domingo, 31 de agosto de 2008
Atletas não têm mais seus direitos garantidos em lei
Fonte: http://conjur.estadao.com.br/static/text/42255,1
Em 1993, a lei se chamou Zico. Posteriormente, em 1998, Lei Pelé, que também teve inúmeras alterações. E, recentemente, nos parece que estão discutindo, em Brasília, um tal “Estatuto do Desporto”. É fato que tais leis que regem o desporto brasileiro não são unânimes, o que é fruto da má técnica legislativa de nossos parlamentos. Mas também é decorrente dos profundos lobbies que transitam pela arquitetura criada por Oscar Niemeyer.
A Lei 9.981/00, que veio para alterar dispositivos da Lei Pelé (Lei 9.615), acabou se tornando um retrocesso e nasceu dos lobbies que dominaram os corredores do poder.
Tais ordenamentos regem a matéria do atleta profissional em geral. A partir do artigo 28 da Lei Pelé é que o legislador passa a tratar especificamente da parte trabalhista. Naquela época, eram aplicados os preceitos da legislação trabalhista e da seguridade social a todos os atletas profissionais e de quaisquer modalidades.
Posteriormente, a Lei 9.981/00 tornou a aplicação de inúmeros artigos da Lei Pelé facultativa. Nestes dispositivos legais que se tornaram facultativos, incluíram-se todas as previsões trabalhistas que protegiam os atletas dos outros esportes que não fossem do futebol.
Trata-se de flagrante inconstitucionalidade da Lei Maguito Vilela. Os atletas profissionais da modalidade de futebol não podem ser privilegiados em detrimento das demais categorias, tais como o vôlei, o basquete, o handebol, o futebol de salão — apenas para citar os esportes coletivos.
O princípio da isonomia e o da igualdade constitucional, previstos no artigo 5º da Carta Magna, são atingidos com esta diferenciação, razão pela qual os atletas da demais modalidades devem ser amparados pela legislação trabalhista e da seguridade social.
O equívoco é nítido, pois os atletas de outros esportes, em especial os coletivos (vôlei, handebol, basquete, futebol de salão, etc.), também são atletas profissionais, são trabalhadores como quaisquer outros e não podem ficar desamparados e à margem da lei.
Existe vínculo empregatício entre tais atletas e seus respectivos empregadores, ou seja, os clubes desportivos. Todos os requisitos necessários previstos no artigo 3º da CLT se mostram presentes quando se analisa o caso concreto. Existe subordinação, habitualidade, pessoalidade e exclusividade. Portanto, existe vínculo empregatício e os direitos dos atletas desportivos precisam ser protegidos.
Já se foi o tempo em que um Nalbert, uma Fernanda Venturini, uma Janeth ou um Falcão viviam apenas de patrocínios. Hoje, são inúmeros os atletas que vivem do esporte. Porém, seu contrato de trabalho se transformou em um mero contrato de imagem.
Explico-me. O que antes era obrigatório, ou seja, a existência de um contrato de trabalho com registro em CTPS era tida como obrigação legal para os clubes desportivos, agora se tornou facultativo, utilizando-se os clubes dos contratos de imagem para remunerar o atleta, que sai perdendo, pois deixa seus direitos como trabalhador de lado.
Esta discrepância entre uma modalidade e outra precisa ser resolvida. Inúmeras demandas trabalhistas pelo Brasil já questionam a camuflagem criada pela Lei 9.981/00, mas é chegada a duodécima hora de um verdadeiro marco legal no desporto brasileiro.
Somente quando tais discrepâncias forem corrigidas é que poderemos pensar no Brasil como uma potência olímpica e numa administração moderna nos clubes e entidades desportivas.
Revista Consultor Jurídico, 24 de fevereiro de 2006
sábado, 30 de agosto de 2008
É preciso pensar numa Lei Pelé para os árbitros
Revista Consultor Jurídico, 25 de janeiro de 2006
Fonte: http://conjur.estadao.com.br/static/text/41305,1
http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia_articuladas.aspx?cod=21053http://www.revistaautor.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=573&Itemid=44
Foi realizada uma pesquisa de fim de ano, num jornal de grande circulação, apurando-se que o maior acontecimento ligado ao esporte em 2005 foi o escândalo do apito.Ora, se isto demonstra a preocupação do brasileiro com o esporte pelo qual é mais apaixonado, esconde, por outro lado, as ofensas que os árbitros brasileiros sofrem quando falamos de seus direitos laborais.Primeiro, comecemos pelo artigo 88 da Lei Pelé, que prevê em seu parágrafo único que “(...) os árbitros e seus auxiliares não terão qualquer vínculo empregatício com as entidades desportivas diretivas onde atuarem, e sua remuneração como autônomos exonera tais entidades de quaisquer outras responsabilidades trabalhistas, securitárias e previdenciárias”.
O referido artigo trata-se de flagrante inconstitucionalidade, pois afronta os direitos dos trabalhadores consagrados pelo legislador constituinte e pela CLT. Existe sim vínculo empregatício entre árbitros e seus respectivos empregadores (entidades desportivas diretivas), pois todos os requisitos necessários e previstos no artigo 3º da CLT se mostram claros na relação laboral entre um árbitro de futebol e a entidade desportiva diretiva.
No caso concreto, temos a formatação utilizada por diversas entidades. Obriga-se o árbitro a assinar documentação, no qual afirma ser profissional autônomo e que aceita a condição de receber sua “taxa” diretamente do sindicato da categoria ou do clube mandante da partida. Tudo isso para burlar a legislação trabalhista e camuflar a existência de vínculo empregatício.
Entretanto, o vínculo empregatício é facilmente configurado. Fiquemos a princípio com a subordinação, que é o principal dos requisitos necessários. Além de não escolher qual partida irá apitar, o árbitro é obrigado a trabalhar, deslocando-se para a cidade designada. Ou apita ou apita. Caso contrário, é colocado na “geladeira” pela Comissão de Arbitragem.
E mais. Quem seleciona os árbitros para seus quadros permanentes é a própria entidade desportiva diretiva. É ela que organiza, planeja e arca com as despesas das pré-temporadas realizadas no início do ano. Os árbitros também são obrigados a utilizar os uniformes cedidos pela federação na qual esteja filiado. Ou seja, são inúmeros os exemplos que caracterizam perfeitamente a existência do vínculo empregatício entre árbitro de futebol e a entidade desportiva diretiva.
Recentemente, a Federação Paulista de Futebol sinalizou para uma real profissionalização da categoria. Falam os dirigentes que um seleto grupo de árbitros será escolhido e estes terão direito ao registro em carteira de trabalho, plano de saúde, depósitos fundiários e outros. O que acontecerá é que, novamente, apenas alguns serão agraciados pelos dirigentes, podendo vir a sofrer pressões para serem mais amigos de alguns clubes.
E o pior: desrespeitará também o princípio da isonomia constitucional, pois tratará dois árbitros de forma diferente — aquele com registro na funcional e aquele ainda tratado como profissional autônomo.É preciso urgentemente pensar numa carta de alforria para a categoria dos árbitros de futebol; numa Declaração dos Direitos dos Árbitros. É preciso regulamentar a matéria; criar mecanismos de profissionalização, mas também de proteção aos seus direitos como trabalhador.O futebol brasileiro precisa de árbitros profissionais. A profissão precisa ser finalmente regulamentada. É preciso pensar numa Lei Pelé para a arbitragem.Este é um dos pilares para a modernização administrativa do futebol brasileiro.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Os cegos do castelo e a violência das torcidas de futebol
Luiz Felipe Guimarães Santoro
Sócio do escritório Santoro, Almeida e Andries - Advogados
“Este é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.
(...)
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal.
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir. (...)”
Carlos Drummond de Andrade, "Nosso Tempo"
Escrito durante a II Guerra Mundial e publicado em 1945, o poema "Nosso Tempo", de Carlos Drummond de Andrade - parcialmente reproduzido acima - não poderia retratar de forma mais precisa e atual a situação caótica de violência proporcionada pelas torcidas de futebol.
No final de semana passado confrontos envolvendo a torcida do Palmeiras ocorreram em São Paulo, contra torcedores da Portuguesa, e em Minas Gerais, contra torcedores do Cruzeiro. Várias pessoas se feriram gravemente nas imediações do Mineirão. No final de semana anterior, mais um embate na capital paulistana, dessa vez entre torcedores do São Paulo e do Corinthians. Poucos dias antes havia morrido mais um. Dessa vez no Méier, em confronto entre as torcidas de Fluminense e Botafogo. No mesmo tumulto outras duas pessoas foram feridas com arma de fogo.
Nos últimos anos a violência entre torcidas causou milhares de vítimas, dezenas fatais e centenas com ferimentos graves, incluindo diversas mutilações de órgãos. São paus, pedras, barras de ferro, facas, bombas e armas de fogo que tiram a vida de pessoas que deveriam estar ali somente para se divertir.
Mas infelizmente não estão. A grande maioria dos envolvidos nos tumultos entre torcidas está ali porque quer brigar. Querem mostrar que sua facção é mais poderosa que a rival e chegam até mesmo a agendar brigas e revanches por internet. É a completa degradação do ser humano!
Usando o futebol como pano de fundo para seus interesses espúrios, esses marginais somente contribuem para afastar o cidadão de bem – e seus filhos- dos estádios brasileiros. Como se não bastassem as filas para comprar ingresso, a completa desorganização do “espetáculo”, a livre ação dos cambistas, a falta de estacionamento, a ação dos flanelinhas, a falta de comida de qualidade, a falta de banheiros decentes, o horário esdrúxulo (22h!) aqueles que querem acompanhar seus times ainda têm que se arriscar a encontrar pela frente esses criminosos travestidos de torcedores.
Sem se falar naqueles que estão passeando ou trabalhando, a quilômetros de distância dos estádios, e sofrem agressões ou prejuízos pela ação desses baderneiros, tendo em vista que o tumulto nem sempre ocorre nas imediações das praças esportivas. Os “torcedores” não têm hora nem local para atacar: estações de trem, de metrô, terminais de ônibus, nada escapa da fúria desses dementes.
Não é de se estranhar que em pesquisa realizada em 2004 (Lance!/IBOPE), a violência tenha sido apontada por 79% dos entrevistados como a principal causa de afastamento do torcedor do estádio.
Sempre que acontecem fatos como esses, levantam-se vozes de todos os lados, discute-se o fim das torcidas organizadas e muitos tentam capitalizar o combate à violência para seus projetos pessoais.
Em mais uma tentativa de lidar com o problema, o Ministério do Esporte criou, em março de 2005, a Comissão “Paz no Esporte”. Superada a fase de estudos, que incluiu análise minuciosa do Relatório Taylor que enfrentou tal questão na Inglaterra no início dos anos 90, acabam se ser anunciadas algumas medidas, como, por exemplo, o cadastramento dos membros das torcidas organizadas e local específico nos estádios para estes torcedores; categorização das partidas de acordo com o histórico de risco e implementação de medidas de segurança e planos de ação com base na categoria estabelecida (A++: extremamente perigoso, A+: muito perigoso, A: perigoso, B: pouco perigo, C: tranqüilo); sistema de monitoramento por câmeras de segurança; e fechamento das bilheterias quatro horas antes do início das partidas.
Como se observa, algumas dessas medidas, como planos de ação e câmeras de segurança, embora já existam no Estatuto do Torcedor não foram colocadas em prática e nada aconteceu. Outras medidas, por sua vez, são interessantes, mas temos que acompanhar a forma como implementadas, além da fiscalização e punição em caso de descumprimento. Se não houver punição, inclusive - e principalmente - para os torcedores baderneiros, o problema da violência se arrastará indefinidamente.
Infelizmente não temos tempo para resolver a questão por intermédio da educação, que seria a via mais adequada. A situação chegou num patamar insustentável. Se não houver punição efetiva será muito difícil erradicar esse mal que empesteia o futebol brasileiro.
Na Inglaterra, por exemplo, os torcedores que promovem baderna são impedidos de freqüentar estádios e aqueles que invadem o campo são (e ficam!) presos. Nenhum estádio inglês tem alambrado, mas todos eles têm uma singela comunicação: “Pitch invasion is a criminal offence” (Invasão de campo é crime). Com os inúmeros problemas que temos na questão da segurança pública e no sistema prisional será que dá para prender – e manter preso - quem invade um campo de futebol? Seria ótimo, mas tememos ser inexeqüível.
Embora o exemplo inglês deva realmente ser analisado e devidamente adequado à nossa realidade, temos que ter em mente um aspecto que ninguém enfrenta quando traça um paralelo entre a batalha contra os hooligans ingleses e a situação brasileira: o conjunto de medidas que resolveu a questão na Inglaterra trouxe inúmeras melhorias para os estádios em termos de segurança, conforto, etc., mas também causou um aumento significativo no preço do ingresso das partidas, sendo que o local mais barato, em poucos anos, passou de 5 libras (cerca de R$ 20,00) para 30 libras (cerca de R$ 120,00). Deixando a conversão monetária e a diferença econômica de lado, seria como se a arquibancada passasse dos R$ 15,00 atuais para R$ 90,00!
Sem comungar da generalização absurda, preconceituosa e estúpida de que “pobre é baderneiro e rico é comportado”, é inegável que tal aumento no preço dos ingressos alterou sobremaneira o perfil do torcedor que freqüenta os estádios ingleses. Até hoje é discutida por lá a questão dos torcedores que por décadas seguiram seus clubes e agora foram “priced out of the game” (ou seja, foram excluídos dos estádios por não poderem mais pagar pelos ingressos).
Outro fator que contribuiu – e muito – para a erradicação da violência nos estádios ingleses foi a obrigatoriedade de se ocupar o local determinado no ingresso. Em todos os setores do estádio os lugares são numerados e a numeração é respeitada, o que acaba auxiliando na separação dos eventuais baderneiros. Sim, eu freqüento estádios e mesmo quando vou nas numeradas sequer dou atenção para o número correspondente ao meu ingresso e não gosto muito quando alguém sentencia: “O senhor está no meu lugar”. Mas da mesma forma que os demais freqüentadores de estádios de futebol, também terei que me acostumar a uma norma dessa natureza se quiser contribuir para um melhor ambiente nos espetáculos esportivos. Assim como no teatro, em alguns cinemas e nas apresentações do Cirque du Soleil. Afinal, o futebol, enquanto negócio, faz ou não faz parte da indústria do entretenimento?
Somente com palavras e belos projetos não conseguiremos conter a violência entre torcidas. Precisamos de medidas factíveis, acompanhadas de fiscalização e punição. Será que os cegos do castelo só abrirão os olhos para esse problema quando 96 pessoas morrerem num mesmo jogo, a exemplo do que ocorreu no estádio de Hillsborough, Inglaterra, no fatídico 15/4/89? A partir daquela tragédia toda a estrutura do futebol inglês foi modificada. Tomara que no Brasil não seja necessário tamanho sofrimento.__________
Esta matéria foi colocada no ar originalmente em 25 de setembro de 2006.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Algumas referências históricas sobre estádios de futebol em São Paulo
Crescimento da cidade é acompanhado pelo desenvolvimento e popularização do esporte como um todo
Autor: João Paulo Streapco
João Paulo Streapco é Mestrando em História Social pela FFLCH-USP e integrante do GIEF (Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Futebol)
http://www.cidadedofutebol.com.br/Universidade/Web/Site/index_area_administracao.asp?arq=artigo.asp&id_cont=1748
As discussões sobre as origens do futebol no Brasil são enormes e giram em torno do papel de Charles Miller, da imigração, da urbanização que o país sofreu no decorrer do século XX, entre outros. Tem um aspecto que gostaria de resgatar neste artigo e que considero primordial, que é a dos espaços utilizados para a prática do futebol, desde o Velódromo Municipal até o Estádio do Morumbi.
Cada estádio diz muito do tipo de futebol que praticamos no decorrer destas décadas. Das praças paulistanas que existem hoje, a mais antiga é o Parque Antarctica ou Palestra Itália, que foi inaugurada pela Cia. Antarctica Paulista, em 1904, para que a população pudesse usufruir de um espaço público de lazer. Ela, no entanto, não é a pioneira, função que coube ao Velódromo.
Inaugurado na década de 1890, o Velódromo Municipal ficava entre as ruas Augusta, da Consolação e Martinho Prado, ao lado da Igreja da Consolação.
Tratava-se de um projeto particular de d. Veridiana Prado, um presente que uma das pessoas mais ricas da cidade ofereceu aos netos para que estes pudessem praticar o ciclismo, esporte que estava na moda entre os rapazes da elite de São Paulo.
O projeto de 1886, assinado por Tommazzo Gaudêncio Bezzi (que assina também o projeto do edifício do Museu do Ipiranga), reservava um espaço para cerca de 1000 pessoas acompanharem as corridas, tinha um bar, depósito e área de apostas, pois além de divertir seus netos, d. Veridiana pretendia ganhar dinheiro com apostas, imitando o que ocorria no hipódromo. A construção ficou pronta em 1892, mas só a partir de 1896 foi utilizada para o futebol.
Foi neste espaço que se organizou o chamado futebol oficial da cidade através da fundação da Liga Paulista de Futebol e onde se disputou as principais partidas da cidade até 1917. O elitismo era a marca deste espaço, que não permitia o ingresso de jogadores e times o futebol praticado na Várzea do Carmo.
Demolido em 1917 por causa da expansão imobiliária avassaladora, sobrou como lembrança de algumas fotos e memórias da cidade daquela época, na medida em que o quarteirão que ocupava foi fragmentado através da abertura da rua Nestor Pestana e os times que lá jogavam já não fazem parte dos quadro da Federação Paulista de Futebol.
Nesta época, a prefeitura adquiriu a Chácara da Floresta na margem do rio Tietê e a cedeu para que as equipes pudessem construir seus estádios.
Corinthians, Palmeiras (na época Palestra Itália) e São Paulo tiveram seus campos na Chácara. Os remanescentes desta época são a Associação Portuguesa de Desportos e o estádio do Canindé, o Clube de Regatas Tietê, o Clube Espéria e a A.A. São Paulo. Algumas fotos da época nos mostram que o conceito de estádio na época era diferente do que temos hoje. No máximo dez mil pessoas, arquibancadas pequenas e tubulares, que segundo os relatos de alguns memorialistas, eram montadas pelos próprios jogadores.
Em 1920, o Palestra Itália adquire o Parque Antarctica, que durante os 20 anos seguintes foi a principal praça desportiva de futebol da cidade. É bom lembrar que o estádio não tinha a feição que tem hoje. A arquibancada começou a ser construída na década de 1930, o campo (ou jardim suspenso, como dizem os mais poéticos) foi elevado já na segunda metade do século.
Por ocasião da celebração do centenário da Independência, em 1922, e por conta da popularização do futebol, a administração pública começa a discutir a possibilidade de construir um grande estádio municipal. Este projeto só se consolidaria em 1940, com a inauguração do Estádio do Pacaembu (Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho).
O projeto original foi alterado. Primeiro, pensava-se em aproveitar apenas as encostas do vale. Posteriormente, as duas encostas na parte do estádio virada para a Praça Charles Miller foram unidas, quando o estádio foi inaugurado. Finalmente, no início dos anos 1970, demole-se a concha acústica para a construção do Tobogã. Até a inauguração do Maracanã, foi o maior estádio do Brasil.
O processo de expansão do futebol foi assombroso, assim como crescimento de São Paulo. No início dos anos 1950, o São Paulo Futebol Clube começa a construir aquele que seria por muitos anos o maior estádio particular do mundo: o Estádio do Morumbi (Estádio Cícero Pompeu de Toledo). Inaugurado por etapas, de acordo com a elaboração dos anéis, ficou pronto no final da década de 1960.
Curiosamente, parte destes estádios recebe o nome de algum dirigente esportivo. Nenhum deles homenageia jogadores. E não é por falta de talentos, pois grandes craques do passado exibiram-se nestes gramados. Outras características deles são a conservação e a forma como o torcedor é
recebido: pessimamente.
Já que em 2014 sediaremos a Copa do Mundo, seria esse o momento de discutirmos o papel que os estádios ocupam em nossa sociedade e que tipo de estádios queremos.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Obras da Literatura que envolvem os Esportes
Autor: Mario Filho
Sinopse: Propulsor do lendário "Jornal dos Sports" e responsável pelo nome do maior estádio do Brasil, o Maracanã, Mario Filho mostra como o negro se incluiu e reinventou o futebol no Brasil. O livro contém um levantamento sociológico que reconta a trajetória de jogadores mulatos que passavam pó-de-arroz no rosto para ingressar nos principais times do Rio de Janeiro.
A primeira edição saiu em 1947, fato que reforça o ineditismo da obra para a época.
Editora: Mauad
Páginas: 344
Obra: Os subterrâneos do futebol
Autor: João Saldanha
Sinopse: Clássico da literatura esportiva, a obra de João Saldanha revela os bastidores do esporte mais popular do país. Embora escrito em 1963, o livro mantém sua atualidade ao mostrar o relacionamento entre atletas, cartolas e torcedores. Questiona também as condições de trabalho do jogador, os calendários mal distribuídos e enfatiza as glórias do futebol brasileiro mesmo com a péssima organização das competições.
Editora: José Olympio (1963)
Páginas: -
Obra: Estrela Solitária: um Brasileiro Chamado Garrincha
Autor: Ruy Castro
Sinopse: Biografia de Mané Garrincha, a obra retrata a trajetória de um dos mitos do futebol brasileiro. Mas além dos dribles, da ginga e da alegria nos pés, a obra mostra o envolvimento do ex-jogador do Botafogo e da seleção brasileira com o alcoolismo. Para o jovem brasileiro, o livro é compreendido como um romance que tem como cenário o Rio de Janeiro e o Brasil, com muita paixão e aventura. Mas os fatos apresentados são reais. Ruy Castro entrevistou mais de 170 pessoas e reuniu cerca de 500 entrevistas para contar o percurso trágico do jogador mais lendário que viveu no Brasil.
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 520
Obra: Futebol ao sol e à sombra
Autor: Eduardo Galeano
Sinopse: O autor uruguaio faz um panorama histórico e cultural do futebol sobre a sociedade. Aborda desde os mitos, craques, ídolos, jogadores, fatos e histórias do esporte até a função de inclusão social que o futebol promove nas mais diversas camadas da sociedade. Mesmo o leitor não apaixonado pela bola vai entender, refletir e discutir os assuntos em questão. Galeano apresenta ao público as perdas e conquistas que o esporte permite.
Editora: L&PM
Páginas: 264
Obra: Michael Jordan: a História de um Campeão e o Mundo Que Ele Criou
Autor: David Halberstam
Sinopse: O livro contempla a fase áurea de um mágico do basquete mundial, Michael Jordan, e a trajetória do jogador que se transformou em um ícone da cultura estadunidense. Além de explorar o percurso de Jordan, das derrotas para o irmão na garagem de casa ao último e perfeito arremesso no basquete profissional, a obra possui retratos de grandes figuras e equipes do basquete como Larry Bird e os Celtics, Isiah Thomas e os Pistons, Magic Johnson e os Lakers.
Editora: 34
Páginas: 430
Obra: Como Eles Roubaram o Jogo
Autor: David A. Yallop
Sinopse: Uma das pesquisas mais consistentes e interessantes sobre o futebol não veio do país que detém o posto de melhor do mundo. Coube ao inglês David Yallop escrever sobre uma possível "podridão" que insiste em morar nos bastidores do esporte mais popular no mundo. A história mostra a trajetória da Fifa sob o comando de João Havelange (de 1974 a 1998) e as supostas falcatruas ocorridas neste período.
Editora: Record
Páginas: 368
Obra: A Luta
Autor: Norman Mailer
Sinopse: A obra apresenta a luta entre Muhammad Ali e o campeão George Foreman disputada no Zaire em 1974. Muito mais que um evento esportivo, o confronto ilustra a política e a ideologia dos anos 70. Com o livro, o leitor é levado para a realidade do boxe, com seus receios, medos, concentração, disciplina. O autor tenta inebriar o leitor a ponto de fazê-lo esquecer o resultado desta luta, que representa a divisão entre a supremacia negra contra o status branco (embora os dois lutadores sejam negros).
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 222
Obra: Fio de Esperança : Biografia de Telê Santana
Autor: André Ribeiro
Sinopse: A postura ética e a filosofia de trabalho de Telê Santana conquistaram não só os torcedores dos times nos quais trabalhou, mas também aficionados pelo esporte. O ex-técnico (e ex-jogador) ajudou a alavancar a evolução do futebol entre as décadas de 1950 e 1990. A obra apresenta o lado durão de Telê, assim como sua vontade incalculável de voltar a comandar uma equipe de futebol, mesmo diante dos problemas de saúde que sofreu no fim da vida.
Editora: Gryphus
Páginas: 475
Obra: Maracanã : Meio Século de Paixão
Autor: João Máximo
Sinopse: Obra que celebra o aniversário de 50 anos do estádio Mario Filho, o Maracanã. O local se tornou um santuário do futebol para os jogadores que ali pisaram. Máximo transmite ao leitor as alegrias, tristezas e os mais diversos sentimentos da arquibancada e dos bastidores do lendário estádio.
Editora: Dorea Books
Páginas: 160
Obra: À Sombra das Chuteiras Imortais Crônicas de Futebol
Autor: Nelson Rodrigues
Sinopse: Entre 1955 e 1970, Nelson Rodrigues escreveu contos para a revista "Manchete Esportiva" e ao jornal "O Globo". Estes textos foram reunidos e deram origem à obra, que usa o esporte como pretexto para falar da coragem, medo, da multidão, de canalhas e mitos. Alguns destes heróis são conhecidos da história futebolística brasileira: Almir Pernambuquinho, Amarildo, João Saldanha. Garrincha e Pelé também se destacam nos 70 textos que compõem o livro.
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 198
Obra: A Ginga e o jogo
Autor: Armando Nogueira
Sinopse: Ao lado de Nelson Rodrigues e Mario Filho, Nogueira se destaca entre os cronistas esportivos da história do Brasil. Nesta obra, o autor compila 78 crônicas que incluem desde confissões de bastidores até histórias hilárias e curiosas. O livro contempla não só o futebol, mas também o tênis (com Guga), o basquete (Paula), o hipismo (Rodrigo Pessoa), entre outros.
Nogueira é um escritor apaixonado pelo esporte como um todo e que acompanhou
14 Copas do Mundo.
Editora: Objetiva
Páginas: 200
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Planejamento dos clubes e as janelas de transferência de jogadores
Por André Megale
http://www.cidadedofutebol.com.br/Cidade/Site/Colunista/MateriaColunista.aspx?IdColunista=28263&IdArtigo=9701
Caros amigos da Cidade do Fubebol,
A transferência internacional de jogadores é um tema bastante frequente nas épocas de meio e final de ano. O mercado do futebol fica agitado em que muita especulação ganha espaço na mídia.
E, como sabemos, o futebol tem a sua peculiaridade também no que se referei à transferência de empregados (jogadores) de um clube para outro. Diferentemente do que ocorre em outros ramos de atividade, os clubes somente podem “vender” os direitos sobre seus jogadores, e comprar o de outros clubes, em determinadas épocas do ano.
Pelo regulamento da FIFA, as federações nacionais devem escolher dois períodos, por ano, para que os clubes daquela jurisdição possam transferir jogadores. Em primeiro lugar, importante mencionar que existe discussão jurídica na Europa vis-à-vis a legislação comunitária. Restringir o período em que um clube pode contratar jogadores fere o princípio da liberdade de movimento de cidadãos e/ou o do direito ao acesso ao trabalho? Ou tal restrição se justifica no âmbito do escopo da especificidade do esporte?
Para além dessa questão, temos também a de ordem prática a ser ressaltada. Os clubes precisam ter a exata informação das chamadas “janelas de transferência” de outros países, em linha com a sua política estratégica de formação e dissolução de elenco. Principalmente aqueles clubes que tem como objetivo a formação de jogadores e a sua colocação em outros mercados como fonte legítima e alternativa de receita.
Por exemplo. Muito se fala em “janela de transferência européia”. O que é isso? Quando começa e quando termina? Na verdade, esse termo não existe legalmente. O que existe é um período entre 1 de julho a 31 de agosto, em que a federação da marioria dos países europeus escolhe como período de transferência de jogador. No entanto, não é regra para todos os países.
Dentro do princípio da subidiariedade, amplamente reconhecido na esfera desportiva e também nos tribunais europeus, a competência para a decisão de tal matéria cabe à Federação à nível nacional. Na Suécia ou na Irlanda, por exemplo, a janela terminou no final de julho. Na França, a janela foi aberta em maio. Durante o período de interrupção das competições no inverno, a dicrepância entre os países ainda é maior. A grande maioria tem a janela durante o mês de janeiro. Na Finlândia, porém, a janela de transferência abre apenas em março, fechando em abril.Esses são apenas alguns exemplos, dentre diversas peculiaridades que cada país europeu apresenta com relação aos seus períodos de transferência.
Cada vez mais o sucesso dos clubes está relacionado a um planejamento organizado, que deve sempre ser embasado em informações precisas e acuradas, em um ambiente em que haja a devida segurança jurídica. Só assim o profissionalismo pode de fato ser estabelecido no futebol e, em especial, na gestão de nossos clubes.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Salário de empregados pode sofrer penhora para a execução de créditos
Salário de empregados pode sofrer penhora para a execução de créditos
Parte do salário de uma empregada da empresa Furnas - Centrais Elétricas S.A. precisou ser bloqueada pela Justiça, com o objetivo de garantir a execução de crédito trabalhista. A decisão foi proferida nesta semana pelo Tribunal Regional do Trabalho de Goiás (TRT-GO), que manteve decisão proferida em primeiro grau. Como argumentos de defesa, a funcionária chegou a sustentar que a decisão violava direito seu líquido e certo de não ter os salários penhorados sob o argumento de que eram a única fonte de recursos no sustento dela e de sua família.
O desembargador Mário Bottazzo, relator do Mandado de Segurança nº 94/2008, argumentou que a penhora de dinheiro na execução definitiva não caracteriza ato abusivo ou ilegal, capaz de ferir direito líquido e certo do executado, pois está amparada pelo art. 655 do Código de Processo Civil (CPC), que estabelece sua preferência sobre todas as outras formas de garantia da execução. Segundo o relator, a lei não impõe a impenhorabilidade total e absoluta dos salários do devedor, ou seja, os salários podem ser penhorados na hipótese de pagamento da prestação alimentícia, conforme inciso IV do artigo 649 do Código de Processo Civil "E os créditos trabalhistas também são essencialmente de natureza alimentar e, por isso, é admissível a penhora de percentual razoável do salário do devedor para satisfação da obrigação alimentar não cumprida, se isto não atira o devedor à indignidade", ressaltou o magistrado.
Ao final, o pleno do Tribunal Regional do Trabalho de Goiás, por maioria, considerou, no entanto, razoável reduzir o percentual de 20% deferido na execução para 10%. No entendimento dos magistrados. a penhora em 10% do valor do salário da executada não compromete o sustento próprio e de sua família e ainda é suficiente para satisfazer o crédito trabalhista avaliado em R$ 27,8 mil. Regulamentação Em 2006, o Senado Federal aprovou um projeto de lei que permite a penhora de salários para pagar dívidas. Pelo projeto, 40% do valor que passar de 20 salários mínimos (R$ 7.000) do rendimento mensal do devedor poderão ser bloqueados para o acerto de contas. Penhora é uma apreensão judicial de bens dados pelo devedor como garantia de execução de uma dívida face a um credor.
domingo, 24 de agosto de 2008
Futebol Exportação
Resenha do livro de Claudia Silva Jacobs e Fernando Duarte
Equipe Cidade do Futebol - http://www.cidadedofutebol.com.br/Cidade/Site/Artigo/Materia.aspx?IdArtigo=9718
O livro aborda os casos de jogadores que não tiveram a mesma oportunidade de atletas como Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho entre outros e conseguiram ter sucesso fora do Brasil, em clubes da Europa.Os jornalistas Fernando Duarte e Claudia Silva colheram depoimentos de jogadores que estão bem longe dos maiores centros da Europa e mostram, em “Futebol Exportação”, um lado pouco conhecido do êxodo de atletas do futebol brasileiro.
Claudia Silva Jacobs é formada em Jornalismo pela PUC-Rio, especializou-se em Política Internacional, no Ceris, em Bruxelas, e em Gerenciamento de Novas Mídias, no Birkbeck College, em Londres. Fernando Duarte trabalhou na editoria de esportes de O Globo entre 1996 e 2001 e, desde 2003, é correspondente do jornal em Londres, tendo acompanhado a seleção brasileira em jogos amistosos e oficiais. Cobriu a Copa do Mundo de 2006, mas seu interesse pelo futebol também é acadêmico: cursou um MBA em Indústrias do Futebol pela Universidade de Liverpool.
De acordo com as estatísticas oficiais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o fluxo de atletas para o exterior cresceu 392% entre 1992 e 2005. Outro levantamento mostra que 804 jogadores deixaram o país no ano passado e 857, em 2004. Mercados como Alemanha, Itália, Espanha e Portugal continuam clientes fiéis ao nosso produto, mas tentar a sorte em algum país da África ou da Ásia também pode ser uma boa oportunidade de sucesso e estabilidade econômica.Há quem diga que o pior da despedida é para quem fica. "Futebol Exportação" conta que são justamente os torcedores brasileiros que mais sofrem com o caráter exportador do nosso principal esporte.
O único consolo está no fato de o país continuar produzindo atletas de qualidade, capazes de encantar e motivar os torcedores. Ainda que o privilégio de vê-los ao vivo, não do outro lado do oceano, seja cada vez mais raro.
sábado, 23 de agosto de 2008
Salvação em 2007 e modelo para Traffic, Cesta é encerrada
Salvação em 2007 e modelo para Traffic, Cesta é encerrada
William Correia, especial para a GE.Net
São Paulo (SP) - Uma estratégia tida como inovação do Palmeiras para arrecadar recursos teve vida curta. Lançada em maio de 2007, a Cesta de Atletas, projeto que atraía investidores a adquirir parte dos direitos federativos de 15 jogadores visando lucro no futuro, não terá uma segunda edição. E teve apenas um desdobramento: serviu de modelo para a Traffic, que em troca se tornou parceira do clube.
A idéia se tornou realidade no ano passado com a promessa de que poderia repetir o sucesso da Parmalat, empresa que estabeleceu co-gestão com o Verdão entre 1992 e 2000 e recolocou o time no caminho dos títulos. Entretanto, em vez de dar à equipe o mesmo suporte financeiro, a Cesta serviu apenas como atrativo para outra sociedade.
“A Cesta foi encerrada, não pode mais ter novas aplicações. Acabou servindo como fundamentação para o acordo com a Traffic. Demos o conceito e eles reproduziram em escala maior, com uma Cesta deles. Como fomos inspiração, eles passaram a emprestar jogadores para o Palmeiras, aproveitando a exposição de um clube grande para valorizá-los e vender quando acharem conveniente, sempre respeitando as preocupações da equipe”, explicou à GE.Net o diretor de planejamento palmeirense e idealizador da Cesta, Luiz Gonzaga Belluzzo.
A mudança nos bastidores pode ser vista no elenco. Dos 15 atletas escolhidos para fazer parte da iniciativa, apenas quatro seguem no Palestra Itália, sendo que dois deles ainda nem treinam com os profissionais (veja quadro ao lado). Em campo, também se percebe a alteração.
Quando o projeto foi lançado, a escalação de Caio Júnior tinha até seis jogadores pertencentes ao fundo (Diego Cavalieri, David, Valmir, Wendel, Martinez e Valdívia). Atualmente, a base de Wanderley Luxemburgo tem quatro nomes ligados à Traffic (Sandro Silva, Jumar, Evandro e Diego Souza), além de outros seis no plantel (Fabinho Capixaba, Jefferson, Gustavo, Paulo Miranda, Maicosuel e Lenny).
Embora não tenha continuidade, a Cesta teve balanço positivo na opinião de seu criador. “Ainda não fiz exatamente a avaliação, mas posso adiantar que o resultado foi muito bom para o Palmeiras e os investidores. Em um ano, vendemos três jogadores por importâncias grandes, que são o Michael, o Diego Cavalieri e o Valdívia. Só o Valdívia deu quase 100% de lucro, que será dividido proporcionalmente aos investimentos”, contou Belluzo.
Na relação de lucros, a Cesta tem dado melhores resultados ao clube. Juntos, Valdívia, Diego Cavalieri e Michael saíram por R$ 20 milhões acima do preço estipulado no projeto, e ainda há a expectativa pela venda do lateral-direito Amaral ao Las Palmas, da Espanha. Já a Traffic ficou com cerca de R$ 10 milhões pelo acerto do zagueiro Henrique com o Barcelona – o único da parceria a ser negociado até o momento –, deixando R$ 4 milhões para o Palmeiras.
Satisfeito com sua iniciativa, o diretor de planejamento minimizou até mesmo as dificuldades que os atletas do projeto tiveram, como o atacante Cláudio, punido por 180 dias pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo por adulteração de idade – era registrado no clube como se tivesse 19 anos, mas na verdade tem 21.
“É claro que esse problema influi para os investimentos nele. Mas ele tem um valor pequeno na Cesta, nada relevante. Vamos dar uma solução. Foi descoberto que ele é gato, mas isso não quer dizer que ele não pode ser negociado”, defendeu o dirigente, que teve também como problema a morte do atacante Alemão, em julho do ano passado – os investidores receberam uma quantia de seguro como compensação.
Apesar de já ter sido decretado seu fim, quem acreditou na Cesta segue lucrando até que os 11 atletas restantes sejam negociados. “Eles não são consultados sobre as transferências, mas a gente avisa quando negocia e temos que remunerá-los. Inclusive, já estamos preparando os comunicados sobre os valores da venda do Valdívia e do empréstimo do Wendel para o Santos”, informou Belluzzo.
Confira os integrantes da Cesta, o valor fixado pelo clube, a porcentagem dos direitos que pertencem (ou pertenciam) ao Verdão e o destino de cada um
Valdívia: R$ 10.800.000,00 (100%) – vendido por R$ 20 mi ao Al Ain
Diego Cavalieri: R$ 2.700.000,00 (100%) – vendido por R$ 9,5 mi ao Liverpool
Michael: R$ 3.600.000,00 (100%) – vendido por R$ 6,5 mi ao Dínamo de Kiev (atualmente está no Santos)
William: R$ 3.600.000,00 (90%) – emprestado ao Náutico
Wendel: R$ 1.800.000,00 (60%) – emprestado ao Santos
Amaral: R$ 2.700.000,00 (50%) – emprestado ao Atlético-MG
David: R$ 4.500.000,00 (60%) – ainda no Palmeiras
Alemão: R$ 3.600.000,00 (20%) – faleceu
Marcelo Costa: R$ 540.000,00 (100%) – emprestado ao Juventude
Martinez: R$ 1.800.000,00 (25%) – ainda no Palmeiras
Francis: R$ 1.350.000,00 (70%) – emprestado ao Atlético-MG
Valmir: R$ 720.000,00 (60%) – emprestado ao Vasco
Cláudio: Sem valor definido (60%) – suspenso por 180 dias pelo TJD-SP por adulteração de idade
Daniel: Sem valor definido (100%) – ainda no Palmeiras (juniores)
Samuel: Sem valor definido (70%) – ainda no Palmeiras (juniores)
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Jornal ANALISE: Está voltando? Aguarde!
“Há Homens que lutam um dia e são bons; há outros que lutam um ano e são melhores; há os que lutam muitos anos e são muitos bons; mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.”
(Bertold Brecht)
São Paulo, inverno de 1999.
Um dia, tivemos um sonho. Uma utopia possível de transformar a FACULDADE DE DIREITO DO MACKENZIE. Buscamos os meios, achamos as saídas. Idealizou-se uma Publicação a qual trouxesse ao meio acadêmico a discussão, uma análise.
Traçou-se objetivos, estabelecemos metas. Tudo em prol do renascimento cultural de uma Faculdade e, por conseguinte, da própria.
Meses atrás, criou-se um jornal de resenhas, pesquisas, opiniões no qual o aluno possuísse voz própria para pensar. Além, que o acadêmico de Direito aprendesse a refletir sobre tudo, seja política, econômica, social ou juridicamente.
Batizou-se-o como Analise.
Um novo projeto, uma célula autônoma que nascia por forças próprias, cuja meta era fazer da FACULDADE DE DIREITO DO MACKENZIE a melhor.
Trazer o orgulho real e próprio de afirmar anos após formado, quando formos juizes, promotores, ministros, doutrinadores..., que estudamos no MACKENZIE, aquela que enfrentou problemas e se tornou a maior e melhor!
Nosso sonho demorará a se concretizar, mas a utopia possível ainda persiste. Depende de muitas circunstâncias, dentre as quais da participação maciça dos próprios alunos.
É a partir de vocês, acadêmicos de Direito, que poderemos modernizar uma FACULDADE. Não revolucioná-la, apenas transformá-la, tornando-a a melhor e mais almejada deste Brasil.
Podem falar tudo, inventar picuinhas sobre tal ideal; porém a chama deste sonho não se apagará. Lutaremos contra o que for de encontro ao nosso projeto, contra tudo que tentar denegrir o escopo de reformar o MACKENZIE.
Enfim, estes tijolos que servem de moradia ao nosso ensino pouca valia têm. Os prédios que nos acolhem são meras fachadas. O que constrói uma Instituição educacional, o que faz de uma FACULDADE realmente a melhor são seus alunos. É você!
É isso o importante!!
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Buemba! Dunga não é técnico nem aqui nem na China!, por José Simão
20/08/2008 - 20h22
Buemba! Dunga não é técnico nem aqui nem na China!
da Redação
Buemba! Monkey News diretamente do Bronzil! Sabe o que quer dizer COB? Comitê Olímpico do Bronze! E nós vamos ganhar duas medalhas especiais: OURUCA E OURUBU! Sabe quem vai entregar? O Galvão Bueno! Rarará!E hoje o Simão não acordou no pódio, ele acordou com ódio. A gente não perdeu para a Argentina, a gente perdeu para o genro do Maradona, o Aguero. Por isso que foi uma lavada. E não vai mais chamar seleção brasileira. Vai ser "Pagodão Brasileiro". Os jogadores só vão pro pagode! E o outro falou: "O Dunga não é técnico nem aqui nem na China!" Rarará!Sem querer fazer muita comparação, mas dizem que o Burro do Shrek é um gênio perto do Dunga! E aí o Galvão ficou transtornado. Ele disse o seguinte: "A Seleção se apequenou." Mas claro, a seleção está em Pequim e o técnico é um anão! Rarará!Aí o Ronaldinho Gaúcho vira e fala: "O Brasil não sabe perder." Peraí, o Brasil não sabe é ganhar! O pagode está tirando o foco da seleção! Rarará! E agora a gente vai disputar o bronze em Xangai. A seleção até mudou o patrocinador por causa disso.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
"Identidade nacional e futebol", por Jaime Pinsky
Dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo é aquela festa: bandeiras nervosamente agitadas, famílias e vizinhos se reunindo para ver a partida na televisão, bancos, fábricas e hospitais dando meio expediente, escalação da seleção na boca de todos.
Minha cunhada, sem querer, definiu a razão de tanto agito: “Se não vejo pelo menos um pedaço do jogo, me sinto por fora, eu que nem gosto de futebol”.
Que compulsão será essa que leva notícias políticas, policiais e até (ufa) econômicas a perder espaço nos jornais e nas TVs, que faz com que o porteiro do edifício em que moramos, normalmente sem nome e sem rosto, seja notado em sua camiseta “canarinho”, que homogeneíza, por alguns momentos, o tecido social tão desigual e que cria uma estranha sensação de que fazemos parte de algo mais amplo que a família, o escritório, a turma da rua, o time por que torcemos, os coirmãos maçons ou rotários ou o partido em que militamos?
Para alguns, tudo não passa de uma criação da mídia, desejosa de faturar. Para outros, não é senão agitação promovida pelo governo, com o objetivo de desviar o povo dos verdadeiros problemas do país e criar uma atmosfera de falsa euforia cívica. Há ainda os que acham tudo uma loucura, um despropósito, uma alienação. Será?
Arriscaria dizer que alienado é quem age como se nada estivesse acontecendo com o país.
Não é só a questão de o futebol ser o esporte nacional: é também o fato de ele ser o esporte mais importante do mundo, o mais difundido internacionalmente, o mais praticado, o mais assistido. E, nesse esporte, somos bons. Talvez os melhores. E provamos isso em campo de batalha, ou melhor, esportivo, conseguindo em cinco ocasiões, na Suécia, no Chile, no México, nos Estados Unidos e no Japão (um pouquinho na Coréia), colocar mais bolas nas redes de todos os adversários do que eles nas nossas e ainda maravilhar centenas de milhares de espectadores e bilhões de telespectadores com jogadores maravilhosos.
Nossa auto-estima, que não anda lá essas coisas, fica lisonjeada em saber que nós, importadores de tudo, de tecnologia a teorias, de lanchonetes a bebidas, de padrões de comportamento a gostos musicais, exportamos bom futebol. Gostamos de saber das centenas (ou até milhares) de jogadores brasileiros atuando em clubes europeus e asiáticos, de técnicos brasileiros que dirigem seleções de outros países e até de brasileiros natos que, naturalizados, estão disputando jogos por outras seleções.
É claro que vitórias esportivas estimulam, momentaneamente, o orgulho nacional: torcemos pelo Guga, pelas meninas do basquete, pelos garotões do vôlei, por nossos maratonistas, nadadores e lutadores. Mas com o futebol é diferente. É que nesse esporte, para cuja prática basta apenas uma bola e um gol improvisado, reside algo que temos em comum apenas e com todos os nossos conterrâneos.
Buscamos durante a Copa a identidade nacional que nunca foi muito bem forjada neste país de transições sem mudanças, de independência sem povo, de Estado sem sociedade civil. Buscamos essa identidade que, antes de amadurecer, já nos foge pelos dedos da globalização açodada, pelo inchaço das cidades sem personalidade, pelas feiras que substituíram o artesanato pelo made in China.
Se alguém ainda insistir que falta ao Brasil uma boa guerra para que a identidade nacional possa de fato se afirmar, devo confessar que ainda prefiro o atual combate no gramado fofo, mesmo que o técnico seja sempre burro e que os jogadores que preferimos fiquem na reserva, à margem do campo.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Os traumas do transporte coletivo
Ultimamente, pegar ônibus em São Paulo, tornou-se uma tortura. Não me refiro ao caos da hora do rush, nem à sua demora para passar. Creio que nestes últimos tempos, o serviço coletivo da cidade melhorou, mas é preciso melhorar muito mais. Falo de algo muito perigoso, que aconteceu comigo três vezes em apenas um mês: os roubos.
O confortante é que eu não sou o único. Muitos amigos já sofreram a mesma situação. O Tadeu, por exemplo, tinha ido buscar sua noiva no emprego sem o carro:
- Estava no mecânico! - fez questão de esclarecer.
Os dois sentaram perto do cobrador e conversavam tranqüilamente, até serem abordados por dois indivíduos armados, que, além deles, assaltaram todos os usuários da parte traseira do ônibus. O pior foi a pergunta do cobrador:
- Vocês foram assaltados... nossa, meu ‘Padim Ciço’... eu nem percebi... levaram o quê?
O Tadeu chegou a desconfiar do cobrador, até dei razão a ele, afinal, o trabalhador estava ao lado dos dois e, com certeza, visualizara tudo. Ainda tentei acalmá-lo:
- Nessas horas, todo mundo tem medo de se entrometer, de falar algo!!!
Ele nunca se conformou. Meses depois, ainda briga com o delegado, querendo que este ache os ladrões, que lhe levaram as duas alianças douradas, com as quais eles iriam se casar. Pelo menos, conseguiu adiar a cerimônia e enrolar mais um pouco a moça. Faz sete anos, que suas promessas de felicidades eternas são sinceras.
O assalto pode ser explicado. Eram mais de nove da noite e a região, onde a moça ganhava o seu sustento, é distante do centro urbano da cidade e deserta durante o descanso do nosso astro rei.
O ocorrido com o Mello foi pior. Roubaram-lhe o relógio a gravata de seda húngara, além de cartões de crédito, vales-transporte, vale-refeição e abotoadoras de ouro, em plena luz do dia e na Avenida Paulista.
- E bem no dia em que o meu boy tinha faltado. Que Deus me perdoe, mas quase tive um ataque do coração!! - lamentou-se.
O Mello havia cometido um erro primordial. Sentar-se no último banco do ônibus. No enatnto, o que adiantaria ficar colado no cobrador? Nada e, dependendo da opção sexual dele, poderia ser pior.
- A solução é não ultrapassar a roleta. - aconselham-me.
Foi isso que eu fiz, após terem me levado uma correntinha de ouro, um presente da minha querida vovó, na primeira vez, e o meu honorário inteiro, na segunda. Não adiantou. Os ladrões levaram o dinheiro de todos, inclusive o da roleta, menos o meu, pois eu não tinha algum. Antes tivesse. Sobrou uma bala perdida disparada pela pistola automática do meliante, quando um valentão tentou ser o nosso super-homem, que atingiu o meu ombro de raspão.
A partir daquela data, resolvi poupar dinheiro para adquirir um carrinho usado e popular, para deixar de utilizar o transporte coletivo. Agora, sofrerei de outra forma. Não sei se o meu coração agüentará o trânsito caótico da cidade de São Paulo. O mais lamentável é que não escaparei dos constantes assaltos. Há o perigo dos trombadinhas nos semáforos. Já estou anotando os conselhos dos meus amigos.
Entretanto, enquanto não economizar o suficiente, continuarei usando o transporte coletivo do município, sofrendo com os furtos e roubos, com a morosidade e velhice de alguns ônibus e com a freqüência das super lotações na hora do pico.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Resposta Aberta a Rubem Alves e Juca Kfouri – Sim, eu assisto às Olimpíadas de Beijing
O fato é que Rubem Alves escreveu artigo na coluna Tendências / Debates da Folha de S. Paulo do dia 09/08/2008, afirmando que não iria assistir às Olimpíadas (http://bornycristianoso.blogspot.com/2008/08/voc-vai-assistir-olimpada-de-pequim-no.html).
Já Juca Kfouri, na sua coluna dominical do Caderno de Esportes da Folha de S. Paulo, do dia 10/08/2008, escreveu um artigo chamado “Os Jogos da Hipocrisia”. Neste, ele diz que não teria viajado para Beijing, “porque não quis”. Lá, elenca seus motivos (http://bornycristianoso.blogspot.com/2008/08/os-jogos-da-hipocrisia-por-juca-kfouri.html).
Eu também não suporto a patriotada dos meios de comunicação brasileiros que defendem o 10º lugar em alguma modalidade, festejam o “estar nas finais da prova de natação é motivo para comemoração” com direito a link direto com a casa do atleta, mas nem por isso deixaria de ir às Olimpíadas.
A partir disso, não suporto o competir pelo competir. Não quero pregar que devemos vencer a todo custo, não defendo o doping, nem quaisquer outros métodos ilegais para se ganhar, mas, como torcedor, quero sempre ver nossa bandeira no pódio, quero sempre ver o brasileiro chorando pela vitória, jamais pela decepção pelo resultado não obtido. Mas também nem por isso deixaria de assistir às Olimpíadas que é o espetáculo esportivo mais igualitário que pode colocar um Michael Phelps na mesma piscina que um nadador do interior da África com um maiô de praia e uma touca que eu usava quando criança nas aulas de natação.
Nada há de irracional em superar limites. Competir contra o cronômetro, contra o adversário, provar que é o melhor do mundo. Desde o surgimento do fogo, somos movidos pelos desafios, pelo mistério das descobertas, pela vontade de vencer. Isto está na essência da alma humana.
É claro ainda que não concordo com a política de desenvolvimento e prática de Esportes de todos os nossos Governos, seja da esfera federal, estaduais ou municipais, não concordo, mas nem por isso deixarei de ver as Olimpíadas, muito menos deixaria de estar lá, caso fosse possível.
Não concordo com a cartolagem brasileira, nem com a politicagem e as sacanagens que envolvem todos os eventos esportivos, nem com o conflito entre Geórgia e Rússia, nem com a crise do Tibete, nem com a poluição de Beijing.
Mas nada faria com que deixasse de ir, pois nada trocaria a experiência de andar pelas ruas chinesas, avistando a muralha; nada melhor do que poluir meus pulmões em outro fuso horário em vez de enfrentar os cigarros das esquinas brasileiras; nada melhor do que torcer lá do aqui, afinal lá seria dia e eu quase não durmo há aproximados dez dias.
A China tem suas contradições, mas qual país não as tem? Por conta de tudo isso, não abro mão de assistir às Olimpíadas, mesmo que me deixe como zumbi o restante do dia. E não abriria mão de ir às terras de Mao, mesmo que para isso tenha meu acesso à internet restrito.
Ainda há uma semana de eventos, não deixei de apoiar os Cielos, os judocas, as piruetas da ginásticas, até o futebol drama de nossas seleções me fizeram acordar. E nada me fará deixar de dormir acordado durante a madrugada.
Pois realmente tudo é bonito e “paixão é paixão e não se explica, não se racionaliza, se sente.”
domingo, 17 de agosto de 2008
Ronaldinho Gaúcho e Marta
Serão dois jogos emocionantes e dramáticos. A questão é saber se Ronaldinho e Marta conseguirão liderar seus escretes rumo à medalha, nestas finais antecipadas. Ronaldinho está tão sem ritmo que poderia jogar conosco às quintas-feiras no society; já a Marta, embora ainda demonstre ser a melhor do mundo, não tem tido as mesmas atuações do Pan do Rio e do Mundial de 2007.
O futuro de Dunga está neste jogo e nos pés de Leonel Messi. O da Seleção feminina num dia inspirado dos pés da Marta e numa possível TPM da goleira alemã.
sábado, 16 de agosto de 2008
Um ser mackenzista
Amigo calouro, antes de mais nada seja bem-vindo!
Esta é a boa recepção que nós, seus eternos veteranos, desejamos, afinal, você acaba de se tornar um acadêmico da Faculdade de Direito no Mackenzie, uma Instituição que há 45 anos forma e constrói profissionais, Homens para a vida.
Entretanto, você tem noção do valor que é ser um mackenzista?
Em princípio, ser mackenzista é um espírito que, amiúde, cresce, amadurece dentro de si, ao passo que o acadêmico vai conhecendo intrinsecamente a rotina de sua comunidade, seu campus e os eternos mackenzistas que construíram e/ou constroem suas vidas.
Senão, amigos, vejamos:
O Mackenzie situa-se na histórica rua Maria Antonia, de duelos passados e bares presentes por toda sua extensão, como o Candy Place, o Deméter e o famoso MacFil. A possibilidade de não se apaixonar por um deles é pequena, ou seja, o ser mackenzista é, além dos estudos acadêmicos, relaxar em um dos bares à sua volta, imaginando o que seria ter participado da Guerra da Maria Antonia em 1968.
Temos nosso campus, que merece ser desvendado em sua monumental completude e complexidade. Desde a famosa Capela às quadras, passando pela aconchegante Praça João Mendes Jr., o Quadrilátero Mackenzista é um charme de mais de um século, dotado de lendas e tradições, como os festejos do Dia do Mackenzista, evento realizado no mês de outubro. Ser mackenzista é orgulhar-se de seu habitat, contribuindo para suas melhorias e conservação, lutando para que se mantenha sempre um berço acolhedor para nossos ensinamentos.
Não se pode esquecer também das personalidades mackenzistas que tanto nos motivam a tentar ser alguém neste mundo. Ser mackenzista é espelhar-se em tais ‘ídolos’ e, concomitantemente, lutar para ser o espelho de novas gerações, quiçá, um dia.
Contudo, uma menção honrosa a nossa Célia, uma personalidade que muito nos diverte com seu jeito despojado e vida transeunte que a vida lhe destinou. Dizem os mais remotos rumores que um dia, em sã sanidade, fora professora, um baú de sabedoria, em nossa Casa, porém os tropeços lancinantes do destino a levaram, ou melhor, transformaram-na na pessoa bem-quista que a é. Não receie em conhecê-la, pois conversar com a Célia é descobrir um pouco de nós mesmos e de como a vida pode ser alegre, apesar dos infortúnios e dificuldades. Ser mackenzista também é tratar a vida com paixão, com perseverança e esperança de que cada dia será melhor do que o anterior, aproveitando todo e qualquer minuto para realizar algo ou curtir à doidado.
Enfim, uma vez mackenzista, você nunca mais deixará de orgulhar-se de ser um. É uma relação de amor, que se construirá por de tudo um pouco, porém tal fato não pode cegar nossos olhos para os defeitos que, sim, nossa Instituição possui. Ser mackenzista é lutar para manter nossa Casa sempre no topo, melhorando-a e reformando-a, nunca a revolucionando, nem tentando fazer mil reviravoltas.
Em se alimentando este amor pelo Mackenzie, meu desejo é que todos consigamos nos transformar verdadeiramente em um ser mackenzista, pois o Mackenzie não é apenas seus prédios tombados e tradição. Sua importância foi, é e ainda será imensa graças aos seus eternos mackenzistas de coração.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Mito
“Quantas vezes, para mudar a vida, precisamos da vida inteira, pensamos tanto, tomamos balanço e hesitamos , depois voltamos ao princípio, tornamos a penar e a pensar, deslocamo-nos nas calhas do tempo com um movimento circular, como os espojinhos que atravessam o campo levantando poeira, folhas suas, insignificâncias, que para mais não lhes chegam as forças, bem melhor seria vivermos em terra de tufões.”
(José Saramago)
José de Souza Saramago, um mago na arte de escrever. Um gênio da Literatura, Prêmio Nobel de Literatura em 1998. O que mais deseja ser? Quais qualidades ainda lhe faltam ser atribuídas? Nenhuma mais, pois, se temos os mitos portugueses Camões e Fernando Pessoa na poesia, não há como destinar a coroa narrativa a seu Zé.
Uma literatura diferente, extremamente fascinante. Suas histórias, às vezes, alucinantes, trazem à tona as piores características humanas as quais se tornam predominantes em virtude da eminência do desastre. Ou é uma cegueira desvairada (“Ensaio sobre a Cegueira, Cia. Das Letras) ou uma península que se desgruda da Europa (A Jangada de Pedra, Cia. Das Letras), seja o que for, no meio do caos e destruição, onde reinam o egoísmo e a falta de solidariedade, alguns conseguem se unir em torno de um sentimento que é a compaixão, que é o amor.
O importante em suas narrativas é a pergunta que surge sobre como nos comportamos, como as relações humanas são tão pouco humanas. Ao lermos, uma obra ‘saramaguiana’, refletimos sobre determinado aspecto da vida, pois ele exprime interrogações e preocupações ao inventar suas histórias transloucadas.
Podem dizer tudo do mestre, que ele é um persistente militante comunista, ateu e português. Entretanto, ao ler suas obras, identificamos elementos que não estamos preparados para reconhecer. Surge então a diferença entre os homens e os meninos, a diferença entre os gênios e os simples mortais. Aqueles enxergam a realidade como realmente a são, enquanto a nós resta aplaudir.
Assim, entender Saramago, o que é difícil, é estar preparado para a vida, em sua completude analítica. Por isso, muitos não gostam de seu estilo literário inovador, dizendo não ter paciência para desvendá-lo bem como o mundo a sua volta.
Para encerrar, na minha biblioteca, José Saramago é figurinha carimbada...
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
"Os Jogos da hipocrisia", por Juca Kfouri
Este artigo foi publicado na Folha de S. Paulo, do dia 10/08/2008, por Juca Kfouri em sua coluna dominical no Caderno de Esportes
"Os Jogos da hipocrisia", por Juca Kfouri
Não é de hoje que o Movimento Olímpico perdeu seu idealismo. Mas Pequim passa de todos os limites
"POR QUE você não foi para Pequim?", perguntam.
"Porque não quis", respondo. Mais: estou entrando em férias e só volto aqui no dia 21.
Claro que verei a Olimpíada e até comentarei no blog, mas ando cheio de tanta hipocrisia, a começar pela caça aos que são pegos no antidoping por hábitos que só fazem mal e pioram o rendimento.
Não aceito ver essa cartolagem imunda da família olímpica no papel de fiscal dos hábitos da juventude e, ainda por cima, expondo jovens à execração pública, como acabam de fazer com um jogador do handebol brasileiro.
Como não suporto o ufanismo da maior parte das narrações, com as exceções de praxe para os felizardos que podem assinar um canal de televisão fechada, razão pela qual darei uma fugidinha do país para acompanhar Pequim de uma cidadezinha colonial mexicana apaixonante chamada Guanajuato.
Porque passa do limite ver um Carlos Nuzman fazer quase o elogio da poluição ou se jactar pela maior delegação brasileira da história, quando só 12% de nossa rede escolar tem quadras de esporte.
Aliás, quanto mais medalhas o Brasil ganhar, mais ficará demonstrado o desvio de sua não-política esportiva, porque privilegia o alto rendimento em vez da inclusão social ou a saúde pública por meio da prática de esportes.
Dá engulhos ver a cartolagem em hotéis de até sete estrelas enchendo a boca para dizer que esporte e política não se misturam, quando nada foi mais político do que escolher Pequim para receber os Jogos, cidade que, além de poluída, é uma capital que se notabiliza por cercear direitos básicos da cidadania.
Tudo por dinheiro, tão simples assim. Porque a China talvez seja o melhor exemplo, com todas as suas contradições, de como ainda não se achou um sistema razoável, tão óbvias são as mazelas do comunismo e do capitalismo reais.
É claro que verei tudo, é claro que me emocionarei com as vitórias brasileiras, como com a festa de abertura. É evidente que torcerei para que aconteçam triunfos como nunca, porque tenho a surpreendente capacidade (surpreende a mim mesmo, diga-se) de voltar a ser criança a cada competição em seu apito inicial. E não é de hoje.
Faço assim com os jogos de futebol lá se vão bem uns 26 anos, depois que se revelou a existência da chamada "Máfia da Loteria Esportiva".
Porque paixão é paixão e não se explica, não se racionaliza, se sente.
E se curte.
Sim, eu sei que serei capaz de me comover às lágrimas até com a superação de um atleta que não seja conterrâneo, como já me aconteceu inúmeras vezes.
Mas é preciso que se diga que mais que em Atlanta, quando os Jogos Olímpicos modernos comemoraram cem anos e a Coca-Cola alijou Atenas de recebê-los num crime contra a história, esta edição chinesa é um soco em quem associa o esporte à saúde e à liberdade.
Lamento sentir assim, mas quem viveu a inesquecível festa de Barcelona-1992, cujos equipamentos até hoje são utilizados por quem os pagou, os catalães, além da hospitalidade que recebeu o mundo tão bem, não pode engolir Pequim-2008.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
O fracasso do quarteto fantástico
Ronaldinho, melhor do mundo nos últimos dois anos. Kaká, com potencial para ser um futuro. Ronaldo, vencedor por três vezes do maior premio individual da FIFA. Adriano, um trator para fazer gols. Robinho no banco para agitar no segundo tempo. Este grupo, comandado por Parreira, tinha tudo para trazer o hexa para o país, mas quem bailou novamente sobre nossa tribo foi Zidane e seus soldados franceses, que só não conseguiram passar pela esquadra italiana, vencedora da Copa do Mundo de 2006.
Dois anos antes, tínhamos vencido a Copa América em cima da Argentina. Um ano antes, tínhamos vencido a Copa das Confederações na mesma Alemanha e novamente em cima dos vizinhos sul-americanos. 2006 coroaria esta geração de Cafu, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Lucio e outros.
Mas, pelo contrário, a soberba reinou. A festividade em demasia triunfou. O churrasco, a cerveja, o peso, o farrismo foram nossos maiores adversários na Alemanha e custou muito mais para os corações dos brasileiros comuns do que para aqueles que ali estavam a nos representar. Uma meia nos tirou nas quartas de final, trazendo o fracasso do quarteto fantástico.
Devemos agora ter uma nova fase na Seleção, revolução esta que deveria ser em todas as instâncias da CBF, até da própria organização do futebol brasileiro, mas que dificilmente ocorrerá. No máximo, alguns jogadores não mais serão convocados, um treinador da nova geração assumirá o poder a mando (ou aos mandos) do Ricardo. É esperar para ver.
Finalmente, a cabeçada de Zidane em cima do italiano em nada manchará tudo que este jogador fez por seu país, mas principalmente por seus admiradores.
Ao Zidane, vai este texto, pois bailou sobre os brasileiros como se fosse um de nós.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
O Brasil chorou!!!
O futebol brasileiro mais uma vez se consagra como o maior de todo mundo. Somos penta!!! Sim, cinco vezes campeões mundiais desta arte que um inglês inventou, mas somos nós que melhor sabemos encantar os deuses da bola, coroando uma geração que pode se resumir numa dupla: Ronaldo e Rivaldo.
Do céu ao inferno e agora no paraíso. O Brasil parou. Aliás, já estava parado com os olhos na televisão, ouvindo ao Galvão, um José Silvério no rádio, e se levantou para comemorar as jogadas da dupla que se imortalizará, esse desengonçado Rivaldo, o guerreiro Ronaldo. A estigma dos craques novamente imortalizado na galeria da História.
O emocionante e vale registrar isso foi a montanha de bandeiras nacionais que enrolaram nossos heróis. Há quatro anos atrás, num longíquo artigo, disse que nossos soldados haviam levado uma surra na Revolução Francesa do Futebol.
Neste domingo, nossos guerreiros venceram os fortes e grandalhões alemães, num levante dos Inconfidentes contra a barbárie e arrogância européia, trazendo ainda aquela esperança de que o futuro poderá ser melhor!
A pena é que ainda existem os ricardos teixeira e euricos miranda no futebol; a fome, a miséria, a insegurança pública espalhados pelas esquinas deste maravilhoso país.
Daqui quatro anos tem mais, porém o amanhã já existe para aqueles que enfrentam uma batalha diária, sobrevivendo em busca de uma mínima condição, sonhando com a dignidade de uma vida. Este é o devaneio que deverá nortear nossos travesseiros, quando, enfim, descansarmos da farra do penta.
O Brasil chorou!!! Confesso: meus olhos também lacrimejaram... e nestes momentos o melhor a se eternizar é que no ponto final, caiu uma lágrima.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
World Cup, 1998 - We are the champions?
We are the champions?
Promessa feita, palavra cumprida. São seis horas da tarde do dia doze de julho de 1998 e a lástima domina a Rede Bobo, perdão, a rede global. A copa está terminando e a França se sagrou campeã. Agora, só no próximo milênio. Todo mundo tentou, mas só o Brasil conseguiu ser tetra.
Levamos um baile na final e a Seleção, se não jogou de salto alto, demorou para entender que estava decidindo um título mundial. Jogadores importantes não renderam o esperado como em outras partidas e, quando acordaram já era tarde demais. Moral da história: o seleto grupo dos campeões mundiais ganhou mais um sócio.
Chorar? Nem pensar... o brasileiro tem de começar a aprender a valorizar o segundo lugar que também é muitíssimo importante, afinal, embora perdendo, somos os campeões do século. Ganhamos quatro copas do mundo, uma na Suécia, depois no Chile, seguindo-se no México e, por último, a triste conquista nos Estados Unidos. O que mais queremos?
Eu, pelo menos, quero ganhar outras, levantando as taças da igualdade, liberdade e fraternidade e, por outro lado, perder os títulos de campeão da violência, da miséria, das jogadas políticas. Em suma, não fomos os vencedores no futebol, mas somos os campeões da desigualdade social. Isto vale um pranto sincero.
Aliás, dizer que perdemos é, de certa forma, uma hipocrisia. Não perdemos, porque lutamos até o último minuto, ou melhor, tentamos lutar até o final. Não nos entregamos jamais, perdendo o jogo em dois escanteios inusitados o qual o jogador da Copa, Zidane, fez o que o craque costuma fazer: decidir as partidas.
Valorizar o vice-campeonato, sim; esconder nossos defeitos, que foram muitos, nunca. Lutou-se até o último minuto, entretanto nada jogamos. Um time apático, abatido, talvez, motivado pelo problema Ronaldo; quiçá, pela pressão do hino francês cantado por oitenta mil pessoas; enfim, o qual sequer ameaçou o título francês.
Os jogadores merecem nossos cumprimentos pela pouca alegria que trouxeram a massa brasileira, tão esquecida pelas autoridades deste País. Triste é isso. O futebol é a única forma de alegrar os milhares de excluídos do Oiapoque ao Chuí. E eu fui testemunha da festança que dominou São Paulo, especialmente, após o jogaço contra a Holanda, em plena terça-feira, comemoração que adentrou a madrugada.
Desejara ter queimado a língua, ou melhor, queimado o teclado do computador, pois, há aproximadamente 10 meses atrás, escrevi uma crônica (pelo menos, tentei), dizendo que, dificilmente, o Brasil se sagraria campeão. Infortunadamente, acertei.
Entretanto, o otimismo também invadiu meu âmagos mais racionais. Até hoje à tarde, meu palpite do jogo era dois a um para o Brasil. Levamos três. Não fizemos nenhum. Os fogos estouraram pelo lado de fora da janela e, em virtude da quantidade, ou o brasileiro não quer guardá-los para a próxima festa junina ou existem muitos franceses, morando em São Paulo.
Não nego que estou um pouco triste. Triste e um pouco revoltado. Triste, pois o Brasil apresentou um futebol melhor do que quatro anos atrás, encantou em alguns momentos, resgatando lances mágicos do lendário futebol brasileiro e foi vencido. Novamente me pergunto: perder, jogando um futebol bonito (bem... bonito na minha visão e esta pode ser totalmente diferente da sua, crítico boleiro) ou ganhar, praticando o pragmatismo dos resultados medíocres?
Perder desta forma como a de hoje foi diferente da derrota de 82. Por quê? Porque, pelo menos, aquela seleção encantou o mundo inteiro, mesmo na derrota; enquanto a geração de Ronaldo apenas, em certos jogos, demonstrou a genialidade brasileira, perdendo a taça de uma maneira ridícula. No mínimo, perdesse jogando bonito...
A revolta é sentida não contra o Bebeto ou Junior Baiano, e sim por todas as baboseiras as quais fui obrigado a ouvir nos dias que separaram as semifinais das finais. Quanta manipulação!! Sem ter o que noticiar, as Televisões, principalmente, elaboraram reportagens medíocres como, por exemplo, os pais de alguns jogadores levados a um restaurante francês para “paparem” os franceses. Que b....!!
Invocando um ufanismo surpreendente para um meio de comunicação, fizeram um País sonhar antes da hora. O que dizer a criança que chora sem parar? Como desmentir, o que a TV já dava como certo? Sim, provou-se que verdade incontestável, não é a verdade verdadeira.
Espero que as lágrimas as quais, com certeza, rolaram pelos rostos de milhões de brasileiros não sejam unicamente destinadas ao vice-campeonato. Se a comoção que dominou o País não se limitar somente ao esporte mais praticado no mundo, alcançando todas as mazelas sociais do país verde-amarelo, sorriremos daqui algum tempo, pois a pobreza, a corrupção terão diminuído um pouco, já o suficiente.
Aplausos para nossos atletas que bravamente tentaram e perderam, porém não fracassaram. Alguns decepcionaram, entretanto, não podemos crucificá-los pela derrota. Zagallo, dou-lhe meus cumprimentos pela carreira vitoriosa, pelo tetra, contudo saiba que o acho ultrapassado há muito tempo. Nada pessoal (quem sabe, algum dia nos encontremos e possamos conversar sobre o futebol de antigamente), porém mais quatro anos tendo que engoli-lo, jamais.
O melhores jogadores brasileiros na Copa? Cafu e Dunga. O primeiro enfrentou as críticas com garra, não se abatendo com o blá-blá-blá dos torcedores e da Imprensa; o segundo, já vencera os ataques após a derrota da Copa de 90, levantando a taça em 94 e consolidando sua liderança na França. Os dois marcados para sempre pela superação.
— O grande vencedor não é aquele que ganha. É aquele que consegue se levantar e se superar. — o capitão. Assino em baixo.
Quanto aos outros, em minha opinião, Giovanni foi sacrificado, uma pena, pois é um jogador extraordinário; Rivaldo mostrou a categoria de craque; Denilson, a molequice do peladeiro brasileiro; Roberto Carlos, a máscara de sempre; Ronaldo, o oportunismo cabível ao matador, embora não tendo jogado como o melhor do mundo deveria jogar. O restante, todavia, nada merecedor de maiores destaques individuais.
Neste momento, vaias e cobranças apenas para nossa Mídia, liderada pela líder de audiência, que supervalorizou nosso esquadrão, desprezando a seleção francesa. O clima do oba-oba não dominou somente o massa brasileira, mas sim, até, incabível, alguns jogadores da Seleção.
Criou-se um clima de já ganhou, o qual invadiu o País e fez do título antecipado, e já comemorado por muitos, uma grande tristeza da Nação, uma perda que não deixa o Brasil mais miserável, apenas menos festivo.
Palmas ao craque Zidane pelo comando dos novos revolucionários franceses; nota zero para o Magdo Bueno pelo ufanismo exarcebado. Ele, em nome do canal 05, como ele mesmo disse, merecia ser o culpado pelo choro do menino, pois assegurou a todo instante que faltavam apenas algumas horas para o pentacampeonato.
Ser otimista é uma coisa, iludir é outra. Tudo bem, o Brasil era favorito... mas por que não respeitar Zidane e companhia? Milhões de brasileiros sonharam com a festa após o jogo e tudo não passou de pura ilusão.
Por que o narrador, ao invés, de mudar o discurso durante a partida, tentando valorizar o segundo lugar, não foi mais humilde antes do início da partida? Ah... sim... o Brasil do futebol, como o da política, da economia, da sociedade, não tem problemas a serem noticiados aos telespectadores e, portanto, não existe críticas a fazer, somente apelos emocionais para se retratar da conquista antecipada que não se concretizou.
Será que alguns números a mais no IBOPE valem um otimismo superestimado? Ser confiante é uma coisa; outra é já antecipar a comemoração. Brasil 500 anos... homenagem ao País ou só interesse pessoal? Responda tu, meu pensante leitor...
Talvez, tudo não tenha passado de uma prova da facilidade em se manipular o brasileiro. O que foi dito, não foi duvidado, apenas acreditado...
Realmente, um caso de amor com o País. Dominação e alienação cultural.
(...)
Em tempo, minha escalação antes da Copa era a seguinte: Carlos Germano; Cafu, Junior Baiano, Mauro Galvão, Roberto Carlos; Dunga, Giovanni, Rivaldo e Denilson; Romário e Ronaldo. Após o corte do Romário, coloquei Leonardo no meio de campo, avançando o Denilson para jogar ao lado do Ronaldo.
Dirão os críticos que meu time é muito ofensivo, não conseguindo sobreviver nesta época do futebol moderno. Então, meus amigos leitores engrossarão o coro da pergunta mais chata de todos os tempos: será?
Penso, nos meus 12 anos como técnico de futebol de botão, que, embora jogando ofensivamente, este time tendo um esquema definido seria o surrealismo do futebol arte. Por exemplo, imagine leitor o esquema 3-2-3-2. O Dunga seria o líbero do time, jogando na sobra, entre os zagueiros. Os alas seriam auxiliados pelos três meio campistas, Giovanni pela direita, Leonardo pela esquerda e Rivaldo pelo meio. Denilson seria um autêntico ponta-esquerda, enquanto Ronaldo, o matador artilheiro.
Perderei o meio de campo, retrucará o Zagallo e eu lhe responderei que não desde que todos tenham preparo físico e senso de conjunto. Aliás, isso se o outro time pegar na bola, porque com um esquadrão desses, os adversários nem entrariam em campo.
Por outro lado, para não dizerem que eu sou mais um crítico do vencedor Zagallo, se o goleiro fosse Carlos Germano, talvez tivéssemos perdido para a Holanda nos pênaltis. Denilson mostrou no jogo contra a Noruega, ou melhor, não mostrou nada contra o time escandinavo. Giovanni, bem ele foi um injustiçado no primeiro jogo, mas não pegou na bola na partida de estréia.
Enfim, ele é o único tetracampeão do mundo e eu, apenas mais um no meio de 160 milhões de brasileiros. Boa sorte, lobo Zagallo, como mais um torcedor, ao meu lado na arquibancada em 2002!
domingo, 10 de agosto de 2008
Paixão de Menino
Paixão de menino
Brasil um, Espanha zero. Foi a primeira partida de futebol que assisti sem ficar chorando ou pedindo pelos desenhos animados. Era a Copa do México de 1986 e eu estava com sete aninhos, quase oito. Já tinha ouvido falar dos “Menudos do Morumbi”, da Democracia Corinthiana, da seleção campeã moral, do Pelé, até do Garrincha, mas, torcer pela seleção, acontecia pela primeira vez.
Meu pai estava bebendo com os amigos no bar da esquina, minha mãe picando papéis verde-amarelos para jogarmos pela janela, caso o Brasil vencesse. Eles não eram torcedores fanáticos e, por isso, nunca entendi a minha imensa, e a do meu irmão também, apreciação por este esporte tão amado pelo povo brasileiro. Talvez fosse o lobby (como diria o ultrapassado, porém vencedor, Zagallo) dos meios de comunicação?! Não importa. O importante é que, logo após o término do jogo, deu-me vontade de sair pela rua, pular, gritar, jogar futebol, imitar o calcanhar do Sócrates, quem sabe cobrar uma falta como o Zico, fazer um gol como o Careca... sentir pela primeira vez qual era a emoção de ser um torcedor... só não esperava chorar, depois da derrota para a França nos pênaltis, como muitos na Tragédia do Sarriá.
Nos anos que se passaram, comecei a acompanhar os jogos do meu Corinthians, torcer contra a velha academia, o Palmeiras, comprar os álbuns de figurinha com todos os meus ídolos. Sonhei com o Projeto Tóquio, no entanto tive que me contentar somente com os títulos de campeão paulista e brasileiro. Comemorei os gols do Viola, vibrei com as faltas do Neto e do pé de anjo, Marcelinho e sofri com as milagrosas defesas do Ronaldo.
Enquanto isso, a Seleção só havia me decepcionado até 94. Desesperei-me com o toque do Maradona, com a nossa precoce eliminação na Itália e, principalmente, com o mau futebol apresentado. Surgira o futebol moderno. Vencer sem dar show. Ganhar de meio a zero, jogando na defesa e abusando dos contra-ataques, já seria o suficiente. Por que não atuar como o Santos do Pelé, tomar três gols, mas marcar o dobro? Era preciso resgatar o toque de bola e o drible desconcertante, a habilidade e ginga brasileira, unidos, é claro, à disciplina tática e ao preparo físico.
Apenas na terceira Copa, pude ser campeão mundial com Romário e companhia. Entretanto, onde estava o futebol arte?? O futebol pragmático, interessado no resultado, vencera. Naquele dia, a vontade do menino de anos atrás era sair por aí comemorando e soltando fogos, porém, a do adolescente, era achar uma resposta, era ter algum sábio para perguntar, por que nos pênaltis? Horas antes, eu assistira a final da Copa de 70 pela primeira vez e ficara fascinado. Pelé, Tostão, Rivellino, Gérson, Clodoaldo, Jairzinho, que jogadores!!! Desejei ter nascido uns 30 anos atrás. Ah!!! Desde que pudesse levara a Amada junto...
Três anos depois do tetra, presenciei poucas mudanças no futebol. Alguns técnicos começaram a adotar táticas mais ofensivas, devido à grande safra de atacantes, que despontara nos últimos tempos, porém a qualidade do jogo não deixou de cair. O pior foi, que os problemas não ficaram restritos às quatro linhas. O Brasil é o maior celeiro de craques do mundo e nunca deixará de sê-lo, entretanto, ainda falta um comando sério para levar nossos campeonatos a um dos mais organizados.
Há muito tempo, sofremos com isso. Desorganização, corrupção aliada à interesses próprios e políticos levam o futebol a ser um mercado de benefícios e chantagens pessoais. Escândalos na arbitragem, jogos com seus resultados pré-definidos, time rebaixado, que é convidado a participar da primeira divisão... um mundo criminoso, o esporte transformado em crime organizado.
Deixando as malandragens extra-campo de lado, temos excelentes jogadores para brigar pela taça na Copa da França. O Ronaldinho, um grande atacante, mas não um craque, o Romário, que, em forma, continua sendo o melhor do mundo, além dos novatos Denilson e Dodô e dezenas de outros tão brilhantes. Temos um único problema: o técnico, um tanto prepotente em suas declarações. O velho Lobo anda subestimando seus adversários. Diz que são eles, que devem se preocupar conosco. E nós? Não devemos nos preparar e, assim, evitar surpresas desagradáveis?
Isso é muito perigoso e já nos custou uma medalha de ouro nas Olimpíadas de Atlanta.
Espero não estar sendo pessimista, apenas receoso, mas acho que o penta não virá. Queiram os Deuses do Esporte, que eu esteja errado. Se me perguntarem qual é o meu favorito, eu responderei que é o Brasil, porque, há exato um ano da Copa, não vi nenhuma seleção praticar um futebol superior aos outros e, principalmente, eles não possuem os atletas que nós temos, ou seja, só perdemos para nós mesmos, devido aos nossos próprios erros. É aguardar pela Copa, para podermos ter uma resposta.
Em suma, acompanho futebol há pouco mais de 10 anos. Hoje, mudei minha forma de admirar este esporte tão fascinante. Não torço contra alguém ou algum time como anos atrás. Rezo para que se jogue um belo futebol, independente do resultado, porém não perdi o costume de querer ver o meu grandioso Timão, o Campeão dos campeões, sempre conquistando títulos... vencendo o Palmeiras, é claro!!!
(...)
“Leitores, se estiverem, vocês, lendo tal composição antes da Copa da França, não me censurem pelas opiniões acima (respeite-as, pois sou um jovem em início de carreira e não tenho uma bola de cristal ao lado do retrato da minha Amada), nem pelo meu time de coração.
Caso a leiam após a conquista do penta, não se preocupem. Eu terei escrito uma outra, redimindo-me deste erro crucial.
Bem... ganhando ou perdendo, eu já reservei um lugarzinho na minha agenda (doze de julho de 1998) para escrever, seja para parabenizar os nossos campeões, seja para apontar os erros do ‘fracasso’.
Assim, leitor apaixonado como eu, se 1998 já for passado, procure por esta outra obra, que, talvez, esteja mais próxima do que espera.”
sábado, 9 de agosto de 2008
"Você vai assistir à Olimpiada de Pequim? Sim.", por Moacyr Scliar
A Olimpíada é a vida - melhorada
MOACYR SCLIAR
VOU, SIM , assistir à Olimpíada (pela tevê, naturalmente). Vou torcer por nossos atletas. Vou vibrar e sei que, em alguns momentos, vou me emocionar. Por quê? De onde tiro essa certeza, que é a de milhões de pessoas em todo o mundo?
No meu caso, a resposta está num nome, hoje pouco lembrado: Abebe Bikila. Etíope, ex-pastor de ovelhas e depois militar, foi o primeiro atleta a vencer duas maratonas olímpicas e é considerado por muitos o maior maratonista de todos os tempos.
Bom, vocês dirão, grandes atletas existem, isso não chega a ser novidade. Mas Bikila era diferente. Esse homenzinho pequeno, magro, franzino, nascido em um dos países mais pobres do mundo, assombrou o público na maratona de 1960, em Roma, porque correu pelas ruas da cidade eterna descalço. Isso mesmo, descalço. E, descalço, ele chegou quatro minutos antes do segundo colocado; descalço, declarou que poderia correr mais dez quilômetros sem problemas.
Na maratona seguinte, em Tóquio, ele convalescia de uma cirurgia de apêndice realizada cinco semanas antes. Mas correu, e novamente venceu.
Dessa vez teve de usar tênis por imposição dos juízes. E só não venceu a terceira maratona, na Cidade do México, porque, depois de correr 17 quilômetros, fraturou a perna esquerda e teve de desistir.
Uma outra e irônica tragédia o aguardava. Em 1969, dirigindo o carro que ganhara do governo, teve um acidente que o deixou paralisado do pescoço para baixo. Os pés o consagraram, um automóvel foi a sua nêmese, o instrumento de sua desgraça.
Olimpíadas são eventos mundiais.
Conotações sociais, políticas, ideológicas são inevitáveis; boicotes e até atentados (Munique, 1972: 11 atletas israelenses mortos por terroristas) podem ocorrer. Já em 1936, Hitler tentara transformar a Olimpíada de Berlim num vasto espetáculo de propaganda nazista. Mas algo estragou, ainda que parcialmente, o deleite dos arianos: o fato de o atleta americano Jesse Owens ter ganho quatro medalhas de ouro nas provas de corrida.
Como Abebe Bikila, Jesse Owens era negro; neto de escravos, filho de um humilde trabalhador agrícola.
Bikila e Owens não foram, e não são, casos isolados. Para milhares de jovens, inclusive e principalmente no Brasil, o esporte, e sobretudo o esporte olímpico, é o caminho da auto-afirmação, da restauração da dignidade pessoal. E o instrumento para isso é aquilo que o ser humano possui de mais autêntico: o próprio corpo.
É o corpo que tem de responder ao desafio. Na verdade, o atleta não está só competindo com outros; está competindo consigo próprio. Está pedindo a seu tronco, seus braços, suas pernas, seus músculos, seus nervos que o ajudem a mostrar aos outros o que ele vale. Quando o peito do corredor rompe a fita na chegada da prova, não se trata apenas de uma vitória mensurável em minutos e segundos. Trata-se de libertação. É o momento em que a pessoa se liberta da carga pesada representada por um passado de pobreza, de privações, de humilhação.
Vocês dirão que o esporte não corrige as distorções, não redistribui a renda. Mas corrige distorções emocionais e sociais, representadas pelo preconceito; e redistribui auto-estima. É pouco? Talvez seja, mas é um primeiro passo.
E nós? Nós, os espectadores, sentados em nossas poltronas, diante da tevê? Para nós, a Olimpíada é igualmente importante. Não só porque representa um puxão de orelhas no sedentário ("Puxa vida, está na hora de eu começar a caminhar pelo parque"), coisa que ajuda a saúde pública, mas também porque, de algum modo, participamos no que ocorre nos estádios.
Sabemos que a vida é dura, cheia de problemas. Mas então pensamos no Abebe Bikila correndo de pés descalços sobre as pedras de Roma. Pensamos no que são as solas daqueles pés, enrijecidas por anos de caminhada e corrida sobre pedregulhos, sobre áspera areia, sobre espinhos. São um símbolo de resistência, esses pés. São pés que, transportando gente humilde, levam-nas longe no caminho da esperança, fazem-nas subir ao pódio de onde se pode, ao menos por um momento, divisar novos horizontes.
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MOACYR SCLIAR, 71, médico e escritor, é membro da Academia Brasileira de Letras e colunista da Folha. É autor, entre outras obras, de "O Texto, ou: A Vida".
"Você vai assistir à Olimpíada de Pequim? Não.", por Rubem Alves
"Não vou ver as competições..."
RUBEM ALVES
ENSINOU NO Departamento de Educação Física da Unicamp um professor português que tinha uma tese curiosíssima sobre o atletismo. Ele dizia que o atletismo faz mal à saúde. Para provar seu ponto, perguntava: "Você conhece um atleta longevo? Quem vive muito são aquelas velhinhas sedentárias que tomam chá com bolo no fim da tarde". Florence Griffith Joyner, corpo fantástico, só músculos, a mulher mais rápida do mundo, deteve por dez anos os recordes mundiais dos 100 m dos 200 m. Dedicou toda a sua vida ao atletismo. Era o símbolo máximo da beleza olímpica. Um infarto a matou. Os animais não competem. Não têm interesse em saber qual é o melhor. Se eles pulam e correm, o fazem pelo puro prazer de pular e correr. Minha cachorra Luna, é só soltá-la num campo aberto para que se transforme numa flecha. E eu fico a contemplá-la, assombrado pela performance do seu corpo que nunca fez atletismo. Por que ela corre? Não é para pegar um coelho. Se corresse para pegar um coelho, sua corrida teria um objetivo prático, racional. Nem corre para provar que é mais rápida que outro cachorro. Se fosse esse o caso, estaria sendo movida pela mais pura motivação olímpica. Numa Olimpíada, nenhum atleta executa sua atividade pelo prazer de executá-la. Cada atleta executa a sua coisa para provar-se o melhor de todos. O prêmio que o atleta recebe por sua performance não é algo que acontece com o seu corpo, como é o caso da minha cadela que corre pelo prazer de correr. O seu prêmio é algo abstrato, fora do corpo, medido por números. O atleta só fica feliz quando a fita métrica ou o relógio dizem que a sua marca foi a melhor. Observe os corpos das nadadoras. São máquinas especializadas numa só função, treinadas por anos para derrotar a água. Pois não é isso que são as provas de natação? Numa competição de natação, a nadadora luta contra a água. A água, sua inimiga, resiste. Ganha a atleta que ficar menos tempo dentro da água. O prazer da nadadora não está na água; está no cronômetro. O sentido original da palavra "estresse" pertence à física, no campo da mecânica aplicada. Para determinar a resistência de um material, é preciso submetê-lo a "estresse", isto é, a forças, até o ponto de ele se partir. O ponto em que ele se parte é seu limite. A competição é essencial ao atletismo porque é só por meio dela que se podem fazer comparações. Comparo vários materiais para determinar sua resistência. Comparo vários atletas para ver qual tem o melhor desempenho quando submetido ao estresse máximo. O corpo de Florence Griffith Joyner não agüentou. Arrebentou como um fio arrebenta se seu limite é ultrapassado. Se o atletismo é isso, a tese do professor de educação física a que me referi acima está justificada. A competição é uma violência a que o corpo é submetido. A imagem mais terrível que tenho dessa violência é a da corredora suíça, ao final de uma maratona, algumas Olimpíadas atrás [Los Angeles, 1984]. Chegando ao estádio, o corpo dela não agüentou. Os ácidos e o cansaço o transformaram numa massa amorfa assombrosamente feia. Ele não queria continuar; desejava parar, cair. Mas isso lhe era proibido: uma ordem interna lhe dizia: obedeça, continue até o fim. Ninguém podia ajudá-la. Se alguém o fizesse, ela seria desclassificada. O locutor, comovido, louvava o extraordinário espírito olímpico daquela mulher. Ele não compreendia o horror daquilo que ele considerava sublime. A competição, representada no seu ponto máximo pelas Olimpíadas, é o oposto do brinquedo. O brinquedo é uma atividade feliz. Por sua vontade, o corpo não competiria. Ele brincaria. O corpo não gosta de competições e Olimpíadas porque elas existem sobre o estresse. E o estresse faz sofrer. Os atletas sofrem. Basta observar a máscara de dor nos seus rostos. O corpo vai contra a vontade, empurrado por um tipo que mora dentro da sua alma e que é dominado por uma obsessão narcísica. Todo pódio é uma celebração do narcisismo. O que o espírito olímpico deseja é levar o corpo aos limites do estresse. E o limite do estresse é a morte. Não vou ver as competições. Mas vi o espetáculo maravilhoso da abertura. E verei o vôlei das meninas. E a ginástica. Porque é bonito...
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RUBEM ALVES, 74, psicanalista e escritor, é professor emérito da Unicamp e colunista da Folha. É autor, entre outras obras, de "Por uma Educação Romântica".
Crônica de um Sábado Chuvoso
Por isso, estive sumido.
Mas voltei. A chuva (e o frio) não trouxeram preguiça, mas sim vontade.
A partir dos próximos dias, trarei textos antigos. Tão antigos que alcançam a impressionante marca de terem sido escrito há 10 ou mais anos.
Re-publicarei também alguns artigos do famoso jornal ANALISE (1999-2001), publicação independente da Faculdade de Direito da Univerdidade Presbiteriana Mackenzie.
É claro que assuntos pertinentes e relevantes da semana nos acompanharão na dinâmica deste blog, tal como a perigosa disputa que se anuncia entre Georgia e Russia, por exemplo.
Entretanto, não se poderá esquecer das Olímpiadas de Beijing. Para tanto, trago dois artigos publicados na Folha de S. Paulo de 09/08/2008.