos esportes por lá. Muito pelo contrário, como mostram os números. Embora o futebol seja o esporte mais popular do mundo, apenas a Premier League - nome original do Campeonato Inglês - está entre as quatro ligas esportivas com o maior faturamento no mundo. Adivinhe quais são as outras três? MLB (Major League Baseball), NBA (National Basketball Association) e NFL (National Football League) - todas dos Estados Unidos.

E a NFL, aliás, com US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões), arrecada perto do dobro que a primeira divisão do futebol inglês, que leva US$ 3,6 bilhões (R$ 8,3 bilhões). O que prova, numericamente, que os americanos estão à frente dos demais em negócio. "A grande diferença é que lá a administração não visa poder político, mas sim financeiro", destaca José Carlos Brunoro, especializado em marketing esportivo.

Parte de toda essa imensidão de lucros se deve ao inigualável poder de marketing dos esportes norte-americanos. Em tempos em que Corinthians e Palmeiras começam a se mobilizar para transformar um dos maiLigas dos EUA podem ser modelo para futebol brasileiro

domingo, 15 de março de 2009

Lula lança projeto de segurança e conforto nos estádios

http://www.futebolinterior.com.br/news.php?id_news=74536


Brasília, DF, 13 ( AFI) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Esporte, Orlando Silva, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, lançaram nesta sexta-feira, o projeto Torcida Legal – medidas para segurança e conforto dos torcedores. A iniciativa é um pacote de três ações que valorizam o futebol como patrimônio cultural e qualificam o Brasil para a preparação da Copa do Mundo de 2014.

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O Torcida Legal, segundo o ministro Orlando Silva, surgiu do diálogo com o Ministério da Justiça, Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG).

“Nós acreditamos que o ambiente que se cria no país, a expectativa da realização do maior evento do planeta, que é a Copa do Mundo em 2014 no Brasil, deve nos motivar a interferir em vários planos”. Silva afirmou que é preciso aproveitar a mobilização nacional para mudar o ambiente social, a cultura e o comportamento que existe em torno do futebol. Por isso, a primeira dessas medidas é o projeto de lei que será encaminhado ao Congresso Nacional, tipificando criminalmente uma série de condutas que atrapalham nosso futebol.

“É inadmissível que nós continuemos a assistir conflitos e brigas em estádios que muitas vezes têm levado a ceifar vidas”, disse o ministro.

Atitudes violentas da torcida e fraudes em resultados de jogos serão considerados crimes passíveis de punição. Um torcedor que promover tumulto, praticar atos de violência ou portar instrumentos perigosos em eventos esportivos, por exemplo, pode pegar de um a dois anos de reclusão e multa. Caso o réu seja primário, o juiz converterá as penas de prisão em banimento dos estádios por um prazo de três meses a três anos.

Além disso, incorre em conduta criminosa a pessoa que aceitar ou prometer vantagem para fraudar o placar dos jogos. Outro crime tipificado pelo projeto é a venda irregular de ingressos, conhecida como cambismo.

Outra questão abordada pelo Torcida Legal é a estrutura dos estádios. O presidente Lula assinou um decreto que regulamenta o artigo 23 do Estatuto de Defesa do Torcedor, determinando a exigencia de quatro laudos para o funcionamento das arenas: de segurança, de proteção contra incêndio, de condições sanitárias e de engenharia. O ministro falou da necessidade da unificação dos laudos.

“Ocorre que hoje não há um padrão, não há um laudo que exija detalhamento. Muitas vezes observamos a precariedade dessas informações. Ainda introduzimos a exigência de um quarto laudo, que é o de engenharia, para apurar a situação da infra-estrutura, de modo a garantir seguran&c cedil;a e conforto dos nossos torcedores”, afirmou.

A terceira medida que integra o Torcida Legal é a assinatura de um Termo de Cooperação entre os ministérios do Esporte e da Justiça, CBF, CNJ e CNPG. A ação vai facilitar o controle de acesso e monitoramento de torcedores, de modo que aqueles que cometerem infrações sejam identificados e punidos. Para facilitar a identificação dos torcedores, o Ministério do Esporte vai criar um sistema nacional de cadastro de torcedores, que vai exigir o uso de uma carteirinha na compra do ingresso e entrada na arena.

O sistema de controle do acesso e monitoramento por câmeras estarão implantados nos estádios brasileiros no inicio do Campeonato Brasileiro de 2010. Mas o cadastramento dos torcedores começa em julho deste ano. “Não há tempo limite e a qualquer momento ele será feito. Nós queremos buscar boas práticas, boas experiências. Essas medidas vão ajudar muito para acabar com o anonimato e punir os responsáveis pelo tumulto”, ressalta Orlando Silva. O presidente Lula afirmou que as medidas são favoráveis aos torcedores.

“Se ele souber que está sendo monitorado, e que se ele cometer uma arte qualquer, alguém vai estar olhando ele, alguém vai identificá-lo e alguém vai pegá-lo na porta do estádio, a gente pode colocar todo mundo junto”, concluiu.

sábado, 14 de março de 2009

Clubes no vermelho e crise brecam avanço do futebol no Brasil

Dassler Marques

http://esportes.terra.com.br/interna/0,,OI3631915-EI1832,00-Clubes+no+vermelho+e+crise+brecam+avanco+do+futebol+no+Brasil.html


"Se não fosse o passivo que encontrei aqui e a falta de um patrocínio master por causa da crise, não fecharíamos essa temporada no prejuízo". A afirmação do presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, une três situações convergentes ao futebol brasileiro atual.

Administrações mal sucedidas, a cultura de que os clubes nunca saem do vermelho em balanço e o impacto da crise econômica são, juntas, inimigas íntimas da falta de sustentabilidade financeira que ainda persegue os grandes clubes do Brasil. Todas elas são objetos de análise nesta terceira reportagem da série feita pelo Terra sobre a viabilidade financeira do futebol.

Ainda que Internacional, Grêmio, São Paulo e Corinthians avancem na busca por novas receitas além das convenientes, que normalmente passam pela venda de jogadores, o cenário como um todo ainda é refém do tripé das fontes de faturamento chamadas de ordinárias: direitos de televisão, patrocínios e renda de bilheteria. Sem criatividade, a conta "não fecha" e a cultura de que o futebol sempre dá prejuízo se dissemina.

Como perder e ganhar dinheiro

Apenas em 2007, por exemplo, o Fluminense apresentou déficit em balanço de R$ 139 milhões e tem dívidas avaliadas em cerca de 90% de seu patrimônio, ainda que siga contratando jogadores caros, com o apoio da Unimed, como Thiago Neves e Fred. Juntos, os dois representam aproximadamente R$ 600 mil mensais na folha salarial do clube. O valor é praticamente a metade do que o Botafogo paga a todo o seu elenco e comissão técnica, campeões da Taça Guanabara.

"Há uma tendência permanente de gastos. O negócio é você tentar lucrar em um ano sim e no outro não, para ter um equilíbrio. No Brasil, ganhar dinheiro com futebol é utópico, pois nossos clubes assumem compromissos pesados. Aí, você não pode aumentar o ingresso, pois o poder do povo é baixo. As outras receitas são bem mais baixas que na Europa, mas os salários são altos. Além disso, a imprensa quer clubes bem administrados, mas quer times formidáveis. É preciso uma avaliação rigorosa de tudo", detalha o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do Palmeiras.

A falta de recursos para gerir o futebol com responsabilidade passa, também, pela falta de ousadia, organização e criatividade. Enquanto a dupla Gre-Nal caminha de maneira organizada com os programas de sócio-torcedor e o Corinthians teve o maior faturamento com marketing entre os clubes do País em 2008, rivais como Vasco e Atlético-MG ainda se estruturam internamente para tentar explorar o potencial que têm após fracassos em administrações passadas.

De acordo com um estudo de Amir Sommogi, da Casual Auditores, e responsável por estudos sobre a gestão do futebol brasileiro, os 20 clubes da Série A poderiam gerar, entre 2009 e 2013, cerca de R$ 1 bilhão em novas receitas. "Analisando clube a clube, chegamos a esse valor. É possível arrecadar R$ 360 milhões em explorações da marca, R$ 280 milhões em projetos de mídia e R$ 320 milhões em maximização dos estádios. Esse projeto contempla os valores atuais e tem seu crescimento centrado em novas mídias", explica.

Um exemplo desse novo raciocínio foi a série de parcerias anunciada pelo São Paulo no último mês de fevereiro. O clube deve arrecadar aproximadamente R$ 20 milhões com a cessão de espaços do Morumbi para cinco parceiros diferentes, dos quais R$ 12 milhões serão líquidos para os cofres. "Foi o maior avanço dos últimos anos e isso vai contaminar os outros clubes", opina Paulo Velasco, publicitário especializado em gestão do futebol, que cita outros territórios ainda inexplorados.

"Na Europa, os clubes têm 50 parceiros comerciais em vez de três. Isso é um mercado gigante e que vinha sendo subutilizado, mas já começou a ser melhor visto. O Palmeiras já trabalha com vários parceiros comerciais, como têm Milan e Juventus. Isso gera negócios e visibilidade. O Brasil tem um mercado publicitário grande, uma economia de porte", explica Velasco. Internacional, que vende setores do Beira-Rio para torcedores, e o Palmeiras, que prevê um crescimento com a construção da Arena Palestra, são outros casos. "Nos primeiros cinco anos, projetamos algo em torno de R$ 15 milhões em receitas", afirma Belluzzo.

Estrutura política viciada e a comodidade nos balanços

Leonardo, que trabalha na direção do Milan, diz que o Brasil tem todos os mecanismos necessários e o conhecimento para tornar o futebol nacional um produto muito mais forte. Para ele, o problema é a falta de vontade política.

Sempre especulado como um possível presidente para o Flamengo, seu clube do coração, ele sabe que é difícil provocar grandes mudanças em um cenário que já teve Alberto Dualib, Eurico Miranda, Mário Celso Petraglia, Ricardo Guimarães, Mustafá Contursi e Edmundo Santos Silva, entre tantos outros dirigentes que durante muitos anos atrasaram o andamento dos clubes que dirigiram e só fizeram dívidas acumularem.

"Não fosse a bolha do passado, com gestões amadoras e deficitárias, o futebol brasileiro seria superavitário atualmente. Com as receitas que possuímos hoje e com a qualificação dos gestores, não tenho dúvida disso", aponta Rodrigo Caetano, diretor de futebol remunerado do Vasco e que participou da recuperação do Grêmio a partir de 2005.

Quem também critica a herança maldita de gestões passadas é Alexandre Kalil, eleito presidente do Atlético-MG no último ano, e que assumiu um clube recheado por dívidas, especialmente, das administrações de Paulo Cury e Ricardo Guimarães. "Isso é fruto de problemas de gestão, de negócios mal feitos, de jogadores que recebiam salários fora do comum. E que o futebol brasileiro não perdoa", explica Kalil, que hoje tem 15 dos 24 jogadores já utilizados por Emerson Leão, em 2009, formados no próprio clube.

É do passado que vem a cultura de que balanço financeiro azul, no futebol, é impossível. Mas, em 2007, o Internacional teve lucro, bem como o São Paulo em 2005, 2006 e 2007, e o Cruzeiro em 2005 e 2006. Ainda que as receitas que motivaram esses superávits tenham vindo da venda de jogadores para o exterior, ficou provado que é possível equilibrar as contas, achar novas fontes de receita e, inclusive, ganhar títulos. Afinal, nas temporadas em que tiveram lucro, são-paulinos e colorados levantaram a taça do Mundial de Clubes.

"Os clubes não foram feitos para faturar e sim para ganhar títulos. Mas para isso tem que ter dinheiro, pagar jogadores e dar estrutura. O fato de estarem muitas vezes no vermelho é por serem mal administrados. Fazer um planejamento financeiro é obrigação e normalmente estão acostumados em resolver os problemas econômicos quando vendem para o exterior", aponta o empresário Wagner Ribeiro, em uma equação entre títulos e sustentabilidade financeira que poucos têm conseguido atingir.

Os efeitos da crise

A crise financeira mundial chegou ao futebol brasileiro e atacou diretamente em duas das principais fontes de receita dos grandes clubes. A venda de jogadores e a dificuldade com patrocínios de camisa foram afetadas e colocaram à prova a criatividade para a busca de novas alternativas pelo equilíbrio em orçamento.

Apesar de transcorridos mais de dois meses da temporada, seis dos 20 clubes que disputam a Série A em 2009 não fecharam os patrocinadores de camisa. São eles: Atlético-MG, Cruzeiro, Atlético-PR, Náutico, Vitória e Corinthians, que nem mesmo com a vinda de Ronaldo fechou um acordo. Em 2008, apenas o Coritiba não tinha marca estampada. Já o São Paulo, por exemplo, teve suas expectativas frustradas graças à crise e optou por renovar com a LG por praticamente o mesmo valor do contrato anterior.

Embora não seja uma receita considerada ordinária, a venda de jogadores tem uma importância enorme no orçamento dos clubes brasileiros. Não à toa, foram 1.176 atletas que se transferiram do Brasil para o exterior ao longo do último ano. Entre grandes negociações, porém, as únicas vendas significativas na última janela de transferências foram as de Alex, do Inter ao Spartak de Moscou, e Guilherme, do Cruzeiro ao Dínamo de Kiev.

"Estou no futebol desde 1996 e posso dizer que foi a pior janela que vi desde então. Não fechei com nenhum jogador, apenas empregamos alguns e fechamos contratos com jogadores que apareceram na Copa São Paulo", afirma o empresário Wagner Ribeiro.

Salvo uma grande injeção de capital dos clubes europeus no meio do ano, pouco provável sob o atual cenário, os grandes brasileiros precisarão de criatividade para vencer os dois obstáculos e fechar os balanços de 2009 em azul.

"É fácil vender um jogador e cobrir as contas. Agora precisamos pensar em outras formas, pois não é toda hora que se consegue isso", explica José Carlos Brunoro, especializado em gestão esportiva e lembrado por sua atuação com a Parmalat à frente do Palmeiras, que aponta a profissionalização dos departamentos de marketing e comercial dos clubes como algo a ser feito.

"Temos criado no Brasil uma série de receitas que antes não eram levadas em consideração. É possível revitalizar um estádio, criar expectativas de aumento do que o torcedor gasta quando vai ao jogo, patrocínios em segmentos além das camisas, parcerias de empresas e veículos. É possível criar várias situações que não são da venda de jogadores", indica Brunoro.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Mecenas bancam grandes europeus, mas Espanha pode ser modelo

Dassler Marques

http://esportes.terra.com.br/interna/0,,OI3630332-EI1832,00-Mecenas+bancam+grandes+europeus+mas+Espanha+pode+ser+modelo.html

Após o início na última quarta-feira, a série de cinco reportagens diárias sobre a viabilidade financeira do futebol, em sua segunda parte, mostra os principais formatos de administração dos clubes europeus de ponta e, principalmente, o que ser aplicado no futebol brasileiro.

Manchester United, Milan, Liverpool, Inter de Milão, Juventus, Chelsea, Fenerbahce, Shakhtar Donetsk e CSKA Moscou. O que todos esses clubes europeus têm em comum? Se você respondeu elencos estelares, estádios sempre cheios, muitos títulos e grandes faturamentos, não errou. Mas faltou um detalhe importante: há, por trás de todos eles, um dono pagando a conta por tudo isso.

O modelo não é comum a todos os clubes europeus, mas especialmente em Itália e Inglaterra e os gigantes do Leste Europeu, a forma comum de administração é essa - o México, que tem a liga economicamente mais forte da América Latina, é outro caso. Apesar dos altos rendimentos em patrocínios, exploração de mídia, direitos de televisão e marketing, a grandeza é completada pelos investimentos particulares.

"Os clubes grandes na Itália sobrevivem porque recebem injeção financeira por parte do proprietário. O dono sempre entra com dinheiro para concluir a operação", explica Leonardo, diretor do Milan. E foi a partir desse modelo, abrindo as portas para grandes investidores, que o Campeonato Inglês saiu das cinzas e se transformou na terceira liga esportiva em faturamento do planeta, com US$ 5,5 bilhões (cerca de R$ 13,1 bi), ultrapassando a NBA.

Graças aos investidores que adquiriram os clubes, hoje o Inglês tem dez equipes entre as 30 que mais faturam em todo o planeta e pode pagar, aproximadamente, 1,4 bilhões de euros (R$ 4,2 bilhões) em salários para seus jogadores - na Itália, paga-se pouco mais que a metade desse valor. O sucesso fora de campo também fideliza os torcedores no país que inventou o futebol. Na última temporada, os estádios da primeira divisão por lá tiveram 93% de taxa de ocupação. Números que permitem aos ingleses receber o título de principal liga do futebol.

Entender as peculiaridades de cada país, porém, é fundamental para traçar um modelo próprio de sucesso para o futebol brasileiro. Na Inglaterra, os investidores e proprietários são de dimensão global, como o emirense Mansur Bin Zayed al Nahyan, do Manchester City, o norte-americano Malcolm Glazer, do Manchester United, e o russo Roman Abramovich, do Chelsea, mas esse quadro é diferente na Itália, por exemplo, onde Silvio Berlusconi e Massimo Moratti, respectivamente, usam Milan e Inter de Milão como caminho para outras aspirações.

"O que ocorre é que o futebol não é o fim, e sim o meio do negócio na Itália. Os grandes empresários italianos têm clubes que funcionam como plataformas. O futebol faz parte disso e de um contexto local, que é assim naturalmente. É uma ferramenta de comunicação, uma vitrine para um grupo maior. Isso causa problemas econômicos e a gestão financeira não é ideal", explica Paulo Velasco, publicitário especializado em gestão do futebol e com passagem pela Juventus.

Berlusconi, primeiro ministro da Itália e o homem por trás do Milan, por exemplo, é ainda o dono da Midiaset, império local de comunicação, e foi eleito pela revista Forbes como o mais rico homem italiano, com uma fortuna aferida em quase U$ 20 bilhões (cerca de R$ 47,5 bilhões).

Espanha é o modelo mais próximo do Brasil

Hoje, a realidade administrativa mais próxima dos clubes brasileiros é a dos espanhóis, onde não há donos e nem o aspecto de empresa, mas se mantém o caráter de instituição esportiva para gigantes como Real Madrid e Barcelona. Tentativas de abrir o Real para investidores, inclusive, já foram rechaçadas com vigor pelos torcedores merengues.

Na Espanha, repartida por rivalidades históricas regionais, cada clube tem sua identidade própria e retrata de maneira fiel a identidade da maioria de seus torcedores. Na capital Madri, por exemplo, o Real se porta como o representante da elite, enquanto o Atlético tem o proletariado como sua identidade. O orgulho catalão é indissociável do Barcelona e implica em todo o seu entorno. Desde o fato de ter o segundo maior quadro de associados do planeta à forma vistosa característica de jogo, pode se dizer que a equipe azul-grená é, como diz o próprio slogan, "mais que um clube".

"O futebol é reflexo da sociedade em cada país e isso ocorre na Espanha, em que passa pelos dois grandes. É um formato interessante, em que há uma alma clara, uma identidade, e o modelo de negócios é reflexo disso", observa Paulo Velasco, lembrando que os clubes espanhóis faturam uma enormidade com produtos licenciados, camisas e carnês antecipados de todos os jogos. Bem distante da realidade brasileira, ainda, com produtos piratas, cambistas e guardadores de carro, por exemplo, agindo com impunidade, tirando receita dos clubes e desvalorizando a imagem particular do produto futebol.

A possibilidade de importar alguns conceitos do modelo de negócios na Espanha não quer dizer que o Brasil não possa formar seu próprio formato para encontrar mais fontes de receitas e tornar o futebol financeiramente mais viável e menos deficitário. "A questão passa por profissionalização, remuneração aos dirigentes e cobranças por resultados. É difícil imaginar, por exemplo, os grandes de São Paulo com proprietários. Mas podem ter uma gestão profissional. Não é copiar e colar o que se faz lá fora, é ver como funciona e ter o zelo de adaptar à nossa realidade", defende Velasco.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Grêmio e Inter dão exemplo na busca por novas receitas

Dassler Marques

http://esportes.terra.com.br/interna/0,,OI3627743-EI1832,00-Gremio+e+Inter+dao+exemplo+na+busca+por+novas+receitas.html

Em uma série de cinco reportagens, publicadas diariamente a partir desta quarta-feira, o Terra analisa a viabilidade financeira do futebol brasileiro, os reflexos que más administrações do passado trazem até os dias de hoje, a busca por novas fontes de receita, os efeitos da crise econômica mundial e a força do País que, embora pentacampeão mundial, movimenta apenas 2% dos cerca de US$ 250 bilhões anuais (R$ 594 bilhões) representados pelo esporte mais popular do planeta.

Mesmo tendo um patrocínio de camisa da LG estimado em R$ 16 milhões pela temporada de 2009, o São Paulo não fecha suas contas no azul e, por isso, mergulha na criação de mecanismos para tirar receitas a partir da otimização de espaços no Morumbi. Com uma arrecadação de cerca de 20% em relação à são-paulina com o mesmo recurso, Internacional e Grêmio vêm esbanjando empenho e criatividade na busca por novas fontes de renda e, assim, têm conseguido solidez financeira.

"Apenas" R$ 3 milhões por temporada desembarcam nas contas do Internacional por meio de patrocínio de camisa, mas mesmo assim tem sido possível manter o clube funcionando em alto nível. Em razão de outras fontes de receita que equilibram a conta, o clube teve a folha salarial mais alta do último Campeonato Brasileiro, com R$ 3,2 milhões mensais.

"A explicação de nosso sucesso é que conseguimos mobilizar a paixão dos torcedores e transformamos isso em recursos. Corinthians e Flamengo têm dezenas de milhões de fãs, mas não refletem isso na arrecadação que têm", afirma Fernando Carvalho, atual vice de futebol e ex-presidente do Inter, que possui mais de 80 mil associados, que trazem um faturamento de mais R$ 3 milhões mensais caindo na conta bancária do clube.

Com um projeto que vem na esteira do sucesso do Inter, o Grêmio se valeu do combustível da rivalidade que divide o Rio Grande do Sul para incrementar cada vez mais números ao orçamento. Ganha, com seus 50 mil sócios, R$ 2,2 milhões mensais. Além disso, tem projetado uma média de público acima do comum. No último Brasileiro, os gremistas, com 31.725 pagantes por jogo, só foram superados pelo Flamengo.

"Hoje, a torcida do Grêmio é uma das mais fiéis e o que nós fizemos foi fidelizar isso. E ela paga em dia", explica César Pacheco, vice de marketing gremista, que equilibra as receitas do clube com base nesse conceito.

"Nosso contrato de patrocínio de camisa é defasado, dá pouco mais de R$ 3 milhões por ano. Mas temos 32 lojas licenciadas e, só pelo licenciamento delas, ganhamos quase R$ 100 mil mensais. Além disso, temos mais de mil produtos licenciados e, por ano, isso nos dá R$ 12 milhões. Temos pesquisas que indicam que o torcedor compra na Grêmio Mania por achar que está nos ajudando", diz Pacheco.

Transformar o torcedor de arquibancada em um sócio presente e que mantém o clube, no entanto, é que é o grande conceito diferente da dupla Gre-Nal para o cenário brasileiro. A partir dessa mudança, não são exclusivamente os valores dos programas de sócio-torcedor que incrementam as fontes de receitas. Em primeiro lugar, o sócio se sente, de fato, parte do clube. Ao contrário, por exemplo, de São Paulo, Corinthians e Fluminense, os sócio-torcedores de Grêmio e Internacional participam das eleições para presidente.

Com a presença ativa da comunidade de torcedores e uma equipe de trabalho funcional, é possível montar bancos de dados detalhados sobre os sócios e, a partir disso, direcionar estratégias que engordam os cofres. "Isso nos dá um poder de negociação enorme com patrocinadores", explica Jorge Avancini, vice de marketing do Internacional. Fernando Carvalho completa. "Hoje, as receitas de marketing e licenciamento de produtos estão entre as principais do clube".

Os reflexos aparecem

O trabalho que é bem feito fora de campo também traz efeitos nos desempenhos esportivos dos dois clubes. No período dos últimos quatro anos, o Grêmio jogou duas edições da Copa Libertadores e o Inter também - cada um chegou a uma decisão. O clube colorado, aliás, ganhou a competição e ainda o Mundial de Clubes e a Copa Sul-Americana. Também desde 2006, os quatro clubes do Rio de Janeiro, por exemplo, só foram três vezes representados na principal competição do continente: duas com o Flamengo e uma com o Fluminense.

Isso naturalmente atrai os interesses pelos bons jogadores projetados pelos dois clubes. Neste ano, por exemplo, Grêmio e Inter foram dois dos poucos a conseguir negociar jogadores: Rafael Carioca, ex-gremista, e Alex, ex-colorado, foram vendidos para o Spartak de Moscou, ajudando no equilíbrio das finanças.

"Vender jogador é uma estratégia correta. O Inter faz isso de forma planejada e normalmente já tem a reposição. É uma receita ordinária para nós e que permite crescimento. Até porque temos uma categoria de base forte e que precisa de espaço. As vendas dão espaço para outros", lembra Fernando Carvalho. Para Alex, por exemplo, a reposição planejada era Taison, artilheiro e destaque do clube no início de temporada. Ano passado, Fernandão se foi e chegou D'Alessandro.

O sucesso do modelo adotado pelos dois clubes grandes gaúchos já atrai a atenção de outros gigantes do futebol brasileiro. Um dos diretores responsáveis pelo processo que levou o Grêmio da segunda divisão para a final da Libertadores, Rodrigo Caetano foi contratado pelo Vasco no início de 2009 com o objetivo de reorganizar todo o clube e levar para São Januário o conceito que deu certo no Olímpico.

"O Vasco precisa urgentemente aumentar o número de associados para ter uma receita a partir disso. Grêmio e Inter levam vantagens por terem ela garantida. Isso é fundamental e quase que necessário para o andamento dos clubes", avalia Caetano, que trabalhou com planejamento do futebol gremista e sabe da importância de uma renda fixa e 100% garantida dentro do balanço financeiro.

Outro a se espelhar no conceito de Grêmio e Inter é o Atlético Paranaense. Dono do atual terceiro maior quadro de sócio-torcedores entre os clubes do País, já ultrapassou a casa dos 20 mil adeptos. "Provavelmente, as receitas de 2008 com os sócios vão passar de R$ 10 milhões e superarão patrocínio e publicidade. Além disso, elas impulsionam a bilheteria nos jogos, já que as perspectivas são de 70% dos torcedores irem ao estádio", estima Amir Sommogi, da Casual Auditores. Sinal que há, em Porto Alegre, um modelo a se seguir.

terça-feira, 10 de março de 2009

Pesquisa aponta identificação meteórica de Ronaldo

http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais/2009/interna/0,,OI3623065-EI12403,00-Pesquisa+aponta+identificacao+meteorica+de+Ronaldo.html

Antes mesmo de estrear pelo Corinthians, Ronaldo já era o jogador mais querido do clube e pode ser comparado, em relação à identidade com clubes, a Rogério Ceni e Marcos. É o que indica uma pesquisa realizada pela TNS Sport em todos os Estados do Brasil divulgada nesta segunda-feira.

O estudo com 8.018 entrevistados, feito no final de fevereiro, mostrou que 30,43% dos corintianos já tinham o astro como maior ídolo. Ronaldo estreou apenas no dia 4 de março, contra o Itumbiara, pela Copa do Brasil.

Para se ter uma idéia do crescimento meteórico na identidade do jogador, Ceni, desde a década de 90 no São Paulo, é citado por 54,15% dos tricolores como maior ídolo, e Marcos, campeão da Libertadores de 1999, tem a preferência de 38,96% dos palmeirenses.

Fica difícil imaginar que depois de marcar um gol nos acréscimos do clássico contra o Palmeiras os números não vão ao menos se aproximar dos índices dos goleiros. Diretor da TNS Sport Brasil, César Gualdani atesta a tendência.

"O gol já entrou para a história do Corinthians e da carreira de Ronaldo. Tem todas as características de um feito épico: dramaticidade, superação, garra, surpresa e redenção. A ligação afetiva de Ronaldo com a torcida não é mais teoria", disse Gualdani, que faz a comparação com Ceni e Marcos.

"O Rogério está há quase 20 anos no São Paulo, é titular desde a década de 90 e é o preferido de 54,15 % dos tricolores. O Marcos é um dos maiores atletas da história do Palmeiras e foi apontado por 38,96% dos palmeirenses. O Ronaldo tem tudo para alcançar esses patamares em curto prazo", analisa.

Aqui cabe um parênteses. Rogério Ceni e Marcos eram meros desconhecidos quando iniciaram a carreira em seus respectivos clubes. Já Ronaldo chegou ao Corinthians ostentando um currículo com tópicos como duas Copa do Mundo, melhor jogador da Fifa por três anos e passagem por Milan, Inter de Milão e Real Madrid.

César Gualdani, porém, enxerga a questão por um outro ângulo. "É impressionante a velocidade da identificação de Ronaldo com a torcida do Corinthians. Ter um terço de recall em uma pesquisa espontânea é algo inimaginável para um atleta que estava fora do país havia mais de uma década. O corintiano vê o Ronaldo como alguém que veste a camisa de seu clube há muito tempo", explicou.

Depois de Ronaldo, o goleiro Felipe é o jogador mais citado pela torcida com 13,50%. os atacantes Dentinho (12,13%), Douglas (7,93%) e Herrera (5,97%). Vale lembrar que o último deixou o clube no final de 2008 e hoje está no Grêmio.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O artigo abaixo foi publicado há duas semanas atrás num renomado site que veicula matérias esportivas.

Ele pode ser encontrado diretamente no link: http://br.sambafoot.com/artigos/274_De_Ronaldinho_a_Ronaldo_os_porques_de_seu_retorno_page_1.html

Não o trouxe antes ao blog, pois logo na seqüência pipocou o escandâlo do Pop's Drinks.

Realmente, me calei. Forçaram a estréia dele para o jogo de Itumbiara, mas também me calei. Precisava esperar o clássico, para que hoje pudesse falar.

E o que posso falar? Todo mundo já disse.

O que posso pensar? O que penso está abaixo.




De Ronaldinho a Ronaldo, os porquês de seu retorno.

Conheci Ronaldo Luis Nazário de Lima em 1993. Na época, o chamávamos de Ronaldinho, um adolescente “dentuço” dois anos mais velho do que eu. Ele usava a camisa 9 do Cruzeiro e fazia gols de todos os modos. No tetracampeonato mundial do Brasil, ele viajou, mas não jogou, aprendendo os atalhos do gol com Romário, astro daquela Copa. Pouco tempo depois, desfilava pelas passarelas do futebol holandês, quando perdemos contato. Ainda era apenas Ronaldinho.

Era preciso pensar em passos maiores e, assim, tornou-se jogador do Barcelona. Voltamos a nos ver com maior assiduidade aos finais de semana e também durante as freqüentes convocações para Seleção Brasileira. Após as Olimpíadas de 1996, virou o melhor jogador do mundo. Neste momento, já era Ronaldinho.

Durante a estadia na Internazionale, nossos soldados da Seleção perderam a batalha da Copa de 1998; anos depois, duas graves lesões no joelho o afastam dos gramados. Entretanto, em Milão, no time azul e preto, Ronaldinho virou Ronaldo e Ronaldo virou Fenômeno.

Dado por acabado, o Fenômeno ressurgiu melhor do que nunca. Viveu um conto de fadas que emocionou o planeta no Mundial de 2002. Na Copa da Coréia e do Japão, o atacante se tornou o principal jogador da seleção brasileira e artilheiro da competição, com 8 gols. Do drama experimentado na final da Copa de 1998 à glória em 2002, Ronaldo protagonizou a mais épica saga de um jogador na história das Copas do Mundo. Rivaldo, Felipão e ele nos trouxeram a Copa. Era a vitória que o coroava como novamente o melhor do mundo. Com a coroa, retorna à Espanha, agora para Madrid, para jogar no Real. Ronaldo agora era galático.

Até a Copa seguinte, Ronaldo viu outros Ronaldos surgirem, um Gaúcho e o outro Cristiano. Mas Ronaldo era Ronaldo, fenômeno e galático, tornando-se o maior artilheiro das Copas com 15 gols em 2006. Entretanto, começaram a chamá-lo de baladeiro, gordo e até ex-jogador.

A ida para o time vermelho e preto de Milão trouxe novas perspectivas ao craque, porém uma nova lesão no joelho o afasta dos gramados. Treinando no Flamengo, Ronaldo agitou o Natal dos corinthianos. Agora, Ronaldo, fenômeno e galático, era mais um louco deste bando de loucos. Ronaldo era do Sport Club Corinthians Paulista.

A volta do Ronaldo sinaliza novos tempos para o futebol brasileiro. Significa um momento ímpar para organizarmos nosso futebol. Significa uma oportunidade em transformarmos nossos estádios em verdadeiras arenas, nossos gramados em palcos de teatro, onde os principais artistas são os jogadores.

Além disso, a volta de Ronaldo significa uma oportunidade de traçarmos uma agenda positiva no futebol brasileiro, coroada pela Copa do Mundo de 2014, na qual poderemos lutar pela profissionalização dos árbitros de futebol; pela diminuição da corrupção nos corredores do futebol; pelo fim do amadorismo dos clubes brasileiros; pela seleção natural entre os bons e maus agentes de jogadores; pelo respeito aos torcedores e o fim da violência nos estádios; pela formação e proteção aos jogadores de nossas categorias de base; enfim, a volta de Ronaldo representa a chance de se lutar por um futebol brasileiro organizado, profissional e com respeito aos direitos humanos no que tange à formação sócio-educacional de nossos atletas.

Por tudo isso, a volta de Ronaldo, 15 anos após sua saída é importantíssima para ele, para o Corinthians, para a Seleção e, em especial, para o futebol brasileiro.

E, como disse na primeira linha, conheci Ronaldo Luiz Nazário de Lima em 1993. Após todos estes anos, conheci Ronaldo pela televisão, pelos jornais, pelas revistas. Nos jogos do Cruzeiro, PSV, Barcelona, Internazionale, Real Madrid, Milan. Nos jogos da Seleção Brasileira.

Acompanhei toda sua carreira e junto com Romário e Zidane, foi o melhor que eu testemunhei. Por três vezes, durante sua carreira, o melhor do mundo.

Entretanto, somente fomos apresentados em 2008. Só pude realmente conhecer Ronaldo na sua apresentação fenomenal no Corinthians e pude ver que realmente a pessoa que é. Conheci o jogador que era e ainda poderá ser. Ronaldinho que virou Ronaldo, fenômeno e galático, artista da bola, mas que, naquele momento, era uma pessoa parecida comigo. Com seus sonhos, vontades, sofrimentos e luta para alcançar o objetivo traçado.

Seu talento, sua perseverança e seu carisma o transformaram num dos rostos mais conhecidos do planeta. Ídolo e principal jogador da seleção brasileira nos últimos 13 anos, Ronaldo tem uma história de sucesso baseada em muita luta e superação. E, com certeza, será um dos grandes pilares do Corinthians em 2009.

Se será fenomenal apenas no marketing, apenas o tempo dirá; se fará sucesso também dentro das quatro linhas, se fará gols, somente o tempo poderá dizer, mas sua simples presença em campo já assustará os zagueiros adversários. Já atrairá a atenção mundial para sua recuperação. Já o fará sonhar com o passaporte para a África do Sul.

De Ronaldinho a Ronaldo, é isso que queremos com o seu retorno.

domingo, 8 de março de 2009

Big names, big passions(FIFA.com)
Friday 27 February 2009

http://www.fifa.com/worldfootball/clubfootball/news/newsid=1033135.html?cid=newsletter&att=en_20090305_newsid1033135>%20&att=en_20090305_newsid1033135

After our look at the stars of cinema and music who live for news of the beautiful game, FIFA.com now turns its spotlight on the politicians and sporting personalities who keep one eye on their respective disciplines and the other on their favourite team.

Formula 1 drivers keep both eyes on the road while racing, of course, but away from the track there are many who indulge a passion for football. Roma fan Giancarlo Fisichella would no doubt have much to discuss with Real Madrid supporter Fernando Alonso, for example, while Brazilian drivers Felipe Massa and Rubens Barrichello could spend hours discussing Paulista football, with the former a Sao Paulo devotee and the latter loyal to the Corinthians cause. Three-time world champion Ayrton Senna was also a huge Timão fan and the club's supporters likewise held him in high esteem, chanting his name with all their heart when it was announced during a match that the Formula 1 legend had passed away.

That occured during the 1994 season, which would later end with Michael Schumacher taking the top prize. Blessed with immense talent like Senna, the German driver also has a deep love of the game and for one club above all - in his case, Cologne. A follower since childhood, Schumi had good reason to pin his hopes on the Billy Goats. "I admired our goalkeeper, Toni Schumacher, like crazy," he recalled.

"I made all my friends think he was my uncle!" Nowadays, the young retiree is a household name in his own right and has found new ways of backing his team, recently donating 900 euros to help with the signing of local idol Lukas Podolski, who will leave Bayern Munich to rejoin his former outfit at the end of the season.

When Guga met Lula
The world of tennis contains more than a few football enthusiasts, too, starting with another German icon, Boris Becker. Like Schumacher, the three-time Wimbledon champion has taken an active stance in supporting his team, Bayern Munich, estimating that he thought "for about three seconds" when Franz Beckenbauer invited him to join the club's board of directors. Spaniard Rafael Nadal, meanwhile, is living proof that football loyalties can run deeper than family links. A proud fan of Real Madrid, he is nonetheless the nephew of Barcelona legend Miguel Angel Nadal. Rising star Andy Murray, meanwhile, very nearly signed for Rangers before devoting himself to tennis, this despite the world No4 being a boyhood Hibernian supporter.

Clay-court specialist Gustavo Kuerten of Brazil can often be seen at the Estadio da Ressacada in his native Florianopolis these days. That is the home of modest Santa Catarina state side Avai, who are celebrating their return to Serie A this season. "Guga supported us all through the year," coach Paulo Silas told FIFA.com after promotion was assured. "He comes at the end of training every week and plays dominoes with the players." Aside from his famously positive attitude, Kuerten also aids the Leão da Ilha (Lion of the Island) financially.

Now retired, the three-time French Open winner is currently working as an advisor to President Luiz Inacio Lula da Silva, and the two man will have plenty to debate the next time Avai take on Corinthians. The Brazilian statesman is a committed Timão fan and never misses a chance to signal his devotion. In fact, after receiving a club shirt bearing his name upon becoming an honorary member, Lula had another made up especially for Venezuelan President Hugo Chavez, which he passed on during a summit between the two men.

Eva and Banfield, Angela and Cottbus
In Argentina, many still remember the friendly footballing rivalry that developed between the one-time presidential couple of Juan and Eva Peron. An ardent member of the Racing faithful, Juan had to come to terms with his wife, originally fond of Estudiantes, becoming a Banfield supporter, and in 1951 their loyalties were put to the test when Banfield and Racing met to settle the title. Level after the regular season, the two clubs had to contest a play-off to determine who would be champions and, despite Evita's backing, El Taladro succumbed to La Academia, much to President Juan's delight.

Half a century later and on the other side of the Atlantic, another powerful woman from the world of politics made her allegiances clear. Germany's Angela Merkel is above all a supporter of the country's national team, even going so far as to admit to a soft spot for Bastian Schweinsteiger, but at club level her heart beats for Energie Cottbus. A native of the former state of East Germany, the Chancellor has since become an honorary member of the only ex-GDR team currently in the German top flight. "Cottbus have to stay in the first division," she stated upon receiving her own personalised team shirt. "As a new honorary member, I'm crossing my fingers for that to happen!"

On the other side of the Rhine, French President Nicolas Sarkozy is a regular visitor to the Parc des Princes to lend Paris Saint-Germain his support, while in Italy, Prime Minister Silvio Berlusconi is nothing less than President of AC Milan. On a smaller scale, when Gordon Brown succeeded Tony Blair as Prime Minister of Great Britain, the country replaced a Newcastle United fan with a supporter of humble Scottish outfit Raith Rovers.

As for London club West Ham United, their most famous advocate can be found in the White House of all places. The new President of the USA, Barack Obama, is said to have followed the Hammers ever since a trip to England in 2003.

sábado, 7 de março de 2009

Revista elege os 50 grandes momentos do futebol na televisão
Tem cabeçada de Zidane, vacilos da imprensa, Pelé x Galvão, as tragédias de Heysel e do Pacaembu e muito mais

Redação iG Esporte

http://esporte.ig.com.br/futebol/2009/03/05/revista+elege+os+50+melhores+momentos+do+futebol+na+televisao+4526031.html

SÃO PAULO – A edição brasileira de março da revista Four Four Two, que tem Fernando Torres na capa, traz ainda uma deliciosa matéria sobre os 50 grandes momentos do futebol na televisão. Muitos deles são conhecidos do torcedor, mas há algumas novidades.

Na lista há muitos vídeos divertidos, como a leitura labial feita pela Rede Globo na Copa de 2006 ou a entrevista de George Best a uma rede de televisão britânica. Outros são dramáticos, como as guerras entre torcedores no Pacaembu, em São Paulo, e no estádio Heysel, na Bélgica. E há também vídeos que, pela relevância do momento, estão marcados na histórica do futebol, como a cabeçada de Zidane em Materazzi, na final da Copa de 2006, e o milésimo gol de Pelé, no ano de 1969.


1º - Vanucci grogue após vitória da Itália na Copa

2º - Mauro Tassoti, suspenso na Copa de 94 por causa de videotape

3º - Paul Gasgoine ofendendo a Noruega inteira

4º - José Cirillo Júnior falando sobre homossexual no futebol

5º - Galvão e o Tetra

6º - Leitura labial na Copa de 2006

7º - Vanderlei Luxemburgo chama Marcelinho de moleque

8º - Roberto Rojas faz cena no Maracanã

9º - Gol 1000 de Pelé

10º - Chororô do Botafogo

11º - George Best diz o que gosta de fazer

12º - José Roberto Wright com microfone escondido

13º - Batalha campal no Pacaembu

14º - Humorista invade comemoração de título na França

15º - Rogério Ceni x Mily Lacombe

16º - Ernesto Varela x Nabi Abi Chedid

17º - São Januário despenca e Eurico quer jogo

18º - Orlandinho quer menino são-paulino

19º - Edmundo chuta câmera

20º - Narrador fã de Dennis Bergkamp

21º - Kaká fica e deixa jornalistas histéricos

22º - Sérgio Noronha pescando na madrugada

23º - Fabio Capello e a dança sensual

24º - Pelé e Maradona lado a lado

25º - Luxa comentarista

26º - Tragédia de Heysel

27º - Romário chutando todo mundo com Kajuru

28º - Galvão x Pelé na Copa de 94

29º - Amigão x Trajano

30º - Luciano do Valle reclama dos colegas

31º - Ali G com Beckham e Victoria

32º - Cabeçada de Zidane

33º - Tcheco ouvindo jogo

34º - Zagallo após a derrota em 1998

35º - Luxemburgo x Milton Leite

36º - Datena x Eurico

37º - Previsão do Inter campeão mundial

38º - Narrador italiano grita o título de 2006

39º - Propaganda do estádio do Corinthians

40º - Ibrahimovic de olho em Ronaldo

41º - Renato Gaúcho e o dia dos namorados

42º - Ronaldo nos Simpsons

43º - Presidente do Galo e os quenianos

44º - Roy Keane acusa Ferdinand de não saber jogar

45º - Abraço para o Tomás Turbano

46º - Galvão grita primeiro gol de Ronaldinho na Seleção

47º - Milton Leite se diverte com Bruno Octávio

48º - Deputado português abandona programa por causa de Mourinho

49º - Transmissão ao vivo e em cores da Copa de 70

50º - Inglaterra campeã mundial pela única vez

sexta-feira, 6 de março de 2009

Relembre os 10 maiores jogos da carreira de Ronaldo

Pelo Barcelona, Ronaldo viveu uma de suas melhores fases na carreira


http://esportes.terra.com.br/futebol/copadobrasil/interna/0,,OI3612401-EI1950,00-Relembre+os+maiores+jogos+da+carreira+de+Ronaldo.html

Abaixo, o Terra apresenta aqueles que foram os dez maiores jogos da carreira de Ronaldo.

Campeonato Brasileiro, 1993: Cruzeiro 6 x 0 Bahia
Com apenas 17 anos, Ronaldo ainda era um adolescente, mas já se comportava como um gigante. Contra o Bahia, no Mineirão, fez cinco gols na vitória por 6 a 0. Um deles, marcado enquanto o goleiro uruguaio Rodolfo Rodríguez amarrava a chuteira, entrou para a história. O abusado cruzeirense apanhou a bola do chão e mandou para as redes.

Olimpíada de Atlanta, 1996: Brasil 4 x 2 Gana
O Brasil perdeu a chance de ouro nas semifinais, mas a atuação de Ronaldo no jogo de quartas-de-final entrou para a história. A Seleção perdia por 2 a 1 e o atacante entrou em ação, decretando a virada e a classificação com dois gols em seis minutos.

Campeonato Espanhol, 1996/1997: Atlético de Madrid 2 x 5 Barcelona
Naquela que provavelmente foi a sua melhor temporada, Ronaldo fez 34 gols no Campeonato Espanhol e foi artilheiro absoluto. Contra o Atlético de Madrid, fora de casa, o brasileiro fez três dos cinco gols na implacável goleada do Barcelona.

Copa das Confederações, 1997: Brasil 6 x 0 Austrália
A dupla com Romário na Seleção Brasileira foi uma das grandes marcas na carreira de Ronaldo, embora não tenha se concretizado em Copa do Mundo. Na decisão da Copa das Confederações, em 1997, ela teve seu auge. Contra a Austrália, no jogo que ficou marcado por todo o elenco ter a cabeça raspada, Ronaldo fez três gols.

Copa da Itália, 1998: Inter de Milão 3 x 0 Piacenza
O jogo em si não era uma grande decisão, mas Ronaldo brilhou com intensidade, fez três gols e recebeu da imprensa italiana, naquele dia, o apelido de Fenômeno, que marcaria sua passagem pela Itália e o acompanharia pelo resto da carreira.

Final da Copa da Uefa, 1998: Inter de Milão 3 x 0 Lazio
Contra a Lazio em uma decisão italiana na Copa da Uefa, Ronaldo deu show com a camisa da Inter de Milão e conquistou seu primeiro título na Itália. Caçado em campo, teve participação decisiva na vitória por 3 a 0. Para coroar sua atuação, humilhou o goleiro Marchegiani, pedalando três vezes e o deixando no chão antes de finalizar.

Semifinal da Copa do Mundo, 1998: Brasil 1 x 1 Holanda (4x2 nos pênaltis)
O gol contra os holandeses, que tentavam a todo custo derrubá-lo na grande área, foi apenas um capítulo da grande partida de Ronaldo na semifinal da Copa, pondo o Brasil na decisão graças ao desempenho posterior de Taffarel nas penalidades. Ronaldo, aliás, fez o seu na série de cobranças.

Final da Copa do Mundo, 2002: Brasil 2 x 0 Alemanha
Em sua grande volta por cima na carreira, Ronaldo assombrou a Ásia e o mundo com sua atuação na decisão da Copa, em que fez oito gols. A dobradinha na decisão contra a Alemanha valeu o quinto título mundial da Seleção Brasileira.

Final do Mundial de Clubes, 2002: Real Madrid 2 x 0 Olímpia (PAR)
Eleito o melhor em campo na volta ao Yokohama Stadium, palco da final da Copa do Mundo, Ronaldo fez o gol decisivo para o título de Mundial Interclubes do Real Madrid sobre os paraguaios do Olímpia. Foi seu título mais importante com a camisa do clube merengue.

Campeonato Italiano, 2008: Milan 5 x 2 Napoli
Em sua melhor atuação com a camisa do Milan, Ronaldo brilhou ao lado de Kaká e Alexandre Pato, que fazia sua estréia. O Napoli já vinha com uma equipe muito forte, mas o centroavante mostrou aos milaneses que ainda podia causar impacto. Anotou dois gols e levantou o público no San Siro.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Entre herói e celebridade, Ronaldo arrasa sua imagem pública

http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais/2009/interna/0,,OI3605917-EI12403,00-Entre+heroi+e+celebridade+Ronaldo+arrasa+sua+imagem+publica.html

Dassler Marques

O argentino Alfredo Di Stéfano, jogador que fez história no Real Madrid entre 1953 e 1964, disse uma vez que não queria ser idolatrado, queria apenas jogar bola. Se vivesse hoje, em tempos de Big Brother e quando o jogador de futebol virou celebridade, Di Stéfano talvez não suportasse o assédio.



Ronaldo, que também não vem suportando bem a fama, parece representar, hoje, o avesso de Di Stéfano. Sem jogar, mas amplamente idolatrado, continua sendo notícia por suas aventuras fora de campo. Na mais recente, foi flagrado em uma boate em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, até cinco horas da manhã, perdendo o horário da reapresentação e o treino da manhã seguinte. O jogador parece passear pelo universo do herói e da celebridade sem se fixar em nenhum deles, e absorvendo o lado mais nocivo de cada um.

"A categoria herói vem carregada de uma mitificação que não aprecio", diz Flavio de Campos, historiador professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo e que pesquisa sobre o futebol desde a Idade Média. "Ronaldo é uma celebridade, sim. É super famoso, foi um dos melhores durante um período. É muito rico e tem poder econômico".

Mas, com problemas recentes, Ronaldo acrescentou mais um episódio fora de campo em sua biografia. E acaba por arranhar a imagem pública do herói, ou do ídolo, criada a partir das conquistas como jogador. Ronaldo, cada vez mais, atrai para si o rótulo de jogador boêmio, diferente do que carregava no início da carreira, quando era apenas um atleta fisicamente muito promissor, tecnicamente exemplar, além de ser um sujeito pacato e de origem humilde.

Na opinião de Flavio de Campos, Ronaldo vive o dilema de ter o corpo e a vida disciplinados, além da tensão permanente desde o início da carreira. Um processo que, de certa forma, tem desaguado nos últimos episódios que o envolvem fora de campo e em sua reputação perante a sociedade.

Histórico crescente

Mas o que faz Ronaldo, esse cara simples e talentoso, espanar? "No Brasil a divisão entre o ídolo e a celebridade é uma coisa complicada", diz João Paulo Streapco, historiador que desenvolve pesquisa sobre o futebol na Universidade de São Paulo. "A Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, foi, para o Brasil, uma desorganização tremenda. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é responsável pelo circo, mas não responde nessas horas. Aí, a culpa é do Ronaldo, do Adriano, do Roberto Carlos. Isso alimenta o discurso ufanista, que é perigoso", lembra Flavio.

Para ele, o ufanismo desse discurso fala da alma sacra da Seleção. "A Seleção é sagrada, não pode macular, pipocar. E esse peso cai nas costas do maior ídolo. Depois, do episódio dos travestis (no último ano, Ronaldo foi parar na delegacia, acusado por um travesti de não querer pagar por um programa) se recuperam elementos que vão sempre voltar para puni-lo. Ele pode jogar, fazer um monte de gols, levar ao título paulista, ser um sucesso, mas, na primeira falha, esses elementos serão reativados" diz.

Na opinião de Streapco, a situação que envolve Ronaldo e as grandes estrelas do futebol colabora para a invasão à vida pessoal do atacante. "Esse comportamento de celebridade é instigado, pois são mimados por dirigentes, empresários e assessores. A torcida em geral cobra uma postura que eles não são obrigados a ter. E aí, a celebridade vai para a balada e se cria o conflito", avalia.

Em pouco mais de dois meses de seu retorno ao futebol brasileiro, Ronaldo já acumula pelo menos três episódios em que foi visto fora de campo por casas noturnas. Ao contrário de jogadores como Romário, Edmundo, Vampeta e Renato Gaúcho, que algumas vezes caminharam com habilidade na hora de curtir a noite, o atacante corintiano causa turbulências por onde passa.

Não precisamos voltar muito no tempo para encontrar outros casos. "O Sócrates é um cara que também tinha seus privilégios, o Gérson, o Renato Gaúcho, o Edmundo", diz Flavio.

Mas a sociedade mudou, o jogo mudou, o contexto mudou e Ronaldo é um craque à moda antiga querendo se dar bem em um universo mais bisbilhoteiro, mais cruel e muito mais invasivo do que há 20 ou 30 anos. "O Ronaldo está jogando errado para a platéia. Ele não avalia bem o clube em que se encontra, o momento de retorno da segunda divisão, além do processo político. A nervura está exposta. Falta habilidade em perceber quão perigoso é o quadro", diz Flavio.

Mais um rapaz comum

E qual o papel da imprensa, cada vez mais sedenta por escorregadas de celebridades, nisso? "A mídia espera dois comportamentos. Um é que ele fracasse, o que é terrível. É meio invejosa, negativa, acha que ele merece uma punição pela vida afetiva tumultuada. A outra parcela espera que ele dê certo, mas de um jeito meio errado. Quer que o amansem, que ele se dedique só ao Corinthians e pense na carreira como o mais importante", diz Flavio.

De fato, se dermos alguns passos para trás, poderemos fazer outra leitura dessa história toda envolvendo Ronaldo. Como faz Flavio. "Para a opinião pública, o importante é vida afetiva, o equilíbrio emocional e psicológico, a vida familiar, as relações de amizades e a capacidade de se reconstruir. Tudo isso é mais importante para a pessoa que a carreira profissional. A torcida que torce a favor de Ronaldo quer que surja nele um soldadinho disciplinado. Não gosto nem um pouco essa coisa militarizada do esporte, da eficiência, vitória por todo custo".

No final, uma certeza apenas: a de que a biografia de Ronaldo é uma das mais humanas da história do esporte, como resume Flavio:

"Na Copa de 98, ele era um garoto com uma responsabilidade absurda. O episódio (a convulsão dele às vésperas da derrota na final para a França) não está dissociado da pressão pública e da incompetência revelada ao deixarem que ele jogasse depois de ter uma convulsão. Depois, houve uma contusão gravíssima, e ele, praticamente descartado para o futebol, retornou. Sendo, inclusive, fundamental na conquista do Mundial. Era a retomada. Mas nem tanto. Porque veio mais uma lesão, também gravíssima, e ninguém mais acredita que ele consiga voltar. Mas ele volta, e vai para um clube com histórico de desorganização. É uma saga para poucos".

quarta-feira, 4 de março de 2009

Justiça rejeita processo de atletas driblados por Ronaldo

Justiça rejeita processo de atletas driblados por Ronaldo

http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais/2009/interna/0,,OI3607993-EI12403,00-Justica+rejeita+processo+de+atletas+driblados+por+Ronaldo.html

A Corte Suprema da Espanha rejeitou o recurso apresentado por sete jogadores do Compostela que se diziam prejudicados por um comercial da Nike que mostrava um gol marcado pelo atacante Ronaldo após driblá-los.

No lance, o então jogador do Barcelona pegou a bola no meio-campo e driblou os adversários até invadir a área, fazendo um dos gols mais bonitos de sua carreira.

O grupo de jogadores do Compostela queria ser indenizado por considerar que comercial prejudicava sua imagem e atacava sua honra.

O anúncio foi ao ar em 1997, no ano seguinte à partida, e seu texto exaltava a jogada antológica do brasileiro.

A Justiça espanhola entendeu que os atletas já haviam cedido suas imagens ao assinar um contrato com a Liga de Futebol Profissional (LFP) da Espanha, que permitia a exibição das partidas na televisão.

Além disso, a Nike comprou os direitos das imagens junto à LFP, e elas foram reproduzidas "sem manipulação alguma".

O tribunal argumentou que a empresa de material esportivo tinha apenas o objetivo de elogiar Ronaldo.

"O uso da imagem dos atletas do Compostela é meramente instrumental, não se pode dizer que suas reputações foram prejudicadas", disse a Justiça.

Veja o gol em: http://www.youtube.com/results?search_type=&search_query=ronaldo+barcelona+compostela&aq=f

terça-feira, 3 de março de 2009

Questão de valores
Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=3492

O melhor obstetra de uma pequena cidade do interior recebeu a notícia que mais ansiosamente aguardava, desde que havia se casado: sua mulher, finalmente, estava grávida. Depois de anos de luta para atingir seu objetivo, o jovem casal viu coroados os esforços para a vinda do primeiro rebento da família. Tudo era felicidade nos meses que se seguiram. Todos os pré-natais ocorreram dentro do esperado. O bebê crescia forte e sadio e a mãe nada sentira durante toda a gravidez. Finalmente, chegou o grande dia. Decidiram por uma cesariana. Dona Rosa, a parturiente, estranhou que o marido marcasse o parto para aquele dia especificamente, já que normalmente ele não trabalhava aos sábados.

Questionou a escolha e ficou sabendo que um colega do marido realizaria a intervenção. Ele, o pai, não teria condições psicológicas para uma ação madura e consistente em caso de emergência. Era mais correto que outro ocupasse o seu lugar. Normalmente é assim que se procede quando há um forte envolvimento emocional entre médico e paciente. Em geral, pura precaução, mas necessária para evitar dissabores.

É o que deve ser avaliado, por exemplo, na cobrança de pênalti por parte de um jogador que foi destaque em alguma polêmica na semana anterior ao fato. Ele certamente não terá a mínima condição para enfrentar qualquer desafio. O resultado, obviamente, é o pior possível.

Continuamos a não saber o que temos em mãos

Depois de nos esbaldarmos com a organização e o planejamento apresentados na Copa de Alemanha, me dá medo (e espero não passar vergonha) pensar no que oferecemos aos nossos visitantes em 2014. Vocês devem se lembrar de como nossos cartolas tratam o nosso futebol. Mesmo campeões do mundo inúmeras vezes, temos de nos contentar com estranhas ações empreendidas por nossa classe dirigente. Qualquer ser minimamente decente e lúcido tem em conta que o calendário do nosso futebol é de uma perversão absoluta. Com o público, com os jogadores, com o próprio futebol.

Esta é uma atividade artística e deveria ser tratada como tal. O fato de termos durante a temporada uma enxurrada de jogos semelhantes tira completamente o valor dos mesmos – vejam a Liga dos Campeões. É como se Chico Buarque, de uma hora para outra, resolvesse cantar no mesmo lugar uma centena de vezes sem intervalo. É claro que, mesmo que seja imensamente apaixonado por sua obra, o público cansará e em pouco tempo não haverá mais plateia condizente com o porte do espetáculo. Temos oferecido insistentemente a Ferrari que possuímos como se fosse um lápis preto desses de iniciação escolar. Um é um produto único, com raríssimos concorrentes. O outro, é um produto que tem uma concorrência absurda, com uma infindável lista de fabricantes. Um, é caro e difícil de ser adquirido. O outro, podemos escolher pelo melhor preço. Não sabemos, na verdade, dar valor ao que possuímos.

Convivendo com a insensatez

Os assessores de Ronaldo, sejam lá quem forem, trocam as bolas na forma como agem em nome do atleta. Tratam seu produto como se fosse o imenso nabo colhido por José Serra na campanha para presidente, em que levou uma surra sem dó de Lula. Tratam-no como uma banana ou um prego. Qualquer coisa, menos um ser humano. Especular com o nome dele para tentar auferir melhores condições de contrato é muito materialismo para o meu gosto. Quando Ronaldo ainda estava em recuperação de uma de suas cirurgias, os de então foram avalistas de uma redução de salário proposta pela Inter de Milão e imposta pelo mercado em retração. Naquele momento, nem de longe pensavam em ação semelhante à de agora. Bastou ter em mãos novamente o Fenômeno, com possibilidade de produzir mais jogadas de marketing e com um parceiro do porte de um Corinthians, para saírem à caça de mais grana.

Pensar nas consequências desses atos, nem de longe. Até porque não são eles que sofrem com as reações. É claro que o jogador tem culpa também por permitir que isso aconteça, mas o que está em questão é a qualidade do serviço que esses senhores prestam ao profissional de futebol. Assessores não devem só brigar por um contrato mais valioso, e, sim, oferecer discernimento, conhecimento e bom senso. Exatamente o contrário do que acompanhamos nesses últimos meses ou quase sempre. Depois se põem a fazer a estrela, com a cabeça baixa, passar um bom tempo explicando a insensatez. E o pior é que a Fiel não quer saber de outra coisa que não gols e mais gols, além do belo futebol de dez anos atrás. Imaginem a confusão daqui a algum tempo.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A dignidade de Osiris Lopes Filho
Da FOLHA DE SÃO PAULO, de 01/03/2009

Por JUCA KFOURI

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Quantos homens públicos neste Brasil renunciaram ao poder e às mordomias por questão de princípios?

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NÃO CONHECI Osiris Lopes Filho, que morreu na quinta-feira passada, aos 69 anos. Falei com ele só uma vez e por telefone, para convidá-lo a participar de um programa de entrevistas que eu tinha na televisão. Corria o ano de 95 e seu gesto de renunciar ao posto de poderoso secretário da Receita Federal já fazia parte da história.

Inconformado com a liberação do que ficou conhecido como “voo da muamba” da seleção brasileira tetracampeã, Osiris Lopes Filho preferiu se demitir e honrar o nome de seu pai e o que deixou aos filhos. Como recordar é viver, recordemos, recorrendo ao texto de abertura da estupenda reportagem feita por Fernando Rodrigues, nesta Folha, quando a seleção deixava os EUA: “A seleção chega hoje às 7h em Recife com uma bagagem cheia de equipamentos eletroeletrônicos. Time e comissão técnica compraram nos EUA geladeira, máquina de lavar, videocassete e sela para cavalo. A Folha acompanhou o embarque de toda a bagagem da seleção. Foram necessários dois caminhões e seis caminhonetes.

“Primeiro seriam dois caminhões com carroceria de cinco metros. Depois, mandamos vir um maior, com carroceria de oito metros, pra poder caber tudo”, disse Gilbert Hayes, funcionário dos organizadores da Copa encarregado de dar apoio à delegação brasileira. “Acompanhei os suecos e os americanos. Posso dizer tranquilamente que os brasileiros têm o maior volume de bagagem”, disse Hayes à Folha. Muitos volumes não apresentavam identificação.”

Leia, agora, o que dizia a reportagem de Leonardo Souza, 14 anos depois, também nesta Folha, sobre uma das consequências daquela farra: “Passadas três Copas, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teve sua primeira derrota definitiva na Justiça num dos processos relacionados ao “voo da muamba”, quando a seleção trouxe dos EUA 17 toneladas de bagagens e compras após a vitória na Copa. (…) Teixeira é acusado de ter transportado ilegalmente equipamentos para sua choperia El Turf. (…) No mês passado, Teixeira perdeu em última instância, no STJ. (…) O auditor Sá Freire disse que a “fraude fiscal” cometida por Teixeira foi comprovada quando, em 1995, o presidente da CBF fez uma importação de novo equipamento para a choperia, cuja fatura comercial informava o peso da mercadoria em 1.480 quilos.

Porém a Infraero havia pesado equipamento com 886 quilos. “Essa diferença [de peso] foi para encobrir o equipamento trazido ilegalmente no voo da seleção”, disse Sá Freire. A Receita Federal deixou de arrecadar ao menos US$ 1 milhão em impostos (…). Diante dos funcionários da Receita, Teixeira ameaçou devolver as medalhas de condecoração que os atletas haviam recebido do então presidente Itamar Franco. O secretário da Receita Federal à época, Osiris Lopes Filho, que orientara os funcionários da alfândega a realizar a fiscalização de praxe (que prevê a taxação de valores acima de US$ 500), demitiu-se pelo episódio.”

Osiris Lopes Filho, ao menos, não terá de ver a Copa-14 no Brasil, comandada pelo mesmo cartola.