sábado, 23 de agosto de 2008

Salvação em 2007 e modelo para Traffic, Cesta é encerrada

Futebol/Bastidores - (19/08/08 09:15) - http://www.gazetaesportiva.net/



Salvação em 2007 e modelo para Traffic, Cesta é encerrada



William Correia, especial para a GE.Net
São Paulo (SP) - Uma estratégia tida como inovação do Palmeiras para arrecadar recursos teve vida curta. Lançada em maio de 2007, a Cesta de Atletas, projeto que atraía investidores a adquirir parte dos direitos federativos de 15 jogadores visando lucro no futuro, não terá uma segunda edição. E teve apenas um desdobramento: serviu de modelo para a Traffic, que em troca se tornou parceira do clube.


A idéia se tornou realidade no ano passado com a promessa de que poderia repetir o sucesso da Parmalat, empresa que estabeleceu co-gestão com o Verdão entre 1992 e 2000 e recolocou o time no caminho dos títulos. Entretanto, em vez de dar à equipe o mesmo suporte financeiro, a Cesta serviu apenas como atrativo para outra sociedade.


“A Cesta foi encerrada, não pode mais ter novas aplicações. Acabou servindo como fundamentação para o acordo com a Traffic. Demos o conceito e eles reproduziram em escala maior, com uma Cesta deles. Como fomos inspiração, eles passaram a emprestar jogadores para o Palmeiras, aproveitando a exposição de um clube grande para valorizá-los e vender quando acharem conveniente, sempre respeitando as preocupações da equipe”, explicou à GE.Net o diretor de planejamento palmeirense e idealizador da Cesta, Luiz Gonzaga Belluzzo.


A mudança nos bastidores pode ser vista no elenco. Dos 15 atletas escolhidos para fazer parte da iniciativa, apenas quatro seguem no Palestra Itália, sendo que dois deles ainda nem treinam com os profissionais (veja quadro ao lado). Em campo, também se percebe a alteração.


Quando o projeto foi lançado, a escalação de Caio Júnior tinha até seis jogadores pertencentes ao fundo (Diego Cavalieri, David, Valmir, Wendel, Martinez e Valdívia). Atualmente, a base de Wanderley Luxemburgo tem quatro nomes ligados à Traffic (Sandro Silva, Jumar, Evandro e Diego Souza), além de outros seis no plantel (Fabinho Capixaba, Jefferson, Gustavo, Paulo Miranda, Maicosuel e Lenny).


Embora não tenha continuidade, a Cesta teve balanço positivo na opinião de seu criador. “Ainda não fiz exatamente a avaliação, mas posso adiantar que o resultado foi muito bom para o Palmeiras e os investidores. Em um ano, vendemos três jogadores por importâncias grandes, que são o Michael, o Diego Cavalieri e o Valdívia. Só o Valdívia deu quase 100% de lucro, que será dividido proporcionalmente aos investimentos”, contou Belluzo.


Na relação de lucros, a Cesta tem dado melhores resultados ao clube. Juntos, Valdívia, Diego Cavalieri e Michael saíram por R$ 20 milhões acima do preço estipulado no projeto, e ainda há a expectativa pela venda do lateral-direito Amaral ao Las Palmas, da Espanha. Já a Traffic ficou com cerca de R$ 10 milhões pelo acerto do zagueiro Henrique com o Barcelona – o único da parceria a ser negociado até o momento –, deixando R$ 4 milhões para o Palmeiras.


Satisfeito com sua iniciativa, o diretor de planejamento minimizou até mesmo as dificuldades que os atletas do projeto tiveram, como o atacante Cláudio, punido por 180 dias pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo por adulteração de idade – era registrado no clube como se tivesse 19 anos, mas na verdade tem 21.


“É claro que esse problema influi para os investimentos nele. Mas ele tem um valor pequeno na Cesta, nada relevante. Vamos dar uma solução. Foi descoberto que ele é gato, mas isso não quer dizer que ele não pode ser negociado”, defendeu o dirigente, que teve também como problema a morte do atacante Alemão, em julho do ano passado – os investidores receberam uma quantia de seguro como compensação.


Apesar de já ter sido decretado seu fim, quem acreditou na Cesta segue lucrando até que os 11 atletas restantes sejam negociados. “Eles não são consultados sobre as transferências, mas a gente avisa quando negocia e temos que remunerá-los. Inclusive, já estamos preparando os comunicados sobre os valores da venda do Valdívia e do empréstimo do Wendel para o Santos”, informou Belluzzo.



Confira os integrantes da Cesta, o valor fixado pelo clube, a porcentagem dos direitos que pertencem (ou pertenciam) ao Verdão e o destino de cada um

Valdívia: R$ 10.800.000,00 (100%) – vendido por R$ 20 mi ao Al Ain

Diego Cavalieri: R$ 2.700.000,00 (100%) – vendido por R$ 9,5 mi ao Liverpool

Michael: R$ 3.600.000,00 (100%) – vendido por R$ 6,5 mi ao Dínamo de Kiev (atualmente está no Santos)

William: R$ 3.600.000,00 (90%) – emprestado ao Náutico

Wendel: R$ 1.800.000,00 (60%) – emprestado ao Santos

Amaral: R$ 2.700.000,00 (50%) – emprestado ao Atlético-MG

David: R$ 4.500.000,00 (60%) – ainda no Palmeiras

Alemão: R$ 3.600.000,00 (20%) – faleceu

Marcelo Costa: R$ 540.000,00 (100%) – emprestado ao Juventude

Martinez: R$ 1.800.000,00 (25%) – ainda no Palmeiras

Francis: R$ 1.350.000,00 (70%) – emprestado ao Atlético-MG

Valmir: R$ 720.000,00 (60%) – emprestado ao Vasco

Cláudio: Sem valor definido (60%) – suspenso por 180 dias pelo TJD-SP por adulteração de idade

Daniel: Sem valor definido (100%) – ainda no Palmeiras (juniores)

Samuel: Sem valor definido (70%) – ainda no Palmeiras (juniores)

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