quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O papel da Oposição no século XXI

"Será que o mundo mudou? Ou nós que mudamos.? Além de ter sido publicado no Jornal PSIU da Faculdade de Psicologia da PUC, ele também fez parte do ANALISE, numa de suas edições do ano 1999. Também foi publicado no Jornal JOÃO MENDES JUNIOR, do D.A. de Direito do Mackenzie. Mudam-se as pessoas no poder, mas a essência permanece a mesma."

Fonte: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/print.php?storyid=568


A Sociedade brasileira há muito se acha envolta em um assunto polêmico no que tange à questão do impeachment do príncipe primeiro-ministro Fernando Henrique Cardoso, proposto pela mais radical da Esquerda nacional. Discute-se impropriamente se essa proposta é viável ou não, e quais as conseqüências para o país, tanto no âmbito interno como externo.Contudo, tal mérito esconde uma problemática gigantescamente mais relevante: o papel de nossos partidos de Esquerda no cenário político nacional e, principalmente, a função da Oposição em toda e qualquer nação desse planeta globalizado.

Já se foi o tempo em que era interessante à Oposição, que pouco se diferencia, seja com tendências à Direita ou à Esquerda, apenas criticar, pestanejar, apontar as mais corriqueiras falhas e erros, sem nada contribuir para a solução dos problemas, enfim, impotente em enxergar um outro caminho. Atualmente os eleitores, os cidadãos em si, buscam um algo a mais, um diferencial. Desejam que suas perturbações cotidianas sejam resolvidas ou, no mínimo, amenizadas; que seus proventos sejam suficientes para satisfazer suas necessidades e, além disso, sobre um restante para o tão almejado lazer; que sobretudo, a Segurança, a Educação e a Saúde se desenvolvam, quesitos básicos para uma vida digna de qualquer ser humano. Todos nos cansamos das famosas ladainhas, tais como: "o Governo não fez nada para o Povo, privilegiando somente os interesses do FMI, a verdadeira instigação da fome, miséria e indiferença, sob a batuta do famigerado Neoliberalismo".

Queremos críticas sim, mas construtivas, alternativas que contribuam para a coletividade, sem que visem interesses pessoais de poucos.Este fato não se testemunha apenas no país tupiniquim, berço de gênios como Rui Barbosa e Machado sde Assis. É um vício lancinante em inúmeras nações, salvo raríssimas excessões.

Mais próximo de nossa realidade, nos meios estudantis, presenciamos a banalização de nossos acadêmico-políticos no cenário das eleições para Diretórios ou Centros Acadêmicos, para as Uniões Estudantis, jovens que se munem com muito mais competência de ataques pessoais e picuinhas pejorativas do que com propostas viáveis para o desenvolvimento de uma Instituição, para a melhoria do Ensino, ou para o aprimoramento das condições que levem o estudante a desenvolver melhor seu potencial.

A Oposição Acadêmica não passa de uma fiel fotografia da Oposição Nacional, meros críticos irracionais, que nada vêm a discutir e analisar, apenas revolucionar e tumultuar. Infelizmente, esse é o retrato de nossos partidos de Esquerda, cuja tendência predominante é ser contra o Sistema que no poder está, nada mais.

É preciso repensar o papel da Oposição no século XXI, reformando-a em seus ideais e diretrizes. A Esquerda Nacional necessita de uma reforma de pensamentos urgente, sem a qual o Brasil nunca deixará de ser um país assolado pelas desigualdades existentes em todas e quaisquer esquinas desse abençoado berço.

Não quero afirmar que a miséria será erradicada, caso um partido de Esquerda conquiste o poder; o que eu almejo catequizar são suas propostas mais voltadas aos problemas sociais dos indivíduos, os quais precisam de uma boa educação, e.g. para ter um dia o poder de pensar.

Enfim, ser Oposição é possuir o poder manancial de enxergar o que se passa ao nosso redor com olhar crítico, agir com atos pensados, assumir o que de bom foi feito e saber apontar saídas para o que de errado está. Radicalizar, fazendo reviravoltas ou apensa protestando, não constrói nenhuma pedra para o pleno desenvolvimento, somente contribui para o retrocesso do que conquistado foi.

A plena conquista de nossas melhorias somente pode ser atingida se os erros forem corrigidos e os acertos aprimorados. Romper traz uma única coisa: a volta ao passo inicial. Destarte, é de suma relevância a Oposição passar a atuar de novas formas, agindo de maneiras mais condizentes com a realidade a qual atravessamos. Tanto a Oposição Nacional como a Acadêmica necessitam atravessar por uma profunda reforma, que transforme sim seu modo de pensar, mas que mantenha sua perseverança em lutar por um País, uma Instituição, melhor.

Nenhum comentário: