segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Resposta Aberta a Rubem Alves e Juca Kfouri – Sim, eu assisto às Olimpíadas de Beijing

Confesso que fiquei com medo em dar o título acima à opinião que abaixo se expressará. Alguns falariam se tratar de heresia questionar dois ícones dos meios de comunicação nacional, inclusive um literato de grande monta; alguns coragem por expressar o que muitos outros pensam; outros, por fim, nada falariam por conta de terem mais o que fazer como pensar e tentar resolver o problema da morte da famosa bezerra.

O fato é que Rubem Alves escreveu artigo na coluna Tendências / Debates da Folha de S. Paulo do dia 09/08/2008, afirmando que não iria assistir às Olimpíadas (http://bornycristianoso.blogspot.com/2008/08/voc-vai-assistir-olimpada-de-pequim-no.html).

Já Juca Kfouri, na sua coluna dominical do Caderno de Esportes da Folha de S. Paulo, do dia 10/08/2008, escreveu um artigo chamado “Os Jogos da Hipocrisia”. Neste, ele diz que não teria viajado para Beijing, “porque não quis”. Lá, elenca seus motivos (http://bornycristianoso.blogspot.com/2008/08/os-jogos-da-hipocrisia-por-juca-kfouri.html).

Eu também não suporto a patriotada dos meios de comunicação brasileiros que defendem o 10º lugar em alguma modalidade, festejam o “estar nas finais da prova de natação é motivo para comemoração” com direito a link direto com a casa do atleta, mas nem por isso deixaria de ir às Olimpíadas.

A partir disso, não suporto o competir pelo competir. Não quero pregar que devemos vencer a todo custo, não defendo o doping, nem quaisquer outros métodos ilegais para se ganhar, mas, como torcedor, quero sempre ver nossa bandeira no pódio, quero sempre ver o brasileiro chorando pela vitória, jamais pela decepção pelo resultado não obtido. Mas também nem por isso deixaria de assistir às Olimpíadas que é o espetáculo esportivo mais igualitário que pode colocar um Michael Phelps na mesma piscina que um nadador do interior da África com um maiô de praia e uma touca que eu usava quando criança nas aulas de natação.

Nada há de irracional em superar limites. Competir contra o cronômetro, contra o adversário, provar que é o melhor do mundo. Desde o surgimento do fogo, somos movidos pelos desafios, pelo mistério das descobertas, pela vontade de vencer. Isto está na essência da alma humana.

É claro ainda que não concordo com a política de desenvolvimento e prática de Esportes de todos os nossos Governos, seja da esfera federal, estaduais ou municipais, não concordo, mas nem por isso deixarei de ver as Olimpíadas, muito menos deixaria de estar lá, caso fosse possível.

Não concordo com a cartolagem brasileira, nem com a politicagem e as sacanagens que envolvem todos os eventos esportivos, nem com o conflito entre Geórgia e Rússia, nem com a crise do Tibete, nem com a poluição de Beijing.

Mas nada faria com que deixasse de ir, pois nada trocaria a experiência de andar pelas ruas chinesas, avistando a muralha; nada melhor do que poluir meus pulmões em outro fuso horário em vez de enfrentar os cigarros das esquinas brasileiras; nada melhor do que torcer lá do aqui, afinal lá seria dia e eu quase não durmo há aproximados dez dias.

A China tem suas contradições, mas qual país não as tem? Por conta de tudo isso, não abro mão de assistir às Olimpíadas, mesmo que me deixe como zumbi o restante do dia. E não abriria mão de ir às terras de Mao, mesmo que para isso tenha meu acesso à internet restrito.

Ainda há uma semana de eventos, não deixei de apoiar os Cielos, os judocas, as piruetas da ginásticas, até o futebol drama de nossas seleções me fizeram acordar. E nada me fará deixar de dormir acordado durante a madrugada.

Pois realmente tudo é bonito e “paixão é paixão e não se explica, não se racionaliza, se sente.”

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