Este texto foi escrito no final do século passado, provavelmente na publicação ANALISE da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie."
“Quantas vezes, para mudar a vida, precisamos da vida inteira, pensamos tanto, tomamos balanço e hesitamos , depois voltamos ao princípio, tornamos a penar e a pensar, deslocamo-nos nas calhas do tempo com um movimento circular, como os espojinhos que atravessam o campo levantando poeira, folhas suas, insignificâncias, que para mais não lhes chegam as forças, bem melhor seria vivermos em terra de tufões.”
(José Saramago)
José de Souza Saramago, um mago na arte de escrever. Um gênio da Literatura, Prêmio Nobel de Literatura em 1998. O que mais deseja ser? Quais qualidades ainda lhe faltam ser atribuídas? Nenhuma mais, pois, se temos os mitos portugueses Camões e Fernando Pessoa na poesia, não há como destinar a coroa narrativa a seu Zé.
Uma literatura diferente, extremamente fascinante. Suas histórias, às vezes, alucinantes, trazem à tona as piores características humanas as quais se tornam predominantes em virtude da eminência do desastre. Ou é uma cegueira desvairada (“Ensaio sobre a Cegueira, Cia. Das Letras) ou uma península que se desgruda da Europa (A Jangada de Pedra, Cia. Das Letras), seja o que for, no meio do caos e destruição, onde reinam o egoísmo e a falta de solidariedade, alguns conseguem se unir em torno de um sentimento que é a compaixão, que é o amor.
O importante em suas narrativas é a pergunta que surge sobre como nos comportamos, como as relações humanas são tão pouco humanas. Ao lermos, uma obra ‘saramaguiana’, refletimos sobre determinado aspecto da vida, pois ele exprime interrogações e preocupações ao inventar suas histórias transloucadas.
Podem dizer tudo do mestre, que ele é um persistente militante comunista, ateu e português. Entretanto, ao ler suas obras, identificamos elementos que não estamos preparados para reconhecer. Surge então a diferença entre os homens e os meninos, a diferença entre os gênios e os simples mortais. Aqueles enxergam a realidade como realmente a são, enquanto a nós resta aplaudir.
Assim, entender Saramago, o que é difícil, é estar preparado para a vida, em sua completude analítica. Por isso, muitos não gostam de seu estilo literário inovador, dizendo não ter paciência para desvendá-lo bem como o mundo a sua volta.
Para encerrar, na minha biblioteca, José Saramago é figurinha carimbada...
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
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